Argenton-sur-Creuse

O domingo chegou rápido nas terras de Châteauroux. Passei algumas horas a sós com Luighi, trocando ideia pra gente se conhecer melhor. Comemos rapidinho pra podermos sair assim que Mikaël chegasse do trabalho no início da tarde. Arruma mochila, pega lanche pro pique-nique, dá queijo pra Cecília levar. Tudo pronto, fomos encontrar um casal amigo e seu filhinho na casa deles. Chegando lá, eles não estavam com tanta pressa quanto nós, que sabíamos bem que eu tinha pouco tempo antes de ter que pegar a carona pra voltar pra vida real. Enquanto esperávamos, Mel resolveu trocar a fralda de Luighi. Até aí, nada de extraordinário na rotina de uma mãe. A surpresa foi o presente que Luighi fez na mão de Mel, no braço, na roupa toda. Mikaël teve que voltar em casa pra buscar roupa pro menino. 

Detalhes à parte, o fato é que me restava no final uma horinha pra conhecer Argenton-sur-Creuse. Mas o tempo em Argenton parece congelar. Percorremos as ruas que remontam à Idade Média, e que silenciosamente contam História. Argenton viu a época gallo-romana da qual ainda guarda ruínas, virou fortaleza com o feodalismo. Abrigou atelier monetário, convento, moinho, torre, castelo, indústria têxtil. A cidade viu até alemães em nome do Führer fuzilar 67 civis e soldados em 1944. 
Hoje a cidade abriga 5.000 habitantes, entre os quais 33% tem mais de 60 anos. Famílias jogam petanca no parque. Homens se distraem e alimentam com a pesca. Argenton é como uma velha senhora cansada, sentada na sua cadeira de balanço à beira do rio, sorrindo placidamente, exibindo suas rugas. 
Os Sousa-Tekaya
 Mas como boa senhorinha, ela nos acolheu, apesar do nosso barulho. Recebeu nossos sorrisos e risos com satisfação e respondeu com a sabedoria dos anciãos. 


Mel, Nalla e eu com cabelos ao vento

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