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domingo, 30 de abril de 2017

Meus 29 anos

Dia 19 completei 29 voltas em torno do sol. Esse ano ganhei 2 presentões de aniversário. O primeiro, foi um joguinho feito pelo marido, especialmente pra mim! O joguinho consiste em ir dando coisinhas pra cada um dos 4 membros da nossa família e se ganha quando todos estiverem com o tanque do amor cheio. Quem quiser jogar, ele tá aqui: https://cafezinhobrasil.com/family-love-tanks/

Meu tanque do amor tá cheinho até hoje :)
Um outro presente maravilhoso foi a visita de Cássia. Foram apenas 4 dias, mas bem intensos, de renovações dos laços, risos e dengo. E também muitos presentes pras crianças, comida, trilha e até uma festa de aniversário pra mim.

 









A trilha que fizemos foi até a cachoeira do Chá. Fica a 1h30 ao sul de Sorocaba. Ficamos com preguiça de manhã e acabamos hesitando tanto que saímos tarde de casa, num dia chuvoso e Pedro percebeu no meio do caminho que tinha esquecido a carteira em casa. Esse passeio tava dando indicações de que não ia dar muito certo. Mas a companhia era boa e os ânimos estavam no seu melhor humor. Cássia assumiu o volante e chegamos na cidade de Tapiraí. A trilha é bem sinalizada e tem uma entrada, com estacionamento e mesa pra piquenique. Tinha pouca gente graças ao tempo nublado. O chão estava um pouco escorregadio, mas não nos intimidamos. Protegemos bem Esther no canguru, seguramos bem na mão de Elias e partimos pro passeio. Achei bem tranquilo e Elias fez todo o trajeto (de uns 20 minutos) na floresta andando, pulando, explorando. Na volta, ele pediu colo e Pedro o levou enquanto eu carreguei Esther no canguru. Chegando na cachoeira a visão é bonita, mas a água gelada, somado ao fato de não ter onde se "instalar" direito com as crianças não nos motivaram muito. Fizemos apenas uma parada rápida, sentei numa pedra pra dar de mamar. Comemos chocolate e logo voltamos. Tinha pouca gente, mas ainda assim não fiquei à vontade. Achei mesmo que tinha pouco espaço às margens da cachoeira. Tinha que ficar se equilibrando nas pedras (e ter um ataque cardíaco com o menino de 3 anos que quer pular de uma pedra pra outra) ou entrar na água gelada ou na trilha bem no caminho pras pessoas (que de combo estava úmido por causa da chuva). Foi legal a aventura, Elias se divertiu, mas não pretendo voltar lá. 
 



 Fica, tia Cássia...

domingo, 18 de dezembro de 2016

Relato de parto - parte I - A espera

Quase 9 horas da manhã e a casa dorme, mas não por muito tempo. Esther faz uns sonzinhos gostosos do meu lado. Começo esse relato de parto com a certeza de que terei que terminar em outro momento e sem saber quando esse momento chegará. E isso me trava. Não sei por onde começar.
A data prevista pro parto de Esther era 16 de novembro. No dia 9 tive as primeiras contrações de treinamento (a barriga fica bem rígida, mas não se sente dor). Depois não tive mais nada até a noite do dia 16, quando comecei a sentir cólicas irregulares e fracas. Fui dormir achando que seria no dia seguinte, mas… acordei sem sentir mais nada além de frustração. Mas enchemos a piscina cheios de expectativa. Às 10h30 do dia 20 a bolsa estourou. Era uma domingo e eu quase tinha ido à igreja. Imagina que vexame. Uma das enfermeiras veio em casa me examinar. Estava tudo certinho. Líquido claro, Esther com os batimentos como deviam, cabeça encaixada. Passei o dia com cólicas. À noite, dormi entre contrações dolorosas e às 4 horas da manhã do dia 21 levantei e comecei a contar as contrações: duração de 40 segundos com intervalos de um pouco mais de 5 minutos. Fui dormir às 5 da manhã e acordei sem nenhum indicativo de trabalho de parto. Apesar de tudo, eu estava muito tranquila e muito otimista. Eu tinha a impressão de que nada poderia dar errado. Ainda de manhã a enfermeira veio de novo em casa me examinar e conversar. Ela me fez ler uns artigos, assinar uns papéis pra indicar que eu estava ciente. Eram artigos que falavam sobre o perigo da bolsa rota. Fiquei muito tensa. Chorei. Depois ficava sempre analisando a cor do líquido que ia saindo aos poucos. E contando o tempo, pois 48 horas nessa situação tinha sido meio que a dead line que as enfermeiras tinham me dado. Fiquei com raiva de mim. Questionava se eu não conseguia parir. Não tinha como não pensar em Elias, que com 40 semanas também não tinha dado nenhum sinal de querer nascer. Eu já estava com 40 semanas e 5 dias. As pessoas próximas também questionando o tempo, a demora, a tal bolsa rota da qual ninguém tinha ouvido falar. Elias tinha ido passar o dia na casa de Claude e dormiria por lá pra gente tentar relaxar mais. Lembro de ficar andando no quintal de casa em círculos, Pedro parado na sombra me vigiando, escolhendo bem as palavras. Eu estava uma pilha. Dizia “eu sou do tipo que morria no parto antigamente” e outras coisas negativas. Até que resolvemos comprar os ingredientes pra um shake que as enfermeiras tinham indicado. A receita tinha uma lista quilométrica de ingredientes, mas o principal era um tal óleo de rícino. Li um pouco sobre ele e não estava nada convencida. Mas Pedro me convenceu a ir comprar pra me distrair. Uma das primeiras coisas que se acha sobre esse óleo é:

Indicado para pessoas que tem problemas com o crescimento do cabelo, ou que possuem cabelos muito danificados e precisam ser restaurados. Também é muito bom para combater a caspa.

Ele ainda é bom pra pele, e pra “todos os males do planeta”. E eu não estava nem um pouco a fim de tomar isso, ou um chá não sei de que. Sou muito desconfiada com essas coisas. Eu preciso de dados, de indicação científica.
De tarde Michele, a doula, me escreveu perguntando se eu queria que ela viesse. Respondi que sim e em 5 minutos ela tava na porta. Conversamos muito. Ela me fez rir bastante. E conseguiu me descontrair e relaxar com as histórias de parto que ela já tinha acompanhado. Inclusive me relaxando sobre a bolsa rota. Ela deu uma explicação sobre o óleo que me convenceu a tomá-lo. Ela explicou que ele atua como um laxante quando ingerido e que os movimentos peristálticos poderiam desencadear as contrações. Ela ainda tava aqui quando Pedro fez um shake muito louco com acerola, castanha do pará, óleo de “rícino-resolve-todos-os-problemas” e sei lá mais o que. Tomei entre muitas risadas. Mas com muito receio da diarréia que aquilo poderia me dar. Mas bom, eu não tinha mais muito a perder. Eu precisava entrar em trabalho de parto até as 10 horas do dia seguinte, senão… Eu não podia nem pensar na segunda opção sem cair no choro.
Para os desavisados que estão lendo esse relato de parto: nós planejamos um parto domiciliar, assistido por duas enfermeiras obstetras (Karim e Andreia) e com o apoio de uma doula (Michele). Eu sempre tive muito medo de violência obstétrica, tão comum nos hospitais no Brasil. E também não queria correr o risco de fazer uma cesárea eletiva simplesmente pelo primeiro parto ter sido cesárea. Pra quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto sugiro o filme “O renascimento do parto”.  
A noite foi chegando e nada. Mas os ânimos estavam melhores. Eu e Pedro ainda lá fora caminhando e conversando mais positivamente, admirando Vênus, que estava gigante, brilhante. Como eu quis que Esther nascesse naquele dia! A noite caiu. Às 20h30 o óleo resolveu fazer efeito e a dor de barriga foi muito grande, assim como a diarréia e logo em seguida as contrações. Eu não tinha coragem de sair da privada. Eu só pensava “vou zoar muito Esther dizendo que ela nasceu de uma diarréia” e ria. Sim, eu ria! Eu tava com contrações enfim! Em pouquíssimo tempo a dor se amplificou demais. Em meia hora eu já tava embaixo do chuveiro, vocalizando, dizendo “eu quero a minha doula”. Às 21h30 as contrações estavam de 30 segundos a cada 1,5 minuto. Era muuita dor. Andréia chegou às 22h: 7 cm de dilatação!! Logo em seguida Michele chegou e depois Karim.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

3 anos de Elias - meus votos

Oi, Elias.

Hoje eu queria te fazer um poema. Ou uma música. Mas nem bolo eu vou fazer. E o melhor é que eu não preciso fazer muito pra te deixar satisfeito. Você me faz sentir a melhor mãe do mundo, apesar do meu medo de falhar.
Hoje você completa 3 anos. Eu acho tudo em você perfeitinho, até seu dente quebrado, suas sobrancelhas levantadas e seus ossinhos aparentes que não deixam perceber quão comilão você é. Nesse momento da sua vida, você curte carros, Lego, Minecraft, andar de bicicleta, contar histórias e ver desenho. Você gosta de comer frutas, queijo, bolacha com maionese e rosquinhas. Você gosta de outras coisas também, claro, mas acho que essas resumem bem seus gostos atuais. Você se interessa muito por números, letras, línguas (francês e inglês), astronomia. Quase tudo o que você pega vira um foguete pra viajar pra lua, Marte, Júpiter. Você está obstinado em aprender a usar a tesoura, adora cozinhar comigo e vai ao banheiro praticamente sozinho. Você está na famosa fase dos “porquês” e a pergunta característica sua é “o que tem escrito aqui”? E eu não posso deixar de mencionar que você conhece todas as letras e sabe escrever sozinho seu nome e o título que eu ostento com tanto orgulho. Agora você está aguardando com grande expectativa o momento de tomar café pela primeira vez. Aos 3 anos e já está interessado em drogas! E amanhã de manhã eu e seu pai estaremos do seu lado, redescobrindo o mundo através do seu olhar.  
Eu tenho a impressão de que você nos dá pouquíssimo trabalho. Você chegou aos 3 sem nem dar aquele escândalo clássico no supermercado se debatendo no chão e gritando “eu quero”. E olhe que eu estava pronta, só esperando esse momento. Mas você é do tipo que ouve nossos argumentos e repete “isso é desequilibrado demais”, “isso é caro demais” e em outros contextos “tem que beber água pra hidratar o corpo”, “tem que escovar os dentes pra cárie não comer o seu dente”, “tem que botar o cinto porque é a lei”, “tem que usar o capacete pra proteger”, etc. Você já nos deu muito trabalho nas horas de dormir, mas nem isso mais.
Você é um garotinho que vem crescendo em compaixão, empatia, generosidade. E eu sinto tanto orgulho disso. Também observo com um sorriso no rosto me vendo no seu tom autoritário e seu gosto por seguir regras e leis, mesmo quando eu que sou o alvo da sua bronca. Você ainda traz consigo a gratidão genuína de criança, que tudo o que quer é um ouvido atento. E eu vou recebendo ávida dia-a-dia teus presentes, grato pelas nossas manhãs preguiçosas, com nosso acordar comprido, cheio de carinho, riso e palavras doces. “Meu amoreco”, “meu doce”, “obrigado, você é muito gentil”... Seu vocabulário só reflete doçura. Eu admiro sua obediência, sua curiosidade, sua sociabilidade. Você é um garoto sem medos. Você não tem medo do escuro, nem de pessoas desconhecidas. Você sabe que monstro, papai Noel e dragões não existem. Nós nos esforçamos pra que você apenas conheça um mundo de amor, sem abandono, sem cobrança, sem mentiras. E você tem respondido a isso com muito amor. Você demonstra muito amor pelas pessoas à sua volta, pelos animais, pelo nosso planeta. Onde você chega, você chama a atenção pela sua alegria.
Eu não quero esquecer do seu “sério?!” quando propomos algo que te deixa muito alegre, nem do seu jeito de correr com os bracinhos pra frente parecendo o super-homem (que você nem conhece), nem como você ama escalar no seu pai. Mas eu sei que você ainda vai mudar muito. E como você mesmo diz “não tem problema hahahahaha”. Eu não estou escrevendo sobre como você é. Eu estou apenas registrando como você está. E o meu amor incondicional.
Lembrar do teu riso feliz, sapeca, em êxtase com algo me faz transbordar de amor e medo. Eu só espero que o mundo esteja pronto pra te receber cheio de amor também, meu docinho. Eu só quero que o mundo não apague as faíscas da tua gargalhada.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

It's a girl!

Segunda gravidez. Dessa vez, por já estar preparada, estava mais tolerante com os pequenos comentários que tanto tinham me chateado na gestação de Elias. Passei até a considerar alguns dos meus incômodos fruto de impaciência gratuita da minha parte. O que não quer dizer que não tenha havido outros, novos e intrínsecos à segunda gestação.
A maior questão é sem dúvida com relação ao sexo do bebê. Senti-me cansada e intrigada com a torcida praticamente unânime pra que fosse uma menina só porque eu já tinha um menino. Eu não consigo entender essa importância toda dada ao sexo da criança. Perturba-me pensar que o bebê ainda no ventre da mãe carrega em seus ombros um monte de expectativas da sociedade e que boa parte destas são ditadas por um simples cromossomo. A maior parte do tempo, eu simplesmente nem pensava no sexo que essa criança teria (embora não possa deixar de mencionar que na primeira gravidez eu morri de ansiedade pra ter essa informação). Nessas últimas semanas, porém, acabei adquirindo alguma preferência, não sem que ela oscilasse entre uma possibilidade e a outra.
Em certos momentos, no auge da rebeldia, preferia que fosse um menino só pra frustrar todo mundo, pra acabar com esse ideal almejado de família perfeita de propaganda de margarina. Acrescente à rebeldia uma boa dose de pachorra em ter que lidar com os estereótipos de gênero, de ganhar vestidinho rosa, de herdar as bonecas de alguém, de ter que ouvir os comentários inocentes e simpáticos ensopados em machismo tão velho que as rugas dificultam identificá-lo. Mas em outros momentos, eu achava que uma menina educada fora de padrões retrógrados e cerceadores seria meu maior ato de rebeldia. Daria mais trabalho, mas seria um protesto muito mais eficaz e útil. Digo isso sem desejar em nada diminuir o impacto na sociedade de uma educação menos machista para meninos também. Algo no qual tenho me empenhado com afinco há quase 3 anos.
Essas são as razões principais pelas quais nessa manhã recebi a notícia de que carrego uma menina no meu ventre com um misto de alegria (de mesma medida que teria se fosse um menino, por sinal) e preocupação. Enquanto mulher, eu sei das dificuldades de sê-lo na nossa sociedade. E sei da minha grande responsabilidade enquanto mãe de proteger essa criança e ao mesmo tempo prepará-la pra construir um lugar melhor. Responsabilidade que eu já sinto desde a concepção de Elias, mas que agora sinto com uma dose extra de medo. Eu prevejo um grande desafio, mas sinto-me abençoada com a chance de viver isso com Esther, principalmente tendo ao meu lado o marido que eu escolhi e o filho que estamos educando juntos.
Esther não é princesa. Por enquanto ela é “só” um bebê saudável e amado, cheio de tempo pra se construir.  
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