"Brincar" de ser escritor

Ah, como é bom estar de volta à blogosfera! Que prazer em escrever, em compartilhar meus pensamentos, minhas pequenas histórias de todos os dias singulares. Compartilhar é um conceito central para entender essa satisfação. Não se trata de escrever simplesmente. Não há comparação com o ato de escrever num diário para fechar a cadeado e guardar a chave preciosamente.
Eu me lembro do meu primeiro diário. Ele era rosa, pequenino, de capa emborrachada, com um cadeadinho fácil de sabotar. Foi nas suas folhas ornadas de desenhinhos que escrevi meus primeiros versos, minhas primeiras declarações, meus jovens segredos. Eu tinha 8 anos. Aos 13 mudei de suporte. Comprei um caderno com várias folhas brancas de linhas azuis. Sóbrio como deveriam ser as idéias. Em tese. Na capa uma imagem de uma ilha deserta, o mar, um coqueiro, um versículo bíblico. Qual mesmo? Ai, como queria lembrar... Em todo caso, o caderno, que ganhou nome - Hermione (sim, uma fã de Harry Potter) - , combinava com meu estado de recolhimento, de solidão, de busta identitária. Ele está bem guardado. Numa caixa cheia de outras coisas. Não tem cadeado, mas não é destinado à publicação.
Escrever num blog é compartilhar. É dar de si e receber. No início nossa idéia era de informar à família que estávamos bem do lado de cá do Atlântico. Mas foram aparecendo leitores desconhecidos, para nossa surpresa. Passamos a escrever para eles também. E descobrimos um prazer imenso. Acho realmente curioso esse efeito blogosfera, esse deleite em ser lido. Em ser visitado por desconhecidos. E conhecer esses desconhecidos. Manter contato. Lê-los também.
E escrever mais. Só pela arte mesmo. E esse tal prazer de ser lido. E compreendido?
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