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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Como irritar uma grávida

Já faz um tempo que prometi esse post. Imagino que a essa altura da gravidez eu já ouvi tudo o que tinha pra ouvir. Eu espero... Então aqui seguem algumas frases que poderia ter deixado de ouvir nesses últimos 9 meses.

"Como está gordinha..." ou "Engordou quanto?"
Não engordei, ganhei peso; é diferente!

"Que barriga enorme! Tem certeza que não são gêmeos?"
Isso mesmo com 9 meses de gravidez.

"Você é magrinha... será que vai ter passagem?"
Sai pra lá!

" - Você está com quantos meses?
 - 4.
 - Foi bem na época que perdi meu primeiro filho..."
Diálogo verídico! =O

"Já sabe o que é?"
Isso se referindo ao sexo. Já respondi "ser humano".

"Pela barriga é menino. Pela barriga é menina."
Bom, são sempre 50% de chance! Muito, muito chatos esses palpites que todo mundo acha que tem que ter e emitir.

"É menino? Eita, o pai é que ficou feliz, né?"
Ao que respondi: "E a mãe também, claro".

"Já imaginou se quando nascer, descobrir que é uma menina?"
Digo logo que em cada ultrassom que fizemos, o sexo dele foi a primeira coisa que ele mostrou.

"Vai querer parto normal?! Ai... eu sofri tanto..."
E a pessoa conta a tragédia do seu parto. As pessoas podem ser tão insensíveis...

"Ah, ele vai nascer no dia XX, que é pra nascer no meu aniversário."
Bom, ele com certeza vai nascer no aniversário de alguém...

Ouvi muito comentário sem-noção, principalmente quanto aos perigos do parto normal. Tive que fingir que tava estava ouvindo muita conversa, enquanto deixava entrar por um ouvido e sair por outro...

É verdade que no início eu detestava que pegassem na minha barriga. Mas com o tempo, à medida que ela foi se esticando, a sensação de tato da sua pele mudou bastante. Hoje, não ligo mais. Mas pessoas próximas ainda, por favor!

Se você já me disse uma dessas frases, não se sinta visado. Na maioria dos casos o que cansa é a repetição. Uma boa parte são coisas que se diz sem nem mesmo pensar... é sistemático. Além do mais, eu entendo que seja uma maneira de puxar assunto com uma grávida... Eu sou chata mesmo. Mas digo logo que muitas não gostam, mas não ousam falar! Eu mesma sou mestra na arte de sorrir diante dessas mesmas frases. Um pouco de hipocrisia é o óleo que permite que a engrenagem das relações interpessoais funcione mesmo... 

sábado, 28 de setembro de 2013

Diário de gravidez 4 - 38 semanas

Estou com 38 semanas e meia agora. Esse deve ser o último diário de gravidez de Elias. Em breve terei o prazer de contar do parto e dos prazeres de ter no colo meu bebê. 
Fazendo o balanço desses 9 meses, posso dizer que tudo se passou tranquilamente. Houve alguns sustos graças ao erro de uma enfermeira na França, mas nada demais. A enfermeira obstetriz (sage-femme), quando fui a uma consulta apenas pra desencargo de consciência, após um exame de toque desnecessário arregalou os olhos e disse que eu estava com o colo do útero muito aberto, que néao poderia assistir às aulas, nem pegar trem, muito menos avião. Ela falava de maneira contundente, firme e forte. Como disse, seus olhos estavam arregalados. Fiquei em pânico. Eu estava sozinha, não tinha ninguém em Nantes, longe do marido. Ela me mandou pra emergência da maternidade. Saí de lá andando, sozinha, aos prantos no meio da rua. Ainda peguei dois bondinhos. Chegando lá, espera. Depois fui atendida por um enfermeiro, em seguida por uma enfermeira que o rendeu. A conclusão desta era menos alarmante que a da primeira, mas ainda sim eu precisava ser cuidadosa (segundo os exames). Mas pra poder me liberar, ela achou melhor mostrar os exames pra obstetriz de plantão. Que por sua vez não se contentou dos exames e resolveu vir me examinar pessoalmente. Lá vou eu passar por tudo de novo... Mas pelo menos, ela me passou segurança, pela idade e pela atitude. Ela perguntou pra enfermeira, mostrando meu útero na tela do computador, onde danado ela tinha visto que meu colo estava aberto. Conclusão: colo fechado, tudo perfeito. Saí da emergência às 23h00, sozinha, mas agradecida a Deus. No final, foi apenas um susto e o jantar de despedida com os professores que eu perdi. 
Continuemos o balanço desses 9 meses... 
Os enjôos se foram com o primeiro trimestre, assim como a azia. No último trimestre o que apareceu foram cãibras extremamente dolorosas que me acordavam no meio da noite, mas depois até isso passou. O incômodo do momento é uma pequena falta de ar que me pega quando fico deitada de costas por algum tempo. Fora, claro, o peso a mais pra carregar: 16 Kg. Minha relação com o ganho de peso mudou muito no decorrer da gestação. Encontrei num livro um tal de ganho de peso ideal e coloquei na cabeça que devia seguir à risca. O problema é que ganhando peso logo no início, como o livro sugere, fica-se com pouca margem depois. No início fiz esforço pra ganhar e depois tive que fazer esforço não ganhar tanto. Esforço demais à toa, talvez. Além do mais, durante o mês na França não tive acesso à balança. Sem contar que só comi besteira, muita coisa doce, biscoito, bolo, geléia, sorvete, o que me fez sair do "peso ideal" e ainda alterar brevemente minha taxa de glicose. Troféu joinha pra mim que não soube controlar a deprê de estar longe do marido de uma maneira menos "Magali". Bom, já me perdoei, as taxas já estão no devido lugar e os 16 Kg mantidos, não sem um certo esforço, são bem aceitos por mim. Sinto-me bem, faço Pilates em casa, caminho uma hora umas duas vezes por semana e cozinho e lavo louça (apesar da posição toda tronxa pra não esmagar a barriga na pia). Ah, e amarro meus tênis sozinha! (Lembro de uma amiga dizendo quando eu estava no início da gravidez que nem isso conseguia fazer e eu fiquei aterrorizada com a ideia). Não me sinto gorda, ganhei perna, e um pouco de bochecha (mas sempre fui bochechudinha). Ah, ganhei também, hélas, umas estrias vermelhinhas nas coxas (coisa que nunca tinha tido). Mas admito que não teria sido nada mau ter ganho uns 11 Kg somente. Mas bom, essa história de ganho de peso é tão relativo. Pra me consolar, li em outro lugar que pro meu IMC o ganho máximo ideal era justamente 16 Kg. Até que foi um ótimo consolo. 
Elias ainda se mexe muito. Se antes eram chutes repentinos, que chegavam a me dar susto algumas vezes, agora são longos "empurrões". Como ele já está de cabeça pra baixo, onde estão os pés, do lado direito, sinto às vezes uma saliência pontudinha. Onde está o bumbum, às vezes sobe um mondrongo. Parecem movimentos sísmicos outras vezes. Muito comum também é ele ter soluços, o que me incomoda demais. Nesse momento, leio menos sobre gestação; tenho a impressão que o mais importante já li. Me informei muito sobre procedimentos neonatais e tive a chance de ficar horrorizada com a neonatologia praticada no Brasil. Diminuí também o número de vídeos que vejo, pois começo a ficar ansiosa e agora choro demais de comoção. Sonho frequentemente com o parto, que eu queira ou não. Aliás, a gravidez foi pontuada por sonhos dos mais estranhos. Lembro de um de quando eu estava na França em que eu tinha o bebê sozinha, prematuramente. Quando eu o via, ele não tinha nem braços nem pernas, então eu naturalmente, simplesmente, sem nenhum sentimento ruim, disse "ele ainda não está pronto" e coloquei de volta dentro da barriga. Apenas uma vez acordada é que o sentimento de estranheza me tomou; durante o sonho tudo era muito normal. Nem posso dizer que foi um pesadelo. 
No terceiro trimestre também vi minha fome aumentar. Mas hoje eu bati meu recorde e consegui surpreender o marido: Cássia e Pedro vieram jogar aqui em casa e trouxeram duas pizzas pro jantar e eu fui quem mais comeu! Isso nunca tinha acontecido antes. Todo mundo parou de comer e eu ainda estava lá. 5 fatias no total!   
Quanto ao dia do parto... calma, pessoal... não é cesária, não tem nada na agenda. Elias é quem vai dizer quando ele estará pronto. Pode ser ainda hoje. Pode ser daqui a duas semanas. Então, segurem a onda =P Depois eu venho contar como foi o parto. Claro que está planejado, com direito a plano de parto e tudo. Mas como nunca sai exatamente como previsto, melhor contar os fatos depois. 
Detalhe, se há algo que aprendi é que cada gestação é única. Minha cunhada está na segunda gravidez e tem sido completamente diferente. Por isso, o objetivo é apenas contar uma experiência particular. 


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