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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ainda na aula de redação...

Tema: « Navegar é preciso; viver não é preciso. » (Fernando Pessoa)


Universos Paralelos e Hipotéticos Derivados do Arrependimento


Encaramos decisões, desde as mais prosaicas até os mais truncados dilemas. Essa rotina pode significar a existência de milhares de realidades paralelas à nossa, mesmo que imaginárias, onde as coisas são diferentes devido a decisões diferentes.

Quanto maior o arrependimento por certa escolha, mais bem definido fica o universo que se cria ao se supor como teria sido se o caminho tomado tivesse sido outro. Não sabemos o que é certo. E, no meio da nossa ignorância, somos forçados pelo destino a decidir. Mesmo quando acertamos, ficamos a pensar se, realmente, acertamos. Não há como ver a realidade paralela derivada daquela escolha. Como saber, então? Contentamo-nos em supor que seria maior ainda a tristeza.

Com o passar dos anos, os erros são esquecios. Por mais amargo que seja o gosto de uma escolha errada, ele passa. Esquecer é, portanto, uma dádiva imensurável. Sem ela, um adulto seria incapaz de carregar o peso do próprio arrependimento. Seria romantismo acreditar que as dores morais serão levadas ao túmulo. Talvez as da velhice. É preciso soltar a parte errada que não se pode consertar. Só assim será possível se concentrar na parte não perdida, na parte que ainda tem jeito.

Promover mudança é algo muito mais difícil do que se imagina. É necessário poupar esforços, como os que são gastos no engenho de utopias. Sonhar é preciso, mas atrapalha as horas em que estamos acordados.


Pedro Bernardo 2005

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