.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Relato de parto - parte I - A espera

Quase 9 horas da manhã e a casa dorme, mas não por muito tempo. Esther faz uns sonzinhos gostosos do meu lado. Começo esse relato de parto com a certeza de que terei que terminar em outro momento e sem saber quando esse momento chegará. E isso me trava. Não sei por onde começar.
A data prevista pro parto de Esther era 16 de novembro. No dia 9 tive as primeiras contrações de treinamento (a barriga fica bem rígida, mas não se sente dor). Depois não tive mais nada até a noite do dia 16, quando comecei a sentir cólicas irregulares e fracas. Fui dormir achando que seria no dia seguinte, mas… acordei sem sentir mais nada além de frustração. Mas enchemos a piscina cheios de expectativa. Às 10h30 do dia 20 a bolsa estourou. Era uma domingo e eu quase tinha ido à igreja. Imagina que vexame. Uma das enfermeiras veio em casa me examinar. Estava tudo certinho. Líquido claro, Esther com os batimentos como deviam, cabeça encaixada. Passei o dia com cólicas. À noite, dormi entre contrações dolorosas e às 4 horas da manhã do dia 21 levantei e comecei a contar as contrações: duração de 40 segundos com intervalos de um pouco mais de 5 minutos. Fui dormir às 5 da manhã e acordei sem nenhum indicativo de trabalho de parto. Apesar de tudo, eu estava muito tranquila e muito otimista. Eu tinha a impressão de que nada poderia dar errado. Ainda de manhã a enfermeira veio de novo em casa me examinar e conversar. Ela me fez ler uns artigos, assinar uns papéis pra indicar que eu estava ciente. Eram artigos que falavam sobre o perigo da bolsa rota. Fiquei muito tensa. Chorei. Depois ficava sempre analisando a cor do líquido que ia saindo aos poucos. E contando o tempo, pois 48 horas nessa situação tinha sido meio que a dead line que as enfermeiras tinham me dado. Fiquei com raiva de mim. Questionava se eu não conseguia parir. Não tinha como não pensar em Elias, que com 40 semanas também não tinha dado nenhum sinal de querer nascer. Eu já estava com 40 semanas e 5 dias. As pessoas próximas também questionando o tempo, a demora, a tal bolsa rota da qual ninguém tinha ouvido falar. Elias tinha ido passar o dia na casa de Claude e dormiria por lá pra gente tentar relaxar mais. Lembro de ficar andando no quintal de casa em círculos, Pedro parado na sombra me vigiando, escolhendo bem as palavras. Eu estava uma pilha. Dizia “eu sou do tipo que morria no parto antigamente” e outras coisas negativas. Até que resolvemos comprar os ingredientes pra um shake que as enfermeiras tinham indicado. A receita tinha uma lista quilométrica de ingredientes, mas o principal era um tal óleo de rícino. Li um pouco sobre ele e não estava nada convencida. Mas Pedro me convenceu a ir comprar pra me distrair. Uma das primeiras coisas que se acha sobre esse óleo é:

Indicado para pessoas que tem problemas com o crescimento do cabelo, ou que possuem cabelos muito danificados e precisam ser restaurados. Também é muito bom para combater a caspa.

Ele ainda é bom pra pele, e pra “todos os males do planeta”. E eu não estava nem um pouco a fim de tomar isso, ou um chá não sei de que. Sou muito desconfiada com essas coisas. Eu preciso de dados, de indicação científica.
De tarde Michele, a doula, me escreveu perguntando se eu queria que ela viesse. Respondi que sim e em 5 minutos ela tava na porta. Conversamos muito. Ela me fez rir bastante. E conseguiu me descontrair e relaxar com as histórias de parto que ela já tinha acompanhado. Inclusive me relaxando sobre a bolsa rota. Ela deu uma explicação sobre o óleo que me convenceu a tomá-lo. Ela explicou que ele atua como um laxante quando ingerido e que os movimentos peristálticos poderiam desencadear as contrações. Ela ainda tava aqui quando Pedro fez um shake muito louco com acerola, castanha do pará, óleo de “rícino-resolve-todos-os-problemas” e sei lá mais o que. Tomei entre muitas risadas. Mas com muito receio da diarréia que aquilo poderia me dar. Mas bom, eu não tinha mais muito a perder. Eu precisava entrar em trabalho de parto até as 10 horas do dia seguinte, senão… Eu não podia nem pensar na segunda opção sem cair no choro.
Para os desavisados que estão lendo esse relato de parto: nós planejamos um parto domiciliar, assistido por duas enfermeiras obstetras (Karim e Andreia) e com o apoio de uma doula (Michele). Eu sempre tive muito medo de violência obstétrica, tão comum nos hospitais no Brasil. E também não queria correr o risco de fazer uma cesárea eletiva simplesmente pelo primeiro parto ter sido cesárea. Pra quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto sugiro o filme “O renascimento do parto”.  
A noite foi chegando e nada. Mas os ânimos estavam melhores. Eu e Pedro ainda lá fora caminhando e conversando mais positivamente, admirando Vênus, que estava gigante, brilhante. Como eu quis que Esther nascesse naquele dia! A noite caiu. Às 20h30 o óleo resolveu fazer efeito e a dor de barriga foi muito grande, assim como a diarréia e logo em seguida as contrações. Eu não tinha coragem de sair da privada. Eu só pensava “vou zoar muito Esther dizendo que ela nasceu de uma diarréia” e ria. Sim, eu ria! Eu tava com contrações enfim! Em pouquíssimo tempo a dor se amplificou demais. Em meia hora eu já tava embaixo do chuveiro, vocalizando, dizendo “eu quero a minha doula”. Às 21h30 as contrações estavam de 30 segundos a cada 1,5 minuto. Era muuita dor. Andréia chegou às 22h: 7 cm de dilatação!! Logo em seguida Michele chegou e depois Karim.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

3 anos de Elias - meus votos

Oi, Elias.

Hoje eu queria te fazer um poema. Ou uma música. Mas nem bolo eu vou fazer. E o melhor é que eu não preciso fazer muito pra te deixar satisfeito. Você me faz sentir a melhor mãe do mundo, apesar do meu medo de falhar.
Hoje você completa 3 anos. Eu acho tudo em você perfeitinho, até seu dente quebrado, suas sobrancelhas levantadas e seus ossinhos aparentes que não deixam perceber quão comilão você é. Nesse momento da sua vida, você curte carros, Lego, Minecraft, andar de bicicleta, contar histórias e ver desenho. Você gosta de comer frutas, queijo, bolacha com maionese e rosquinhas. Você gosta de outras coisas também, claro, mas acho que essas resumem bem seus gostos atuais. Você se interessa muito por números, letras, línguas (francês e inglês), astronomia. Quase tudo o que você pega vira um foguete pra viajar pra lua, Marte, Júpiter. Você está obstinado em aprender a usar a tesoura, adora cozinhar comigo e vai ao banheiro praticamente sozinho. Você está na famosa fase dos “porquês” e a pergunta característica sua é “o que tem escrito aqui”? E eu não posso deixar de mencionar que você conhece todas as letras e sabe escrever sozinho seu nome e o título que eu ostento com tanto orgulho. Agora você está aguardando com grande expectativa o momento de tomar café pela primeira vez. Aos 3 anos e já está interessado em drogas! E amanhã de manhã eu e seu pai estaremos do seu lado, redescobrindo o mundo através do seu olhar.  
Eu tenho a impressão de que você nos dá pouquíssimo trabalho. Você chegou aos 3 sem nem dar aquele escândalo clássico no supermercado se debatendo no chão e gritando “eu quero”. E olhe que eu estava pronta, só esperando esse momento. Mas você é do tipo que ouve nossos argumentos e repete “isso é desequilibrado demais”, “isso é caro demais” e em outros contextos “tem que beber água pra hidratar o corpo”, “tem que escovar os dentes pra cárie não comer o seu dente”, “tem que botar o cinto porque é a lei”, “tem que usar o capacete pra proteger”, etc. Você já nos deu muito trabalho nas horas de dormir, mas nem isso mais.
Você é um garotinho que vem crescendo em compaixão, empatia, generosidade. E eu sinto tanto orgulho disso. Também observo com um sorriso no rosto me vendo no seu tom autoritário e seu gosto por seguir regras e leis, mesmo quando eu que sou o alvo da sua bronca. Você ainda traz consigo a gratidão genuína de criança, que tudo o que quer é um ouvido atento. E eu vou recebendo ávida dia-a-dia teus presentes, grato pelas nossas manhãs preguiçosas, com nosso acordar comprido, cheio de carinho, riso e palavras doces. “Meu amoreco”, “meu doce”, “obrigado, você é muito gentil”... Seu vocabulário só reflete doçura. Eu admiro sua obediência, sua curiosidade, sua sociabilidade. Você é um garoto sem medos. Você não tem medo do escuro, nem de pessoas desconhecidas. Você sabe que monstro, papai Noel e dragões não existem. Nós nos esforçamos pra que você apenas conheça um mundo de amor, sem abandono, sem cobrança, sem mentiras. E você tem respondido a isso com muito amor. Você demonstra muito amor pelas pessoas à sua volta, pelos animais, pelo nosso planeta. Onde você chega, você chama a atenção pela sua alegria.
Eu não quero esquecer do seu “sério?!” quando propomos algo que te deixa muito alegre, nem do seu jeito de correr com os bracinhos pra frente parecendo o super-homem (que você nem conhece), nem como você ama escalar no seu pai. Mas eu sei que você ainda vai mudar muito. E como você mesmo diz “não tem problema hahahahaha”. Eu não estou escrevendo sobre como você é. Eu estou apenas registrando como você está. E o meu amor incondicional.
Lembrar do teu riso feliz, sapeca, em êxtase com algo me faz transbordar de amor e medo. Eu só espero que o mundo esteja pronto pra te receber cheio de amor também, meu docinho. Eu só quero que o mundo não apague as faíscas da tua gargalhada.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

It's a girl!

Segunda gravidez. Dessa vez, por já estar preparada, estava mais tolerante com os pequenos comentários que tanto tinham me chateado na gestação de Elias. Passei até a considerar alguns dos meus incômodos fruto de impaciência gratuita da minha parte. O que não quer dizer que não tenha havido outros, novos e intrínsecos à segunda gestação.
A maior questão é sem dúvida com relação ao sexo do bebê. Senti-me cansada e intrigada com a torcida praticamente unânime pra que fosse uma menina só porque eu já tinha um menino. Eu não consigo entender essa importância toda dada ao sexo da criança. Perturba-me pensar que o bebê ainda no ventre da mãe carrega em seus ombros um monte de expectativas da sociedade e que boa parte destas são ditadas por um simples cromossomo. A maior parte do tempo, eu simplesmente nem pensava no sexo que essa criança teria (embora não possa deixar de mencionar que na primeira gravidez eu morri de ansiedade pra ter essa informação). Nessas últimas semanas, porém, acabei adquirindo alguma preferência, não sem que ela oscilasse entre uma possibilidade e a outra.
Em certos momentos, no auge da rebeldia, preferia que fosse um menino só pra frustrar todo mundo, pra acabar com esse ideal almejado de família perfeita de propaganda de margarina. Acrescente à rebeldia uma boa dose de pachorra em ter que lidar com os estereótipos de gênero, de ganhar vestidinho rosa, de herdar as bonecas de alguém, de ter que ouvir os comentários inocentes e simpáticos ensopados em machismo tão velho que as rugas dificultam identificá-lo. Mas em outros momentos, eu achava que uma menina educada fora de padrões retrógrados e cerceadores seria meu maior ato de rebeldia. Daria mais trabalho, mas seria um protesto muito mais eficaz e útil. Digo isso sem desejar em nada diminuir o impacto na sociedade de uma educação menos machista para meninos também. Algo no qual tenho me empenhado com afinco há quase 3 anos.
Essas são as razões principais pelas quais nessa manhã recebi a notícia de que carrego uma menina no meu ventre com um misto de alegria (de mesma medida que teria se fosse um menino, por sinal) e preocupação. Enquanto mulher, eu sei das dificuldades de sê-lo na nossa sociedade. E sei da minha grande responsabilidade enquanto mãe de proteger essa criança e ao mesmo tempo prepará-la pra construir um lugar melhor. Responsabilidade que eu já sinto desde a concepção de Elias, mas que agora sinto com uma dose extra de medo. Eu prevejo um grande desafio, mas sinto-me abençoada com a chance de viver isso com Esther, principalmente tendo ao meu lado o marido que eu escolhi e o filho que estamos educando juntos.
Esther não é princesa. Por enquanto ela é “só” um bebê saudável e amado, cheio de tempo pra se construir.  

domingo, 26 de junho de 2016

Diário de gravidez II - das diferenças

Foto por Elias
Eu perdi as contas de com quantas semanas de gravidez eu estava. E sempre que alguém me perguntava eu dava um valor aproximado. Mas hoje de manhã resolvi procurar o documento da ultrassom pra refazer os cálculos e me surpreendi ao ver que estou com quase 20 semanas de gestação. A surpresa foi ainda maior ao ir ler pra relembrar em que estágio exato o bebê provavelmente está e perceber que ele deve estar com "cerca de 17 centímetros, do alto da cabeça até o bumbum, sem contar as pernas, que costumam ficar bem flexionadas". Que grandão! Ah, então é por isso que ando tão cansada e sinto o estômago sempre pressionado. Tá explicado. É mesmo... tô grávida!

Lembro que quando estava grávida de Elias eu lia praticamente todos os dias sobre o desenvolvimento do bebê e sabia falar com precisão a idade gestacional "19 semanas e 4 dias". Lembro que tinha a impressão de estar com a barriga gigante e tirava fotos quase todos os dias, além de me pesar duas vezes por dia (sim, eu tinha tempo pra isso). Agora estou só pensando: "ah, essa barriga ainda vai crescer muito, meus pés ainda vão inchar, meu rosto ainda vai dobrar de tamanho". É realmente impressionante a diferença de experiência. As duas muito interessantes, mas completamente diferentes.

Grávida de Elias, eu enjoava muito, mas me recusava a tomar algum remédio (exceto algumas vezes em que a necessidade era grande). Lembro de vomitar uma noite e o marido limpar de madrugada o banheiro, porque, claro, eu entrei vomitando com muita classe, parencendo um liquidificador sem tampa. Lembro de enjoar no meio de uma aula, de vomitar na casa de um aluno. Tive muita azia também. Essas eram minhas piores lembranças e com muito medo de repetir essas cenas de terror a primeira coisa que comprei quando o teste deu positivo foi uma caixa de dramin e me servi a cada vez que percebi que estava começando a enjoar. Resultado: 0 episódio vexatório envolvendo suco gástrico e resto de comida. Minha primeira compra na gravidez de Elias tinha sido um livro de mais de 300 páginas. Mesmo o momento de fazer o teste e anunciar às pessoas revela a diferença de experiência. Na primeira vez, o teste foi feito no meio da madrugada no segundo dia de atraso, enquanto que na segunda, fiz de manhã no meio da viagem pra Recife depois de algumas semanas de atraso. 

2014 viu muitas postagens sobre o desenvolvimento de Elias, fotos da gravidez, etc. Enquanto que 2016 tem sido um ano cheio e ocupado demais pra eu ter tempo de registrar tudo. Ter um filho já precisando de cuidados, exigindo atenção, muda tudo e ele é sem dúvida a prioridade ainda. E isso me faz pensar em como ser o segundo filho faz com que as crianças precisem fazer mais pra chamar atenção. Elias está há mais de 3 anos (desde antes mesmo virar um embrião) sendo o centro das minhas atenções, enquanto que o próximo já chega no mundo tendo que dividir tudo com ele. Só passei a realmente me sentir grávida quando ele começou a mexer. E ele mexe bastante na barriga. Lembro que Elias mexia muito já, mas tenho a ligeira impressão que esse serzinho mexe mais e minha afeição por ele cresceu muito desde que ele passou a me lembrar da presença dele com esses chutinhos. 

Ando também bem menos ansiosa com tudo. Não estou com pressa pra chegar a próxima consulta, nem pra saber o sexo, nem pra parir. Na verdade, eu não tenho pressa nenhuma e (talvez por isso mesmo) sinto que essa gestação está passando bem mais rápido. Imagino que muita coisa na educação acabará sendo diferente também. A aventura continua! Não tem como se entediar.

Lá vai foto da barriguinha, que esta está igualzinha à primeira considerando a mesma época de gestação (eu acho):

Gravidez 2
Gravidez 1




sexta-feira, 13 de maio de 2016

Nova vida

Hoje de manhã o Facebook me lembrou que há exatamente 5 anos eu estava partindo sozinha pra Polônia pra um estágio. Lembro-me da aventura, da liberdade, das cervejas e vodkas polonesas (apreciadas com moderação), das pessoas legais que conheci. Que maravilha, que tempo feliz, que tempo bem vivido! Marcou uma época que deixa saudade, mas não melancolia. 

Eu tenho a impressão que a cada ano minha vida muda bastante. A cada ano, uma nova fase e isso sempre me motivou e acredito com convicção que esse é um dos motores do nosso casamento. E sem dúvida uma das mudanças mais radicais e permanentes na minha vida foi a chegada de Elias. Lembro de como demoramos pra nos acostumar completamente com a presença dele nas nossas vidas. Nos primeiros meses, vez ou outra, eu e Bernardo nos olhávamos e dizíamos "Nossa, tem um terceiro ser na nossa casa. Uma pessoinha crescendo." Elias não é mais novidade. Ele já conquistou seu espaço, já é menos nosso filhote e se impõe como uma pessoa com temperamento e vontades próprios. Um ser humano apaixonado, apaixonante, carinhoso, independente, cheio de ideias. 
E nesse contexto, enxergamos brecha pra mais uma mudança. Eu, Bernardo e Elias estamos prontos pra receber mais um ser nas nossas vidas. Sim, vem mais SOUSA por aí! Ele (o ser) está aqui, dentro de mim, coração batendo rápido, "gestação tópica, com feto único, vivo, com idade gestacional de 13 semanas e 2 dias."
Fiz a ultrassom hoje. Foi completamente diferente da de Elias. Primeiramente, dessa vez estou fazendo tudo pelo SUS e descobri que não rola fotinha (que decepção! Eu já tinha planejado a legenda pra foto). Entrei sozinha porque Pedro foi pro carro com Elias, que estava choramingando de sono. E, pasmem, não tinha barata dessa vez (aqui tá a história da barata), nem longas horas de espera. Foi uma agradável surpresa estar voltando pra casa uma hora depois com esse papel:

A foto é feia, de um papel feio, com número (pra satisfação do marido), mas registra mais um evento crucial nas nossas vidas e a felicidade que viemos compartilhar com vocês. 
Coucou, petit bout. Bem-vindo. We're ready for you.  

sábado, 16 de abril de 2016

Elias e o mar

Os dias em Recife foram intensos e passaram muito rápido. Elias viveu muitas novidades. Mas a principal pra mim foi a primeira vez dele na praia. Bom, não foi bem A primeira vez, pois antes de virmos pra São Paulo eu o levei à praia duas vezes. Ele tinha apenas 9 meses e na época não gostava nem de areia. Lembro que foi muito frustrante, que ele só fazia chorar. Ficamos uns 20 minutos. Talvez menos. O tempo passa de maneira diferente pra quem tem uma criança berrando no juízo.
Mas dessa vez foi diferente. E muito. Claro que não sem emoção. 
Decidimos ir à praia no sábado do feriado da Páscoa. Combinamos de passar na casa de Rebeca e Rafa pra buscá-los às 6 da manhã e ao chegarmos tivemos que esperar 20 minutos pela moça. (Amiga, nesse dia eu quase fiquei com raiva de tu =*). Depois, pé na estrada, com Cássia no volante e... muita chuva. Gente, foi chuva demais, céu cheio de nuvens carregadas, estrada alagando. Pensamos váaarias vezes em voltar. Quase voltamos mesmo. Mas fomos na fé. Fé na previsão do tempo em Porto de Galinhas, eu adimito.
Veja o vídeo pra conferir o que encontramos por lá...



quarta-feira, 23 de março de 2016

Elias voa

São 4 horas da manhã quando começo a escrever esse texto em Recife. Sinto muito sono, mas não consigo dormir. Como eu entendo Elias... Ele estava tão feliz, tão entusiasmado com tudo que não queria dormir de jeito nenhum. Chegou na casa do avô como quem chega pra mais um fim de semana; estava em casa. Imagino que o apartamento tenha evocado boas sensações de boas lembranças profundamente enraigadas em seu subconsciente, criadas nos seus primeiros 10 meses de vida em cada sábado que passou aqui. Ele só dormiu às 2 da manhã, abraçado com o carro que ganhou do avô. Até Spyke, o cachorro da família, cansou antes dele. Quem conhece esse Yorkshire ávido por carinho e brincadeira sabe a amplitude desse fato. 
Voltando um pouco no tempo...
Comecei a arrumar minha mala às 14h, sabendo que teríamos de sair de casa às 15h15. Oi, você pessoa organizada, precavida, que faz tudo adiantado, pode me achar louca. Mas um ponto a meu favor: pensei em lavar as roupas com bastante antecedência, assim tudo o que eu queria levar estava limpo e seco. Quem viu a viagem pra Polônia sabe bem do avanço que isso representa. Saímos na hora certinha, pegamos Elias na escola e fomos direto pro aeroporto de Guarulhos. Google maps indicava uma hora e meia de percurso, então tínhamos bastante margem, visto que o voo era apenas às 19h50. Elias muito feliz, falante, comendo biscoito, ouvindo e tentando apreender todas as implicações do "a gente vai entrar num avião e vai voar". Estrada boa e tranquila. Família feliz. Até que...
Começa a chover torrencialmente; não lembro de ter pego tanta chuva na estrada. Pedro super concentrado; eu tensa. Elias falando, pra variar. A cada vez que olhávamos o Google maps o horário de previsão de chegada estava 10 minutos mais tarde. Entramos em São Paulo; muito, mas muito carro. Até comemoramos quando conseguimos a voltar a andar a 30km/h na chamada "via expressa" (ai como eu gosto de uma boa ironia). O bom humor de Elias foi se esvaindo aos poucos. No fim ele tava chorando dizendo "cadê a luz do caminhão?" Tava chorando de cansaço, de sono, e tava falando qualquer coisa porque ele tá no modo nunca-paro-de-falar. O que eu acho altamente apaixonante a grande maioria das vezes. Mas não sempre. Desculpa por eu ser humana.
Finalmente Elias dormiu. Finalmente nós chegamos. 50 minutos depois do previsto inicialmente, mas ainda assim com bastante antecedência. Pedro chegou em casa a tempo pra dar sua aula de inglês e eu e Elias tivemos mais de uma hora pra... comermos e brincarmos. Elias correu o aeroporto de cima a baixo, brincou de corrida, desenhou, fez cadeirismo, engatinhou, subimos e descemos escadas rolantes incontadas vezes, vimos lojas, quisemos comprar objetos caros demais pros meu bolso, fomos o banheiro. Sim, ir ao banheiro público com uma criança é todo um evento! Foi como estar num parquinho de concreto e todo diferente. E com muito mais gente. E perigos. E espaço. Sim, cansei e não via a hora de entrar no avião, embora temesse o comportamento dele durante a viagem. 
Eu já tinha feito o check-in em casa, pelo site da TAM e despachei a mala assim que cheguei. Vale a pena registrar minha satisfação em não ter enfrentado nenhuma fila em todo o processo. Pra despachar, tinha apenas uma pessoa à nossa frente. Na hora de passar na maquininha de controle (sei lá como chamar aquilo) nos indicaram a fila preferencial com 0 pessoa nela. Depois fomos uns dos últimos a embarcarem pois eu queria justamente evitar filas. Uma maravilha. Fora que eu me sentia no mundo dos ursinhos carinhosos. Todo mundo falando com Elias, conversando com ele, sorrindo. No avião a mesma coisa. Eu achava que as pessoas ficariam logo preocupadas quando se vissem sentadas próximo a uma criança, mas as pessoas ao redor brincaram com ele, o rapaz sentado do nosso lado até foi de grande ajuda contando uma historinha num momento de cansaço e choro de Elias. Não durou muito, mas sim, meu filho fofinho e bem educado deu uns bons berros no avião enquanto pessoas de bem tentavam dormir. 
Assim que entrou no avião Elias estava fascinado. Ele repetia com os olhinhos brilhando "eu tô dentro do avião". Não desgrudou da janela olhando os carros, tratores, aviões e outros meios de transporte cujo nome ignoro. Depois falava "um, dois, decolar!!" e nada do avião decolar. 10 pessoas tinham tido a habilidade de despachar as malas e não embarcar. Tivemos que esperar procurarem as tais malas pra deixá-las em São Paulo. Eu ainda não consigo entender o que pode levar a esse tipo de situação. Se você tiver uma ideia, please tell me! Quando decolou, eu estava meio tensa, perguntei se ele queria pegar na minha mão e ele recusou. Ele estava bem. Nem tinha percebido direito o que tinha acontecido. Mas depois ficou se contorcendo pra tentar ver "a cidade, a cidade, a cidade" sem tirar o cinto. 
Deu tempo de ele olhar até enjoar a cidade depois, olhar a revista do avião, brincar com carro, com o George (brinquedinho), jogar os joguinhos do celular, querer ver a Luna, o Tayo, Super Wings e tudo o mais que não podia, pois eu, claro, não baixei NEM UM videozinho sequer (seja uma melhor mãe que eu). Rolou lanchinho (eu já vi criança comer só o recheio, mas Elias roeu o pão e deixou o queijo e o presunto). Rolou até fralda vazando (ô, que maravilha). Eu não queria ter que usar o banheiro do avião e alimentei a vã esperança de que aguentaria até chegar em Recife. Bom, eu paguei o preço. 
Mas no final o que rolou mesmo foi muito abraço, muito riso, muita gente feliz. Tia Nana, Cássia, Daddy e Fátima nos esperavam no aeroporto de braços, coração e sorrisos abertos. É uma satisfação imensa pra mim ver Elias conhecendo melhor gente que o ama tanto, gente que (espero) ele aprenderá a amar. Isso é o que me move. 



terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Próxima viagem marcada!

Amigos e família de Recife, eu e meu companheirinho de aventuras estamos chegando. Essa viagem é questão de necessidade afetiva. 1 ano e meio sem ver pessoas muito queridas. Vai ser uma viagem curta demais pra quem tem tanta gente pra abraçar. Mas eu sou craque em organizar viagens desse tipo. As duas vezes em que estive em Clermont me ensinaram que planejar é crucial em viagens curtas. Minha agenda já está toda lotada. Não com lugares pra visitar, mas pessoas pra ver. Tudo organizado pra aproveitar cada minuto e rentabilizar essa viagem. Gente, como é caro!

Mas já prevejo frustração em não ver todos que gostaria. Chego dia 22 de março e parto dia 31. Vou estar a maior parte do tempo na casa do meu pai, então não posso convidar ninguém. Mas quem quiser nos ver... aceitamos convites. Principalmente durante a semana. O feriado da Páscoa já tá reservado :D 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Bate-volta em Atibaia - primeira viagem do ano


Em 2015 (morando em Jundiaí) nossas viagens se limitaram a visitar a família em Sorocaba. Era sempre muito agradável, mas bem limitado. E a sede de conhecer lugares novos foi-se acumulando. Em mais de um ano, houve apenas três exceções, mas isso vai ficar pra posts específicos e posteriores. Em breve? Veremos.
No momento estou a fim de contar a primeira viagenzinha de 2016, ano que já se anuncia diferente e (espero) melhor. Não que 2015 tenha sido ruim. Mas é que... "Navegar é preciso". E foi em meio a essa sede por viagem e necessidade de dar um break que nosso grande e velho amigo Thierry Meylan esteve com sua esposa no interior de São Paulo. Esse garoto tem mesmo o dom de fazer a gente se mexer. Quem lembra de quando atravessamos a França de bicicleta no inverno pra ir visitá-lo na Suíça? É sempre uma excelente combinação: viajar e rever amigos queridos. 
Dessa vez fizemos um percurso menor e de carro. Foi um bate-volta de um dia. Uma viagenzinha tranquila e agradável de 2 horas de carro pra chegarmos em Atibaia. Muita conversa, belas paisagens bucólicas. Elias não pregou o olho; sempre atento e bem humorado. Apesar de termos tido que fazer uma pausazinha a 20 minutos da cidade pois ele estava começando a ficar incomodado. Paramos, esticamos as pernas correndo atrás de borboletas e nos distraímos vendo o trabalho das formigas, comemos morangos, uvas e passas. 
Chegamos no acampamento Palavra da Vida no início da tarde. Ficamos dentro de um grande condomínio fechado onde fica a organização cristã, um lugar com vários chalés, parques, um grande lago e com programação pras famílias. Foi um programa bem diferente do que costumamos fazer. Não me imagino decidindo passar uma semana lá, mas o "evento" principal era Thierry e sua família. E isso nos bastava. Passamos bons momentos no parque enquanto as crianças brincavam e nós conversávamos como se fosse um fim de semana ordinário e nos tivéssemos visto há algumas semanas apenas. Também estavam lá uma das irmãs de Thierry com sua família (marido e filhos). 
Muito legal ver como as crianças se relacionam com facilidade. Davi, garotinho de 5 anos, dividiu o lanche com Elias e o ajudou a tomar suco na caixinha com o canudo. Muito lindo ver o carinho e a admiração que em uma tarde Elias desenvolveu por ele e a amizade que eles construíram em poucas horas. Nós adultos temos tanta dificuldade em simplesmente amar sem expectativas. 
Encerramos o evento com um jantar (obrigada Cláudia e Carlos!) e um espetáculo musical bem produzido. 
Se na ida, Elias estava acordadão, na volta... Dormiu em alguns minutinhos. Dormiu pesado até o dia seguinte. Muito gostoso o cansaço de viagem. Pra mim é importante proporcionar esse tipo de experiência pra ele. E pra mim :) 
Bom, ainda temos que ir em Atibaia pra fazer uma aventura. Olhem o que tem por lá:
Pedra Grande - Atibaia. Foto de http://www.flylimit.com.br/2013/01/06/pedra-grande-atibaia-2/


Bom, a Pedra Grande não foi dessa vez. Mas isso não nos impediu de passar bons momentos... e registrá-los!





 



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Oi, 2016

Duas postagens em 2015! Definitivamente 2015 não foi meu ano blogueira. Pensando nas razões, chego a dois culpados: falta de tempo e whatsapp. 
Eu ia dizer que esse foi um dos anos mais produtivos da minha vida, mas acho que correria um grande risco de ser injusta com os demais, sempre tão intensos, cheios, bem vividos. Mas sem dúvidas, o ano foi da Eloqua. Admito que foi um ano de poucas viagens e pouca coisa pra dizer por aqui. Mas o ritmo com os SOUSA não mudou muito: muitas ideias mirabolantes e um pouco de vida-boa. 
O segundo culpado foi mesmo o tal grupo da família no whatsapp. Como a natureza desse blog era compartilhar nossos bons momentos com a família e amigos, ele se viu obsoleto diante da praticidade de enviar um vídeo rápido, não editado, em tempo real. Ganhamos tempo e ainda nos sentimos mais próximos. Mas faltou a tal literatura. Tenho consciência de que ela nunca foi a estrela principal desse blog, mas gosto de pensar que ela estava ali, mesmo que como coadjuvante, marcando presença. 
O fato é que 2016 trouxe consigo a memória de dias mais letrados. Vamos ver quanto tempo isso dura. Isso não é uma resolução de início de ano, nem uma promessa, apenas um exercício.

Feliz ciclo novo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...