Grávidas também viajam - Pipa!


Depois de alguns meses sem viajar, comecei a me sentir sufocada em Recife. Eu precisava urgentemente pegar a estrada em direção a um lugar completamente novo. Assim, no feriado da Páscoa, pegamos a moto, os 250 reais que tínhamos, fizemos uns sanduíches e partimos sem planejamento maior. Sabíamos apenas que iríamos na direção Norte até Goianinha e lá seguir placas a intuição até a praia de Pipa que tanto permeou meu imaginário. 
A estrada é ótima e a viagem foi agradável. Paramos a cada hora pra alongar, beber água, fazer um lanchinho quando necessário. Quase chegando, eu falei pra Bernardo: Incrível como esta viagem está tranquila! Não teve engarrafamento. Não senti medo, como costumo sentir de moto em Recife. Não houve estresse. Mas faltando 15 km para chegarmos à praia de Pipa... a moto engasga e pára. Gasolina! Bernardo fala com um rapaz que passa de moto. Este, fala com um moleque que passa numa motoquinha. E eles nos vendem o litro de gasolina mais caro que já compramos. Mas ficamos satisfeitos! Um pouco mais e chegamos a... Tibau do Sul! Vimos a praia tão bonita que decidimos parar por lá mesmo. Bernardo morreu na cadeira. Eu fui tirar umas fotos antes de apagar também. 



Fomos à tarde para Pipa e a primeira coisa que fizemos foi procurar um lugar pra dormir. Pipa tem bastante albergues e hostels, espaço para acampar, hotéis simples e alguns mais luxuosos. Mas em geral, o clima é aconchegante. Os preços são acessíveis, quando não é feriado. Procuramos muito. A grande maioria não tinha vaga ou só aceitava pacotes para o fim de semana todo, muito além do nosso limitado orçamento. Eu já estava preocupada quanto onde dormiríamos quando a dona de uma pousada se compadeceu da gente e disse que ligaria para uma amiga que talvez tivesse vaga. E ela tinha! E nos cobrou 80 reais por um quartinho, no final de um corredor, um lugar sem recepção, com ventilador barulhento. Ainda pechinchamos e pagamos 70 pra sairmos às 11h00 do dia seguinte. Era um teto. Pra confirmar que não exageramos quanto ao estado do lugar, no mercadinho um homem veio puxar assunto com Bernardo e ele disse que estava no pior quartinho de Pipa. E o homem disse: É da Mônica? E não é que era essa mesmo? Mas estávamos satisfeitos.

A noite em Pipa termina bem tarde. A rua principal, Baía dos Golfinhos, fica lotada de jovens bonitos e festivos. Os muitos restaurantes, bares com música ao vivo e lojas ficam abertos até as 23h45. Os preços são bem acessíveis. Jantamos um peixe delicioso, num ambiente simpático, servidos por um argentino bom de papo e uma moça de shortinho de praia. Pedimos um prato que eles dizem ser apenas pra um, pagamos 25 reais e comemos muito bem os dois. A noite é barulhenta e colorida e regada a muito álcool e pelo que percebemos maconha também. A quantidade de estrangeiro trabalhando por lá é surpreendente e dá outras cores e sotaques a essa curiosa praia. 

Durante o dia, os jovens dormem e as praias ficam quase vazias até tarde. Nós aproveitamos a tranquilidade. Na praia do Centro, é proposto um passeio de barco até a Baía dos Golfinhos e promete que o nome da baía não é aleatório. Custava 30 por pessoa, tentamos negociar, mas nada. Fingimos interesse e demos uma olhada nas fotos e no mapa e descobrimos que a baía ficava a uns 15, 20 minutos de caminhada. Claro que fomos andando! 
Baía dos Golfinhos
Chegando na Baía dos Golfinhos, encontramos um mar azul e com algumas ondas. Decidimos alugar um caiaque quando Bernardo percebeu que tinha perdido a carteira. Pensa, pensa e lembra que tinha colocado embaixo do travesseiro antes de dormir. Volta correndo na esperança de a mulher ainda não ter ido ao quarto. Detalhe: para o check-out bastava deixar a porta encostada com a chave dentro. Chegou lá e a porta estava fechada. Sem aquele dinheiro não comeríamos! Ou não voltaríamos. Bom, Bernardo descobriu onde a mulher morava e foi perguntar da carteira. Ela disse que tinha aberto, mas não tinha encontrado nenhum endereço ou dinheiro. Hein? Bernardo disse logo que tinha dinheiro sim, e que se ele não o recuperasse teria que morar no quartinho da mulher, pois não tinha dinheiro para voltar. Ela foi buscar a carteira e a trouxe com uma cédula de 20 a menos e uma de 5 e outras de 2 a mais, colocadas de um jeito que Bernardo nunca coloca. Ela nos roubou, mas nos deu troco! Bom, Bernardo não quis arrumar confusão. A sorte é que tínhamos dividido o dinheiro entre as duas carteiras e que eu sei onde coloco a minha (alfinetada! =P). 

O dinheiro que sobrou deu pra pagar os 15 reais no caiaque e nos proporcionar a melhor parte da viagem. Fomos remando pra longe, entre os barcos e vimos golfinhos! Em seguida, almoçamos por 15 reais, novamente peixe e dividindo pros dois um prato para um. Comemos bem e voltamos satisfeitos com 5 reais no bolso! 
Viajar provoca um cansaço tão gostoso!

* * *

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