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sábado, 13 de dezembro de 2014

Parque da Cidade - Jundiaí

As pessoas nos perguntam bastante como tem sido a adaptação a Jundiaí e à nova vida. Nós já somos particularmente independentes de raizes geográficas, e a adaptação a Jundiaí tem sido especialmente fácil. Primeiro porque passamos mais tempo em casa, onde trabalhamos. Então nada de trânsito ou estresse com horários. Segundo, porque gostamos de cidade "pequena". Por aqui a vida tem sido mansa apesar do trabalho. Elias tem espaço pra brincar no parque do prédio. E tentamos pelo menos uma vez por semana ir ao Parque da Cidade, que fica a 12 km de casa. É um parque gigante, de 500 mil metros quadrados. Sim, você leu direito. Pode consultar o google se quiser! Ele comporta e proteje a represa que abastece a cidade. Tem pistas de cooper, ciclovia, quadras, jardins, parquinho de madeira. Muita coisa. Ainda não vimos tudo. Mas há alguns cliques descobri que dá pra fazer caiaque gratuitamente e já tá na lista de resoluções pra 2015! Curtam algumas fotos do último passeio.






A água é potável!





quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"As pessoas em São Paulo são frias"

Ouvi muito isso antes de vir. Ouvi também variantes ao chegar. Pessoas daqui mesmo me diziam que eu estranharia a indiferença das pessoas. Mas vim tranquila. Depois de três anos na França, São Paulo seria fichinha! E que agradável surpresa ao perceber que não era bem assim...
Desde que chegamos aqui, encontramos muita gente simpática, sorridente e solícita. No parquinho, no shopping, na fila do supermercado... às vezes até parece um universo paralelo de filme de ficção. Todos tão sorridentes e felizes! Mesmo os funcionários públicos. Fui no Poupatempo, o equivalente do Expresso Cidadão em Recife, pra retirar os RGs meu (finalmente com nome de casada!) e de Elias. Como sou uma pessoa organizada, coloquei tudo dentro da mesma pasta: protocolo de pedido, RG antigo, certidão de nascimento de Elias. Mas... como sou esquecida, deixei tudo em casa. Mesmo assim tive a cara de pau de ver se dava pra retirar. A moça pediu os documentos um a um e diante das negativas, pediu meu nome completo (ufa, uma informação que eu tinha enfim!) e disse que veria o que poderia fazer. Eu já estava resignada em ter que voltar outro dia. Eu estava só esperando ela me lançar um olhar preguiçoso e dizer: "não posso fazer nada". Mas não, muito simpática, ela levantou da sua cadeira e voltou com os RGs. Agradeci, talvez exageradamente, quase emocionada.
Outro dia, nos Correios, a moça que nos atendeu bateu o maior papo com a gente. Conversamos sobre onde moramos, sobre Jundiaí e no fim ainda nos indicou um self-service muito bom pra almoçarmos. Nesse mesmo self-service, assim que sentei na cadeira com Elias no colo, o proprietário veio me oferecer uma cadeirinha pra crianças. Certa vez, no supermercado, a mulher que estava na minha frente começou a dar sinais de que queria conversar. Sabe quando a pessoa começa a fazer uns comentários, umas reclamações sem direcionar pra ninguém mas num volume audível? Super normal na minha terra. Em ônibus e supermercados especialmente. Você pode ignorar ou responder e possivelmente iniciar um papo amigável. Em geral, respondo e gosto de jogar conversa fora, estabelecer alguma conexão inocente e passageira. Mas tinham me dito justamente que esse era o tipo de coisa que não aconteceria por aqui... Então, dei uma ignorada de leve na mulher. Mas ela insistiu. Olhou pra mim. Até sorriu. No início respondi monossilabicamente. Até que me rendi e no final fiquei sabendo que ela nasceu em Jundiaí e que gosta da cidade. Além da conversa puramente fática sobre a demora do caixa, claro.
Eu poderia continuar a lista de pessoas solícitas que atravessaram nosso caminho: o rapaz que vendeu a geladeira, o rapaz que veio instalar a internet, as mães no parquinho, os irmãos de algumas das igrejas que visitamos, as pessoas que se derretem com Elias por onde ele passa, etc etc. Mas vou concluir contando o que aconteceu sábado passado. Eu estava no parquinho do prédio com Elias e uma mulher começou a conversar assim que cheguei. Conversamos bastante sobre nós, profissões, origens, família, etc. No final da tarde, estávamos eu, Bernardo e Elias tomando um cafezinho na casa dela, comendo pão de queijo com seus filhos (da nossa idade) e suas sobrinhas (que viram em Elias o boneco perfeito). Assim adicionei as primeiras pessoas de Jundiaí no Facebook. Um marco!
Talvez as pessoas sejam mais simpáticas por aqui do que na cidade de São Paulo. Talvez as pessoas sejam mais simpáticas conosco graças a Elias. Talvez nós estejamos vendo a vida cor-de-rosa. Não sei dizer a razão. Sei o que tenho visto. Essa é minha experiência pessoal e intransferível. O fato é que esse é mais um estereótipo quebrado pra mim. 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

São Paulo - Sorocaba - Jundiaí

Fez um mês que eu e Elias desembarcamos em São Paulo. Lembro claramente as primeiras impressões. Lembro do estranhamento misturado com contentamento em poder andar num carro meu. Parece bobo, mas pra mim foi um grande passo: o primeiro carro da família. Andando nas estradas de São Paulo pra Sorocaba fiquei extremamente surpresa. Uma surpresa positiva. Eu não imaginava que as estradas eram tão boas, tão bem sinalizadas para viagens noturnas. Além de surpresa, senti uma ponta de vergonha da minha ignorância com relação ao meu próprio país. Mas a ignorância é algo que a gente morre tentando combater e mesmo assim perde a batalha. E ainda assim vale a pena. 
Chegando em Sorocaba, na casa dos tios e da avó de Bernardo, fui recebida como sobrinha e neta. Ganhei um abraço gostoso, apertado e carinhoso de vó. Cheguei trocando ideia com muita facilidade com todos. Todos rostos já muito familiares graças ao Facebook e ao contato estabelecido à distância. E tê-los por perto nessa mudança foi definitório. Eles não pouparam cuidado, ajuda, bons conselhos. Passamos um dia muito agradável com eles. Elias pela primeira vez chorou por não querer vir pros meus braços. Ele e Claude se renderam a uma amizade muito bonita. 


Dormimos lá a primeira noite, pois a assinatura do contrato de aluguel do apartamento havia atrasado. Apesar de estar bem lá, eu estava muito ansiosa pra estar na minha casa. Bernardo conseguiu acertar tudo na agência imobiliária em Jundiaí no dia seguinte à nossa chegada. Elias e eu fomos trazidos pela família. Como somos agoniados mesmo, chegamos à noite, numa casa sem geladeira, fogão ou comida, sem nem ter feito faxina. Mas como é bom esse climinha de mudança, de acampar na casa nova. 
Agora já estamos bem instalados. O apartamento é pequeno, mas muito bem desenhado e acaba sobrando espaço pra gente. Tem feito um friozinho gostoso e já começamos uma coleção de edredons. 













sábado, 13 de setembro de 2014

Vida nova

Três anos em Recife e o Flores e Livros ficou deixado às traças. Vez e outra eu aparecia por aqui e tirava um pouco a poeira e podava grosseiramente os galhos. A gravidez até foi fonte de inspiração por um tempo, mas a natureza desse blog é falar de viagens.  Eu bem achei que contaria aqui crônicas de uma vida de aventura nas frias terras canadenses, porém as circunstâncias da vida e Deus nos trouxeram para Jundiaí, cidade satélite de São Paulo. Bernardo começou um curso online em interpretação português-inglês-português com a escola Brasillis e estamos abrindo uma empresa de consultoria em língua estrangeira (português, francês e inglês). Em breve conto aqui pra vocês o nome e o endereço do site, que ainda não está pronto.
Mas vamos por partes...
Bernardo partiu de Recife sozinho no dia 26 de agosto para preparar o terreno: comprar um carro, alugar um apartamento, pelo menos. Tínhamos pensado em vir os três juntos, mas conversando com Valéria, minha sogra, que tem uma vida de experiência nesse domínio, julguei melhor não expor Elias a tanta incerteza. Além do mais, resolver isso com um bebê dependente de cuidados atrapalharia e retardaria o processo. Fiquei então um tempo a mais na casa do meu pai e dia 4 de setembro, depois de amargar muita ansiedade e um pouco de saudade, eu e meu companheirinho de aventuras entramos no avião em direção ao sul. Até então o ponto mais ao sul do planeta em que eu estivera tinha sido Maragogi (a míseros 135 km de Recife, minha cidade natal).
Cássia e meu pai me acompanharam ao aeroporto e me ajudaram com as duas malas, uma bolsa, uma mochila, um menino e um burrinho de pelúcia. O check-in foi feito por um atendente super simpático da Avianca. Claro que rolaram algumas lágrimas de despedida, mas imagino que se eu fosse pro Canadá teria sofrido ainda mais. São Paulo é pertinho e viagem nacional, muito mais barata e com menos burocracia. 
Queridinho do vovô
Titia deu muito dengo
Meu pacotinho precioso

Assim, entramos no avião, Elias e eu. Eu estava tensa por Elias em sua primeira viagem de avião. Temia desconforto pra ele e incômodo pros passageiros. Mas fomos na primeira fileira, na janela, com um assento vazio do nosso lado. Elias estava atento e sorridente. Na decolagem dei de mamar para distrair do barulho e para diminuir a pressão nos ouvidos. No ar, ele passou bastante tempo olhando pras nuvens encantado. Muito emocionante vê-lo descobrindo o mundo. Brincamos, conversamos, ele vez amigos, mexeu em tudo o que estava ao seu alcance. Chorou um tempinho, uns cinco minutinhos apenas, mas logo o coloquei no canguru e ele dormiu. 
Em três horas estávamos sobrevoando São Paulo. Fiquei impressionada com aquele mar de prédios, eu nunca tinha testemunhado tanto concreto junto no meu campo de visão. Não é nada acolhedor, mas meu ninho estava lá me esperando, sorrindo, nos recebendo num abraço grande e comprido. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ponto de Luz


Ela tá grávida, vívida, ávida pra ver o rosto do filho que vem por aí.
A felicidade ocupou os espaços vazios que insistiam aqui.
Depois de atravessar, atrito lá, tramar entrar sem temor em espaços maiores que nós.
Aventureiro, vivendo inteiro o momento de vida que temos a dois.

Pois ela é uma máquina de acreditar sem hesitar nesse sonho bonito de viver em paz.
Nada é impossível utopia ou em vão quando o coração é tao capaz.
Anda de barrigão, com os pés no chão, mas o cabeção desse pai continua a voar pelo azul.
E nessa dança, a gente balança mas não trai a convicção de que tem que ter amor no menu.

Eu sou feliz, tenho tudo que quis.
Minha razão não entendeu e investiga
Essa intriga, mas faz mal não.

Foi planejando que a gente chegou nesse ponto de luz. O projeto era simples. Fazer uma família enorme, e simplesmente encher a casa de gente, gente pequena fazendo bagunça. O trabalho é muito, só que isso é outro assunto. Pois nada é demais pra quem quer demais a alegria de ver o moleque crescer. Esse ser, pequeno, que pouco a pouco vai te conhecendo. Toda criança sabe louvar, sabendo que ser e fazer e viver é louvor. Ela sabe dizer melhor do que a gente, grande, que grande mesmo é pai. Muito melhor do que a gente, que tenta e que mente, que chuta e que cai. Logo lego, vamos brincar! Acabaram-se os dias a imaginar um colega pra isso, alguém que topa esquecer que é adulto por alguns segundos. Ele não vai precisar esquecer, ele nem mesmo sabe que vai ter que crescer. E ainda assim ele tem pra você uma grande lição: imaginação vale cultura, moral e razão. A roda, o boneco, o boné, tudo no mesmo lugar pra criar o robô, o carrinho, o avião. O riso no rosto e a nave veloz na mão. Vamo' inventar o céu, a terra, o mar. Tudo de novo e nada de novo debaixo do teto do pai que sabe que todo brinquedo da casa não se compara com o cara que entra na equipe do filho e arrasa.

Eu sou feliz, tenho tudo que quis
Minha razão não entendeu e investiga
Essa intriga, mas faz mal não.

domingo, 9 de março de 2014

Retiro de Carnaval 2014


Como já é tradição nas igrejas e na nossa família, durante o carnaval nos afastamos de Recife para fugir do carnaval. Esse ano fomos para Aldeia com nossa igreja, a Igreja Batista da Jaqueira, para um retiro espiritual. Podemos dizer também que foi um acampamento. Não teve barraca como no ano passado, mas tivemos que nos instalar num quarto completamente vazio, apesar do grande luxo do banheiro privado. Para dormir levamos os sacos de dormir e para Elias levamos berço, mosquiteiro, colcha pra colocar na grama, roupa de frio (que não foram usadas, claro), banheira, brinquedinho pra morder, enfim, o quarto quase todo. Sem esquecer a babá eletrônica que compramos especialmente para o evento e sem a qual os dias não teriam sido tão tranquilos. (Aproveito pra agradecer minha irmã e meu pai que nos levaram no carro deles!) Elias respondeu muito bem. O sono dele não ficou muito desregulado, muito menos as mamadas. Ele não estranhou ninguém; passou pelos braços de praticamente cada um dos que lá estavam. Foi o maior xodó! E sempre calmo e sorridente. A hora do banho era um pouco trabalhosa, pois tinha que ir na casa principal, a uns 150 metros dos dormitórios para esquentar água no fogão e em seguida dar banho nele com a banheira num local um pouco mais alto que o ideal. No mais, foi muito descanso pra mim. Babá não faltou! E não pense que foram só as menininhas, os rapazes também se renderam ao charme do meninão. Todos prendados e carinhosos. 
Eu entendo mães que não ousariam partir assim com um bebezinho de menos de 5 meses ainda. Mas afirmo que ele aprendeu muito nesses dias e que o contato com outras pessoas ajudou muito no desenvolvimento dele. Deixo aqui meu incentivo às mães que hesitam: deixa a redoma em casa e vai pro mato com o filhote!

Eis um vislumbre da diversão e do crescimento espiritual que vivemos:



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