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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Nantes e a residência universitária

Residência Fresche Blanc
Cheguei em Nantes na segunda, dia 1 de julho. Perdi a primeira aula, mas segundo os colegas não perdi nada além daqueles ritos de primeira aula, apresentações, etc. Emilie levantou cedo na segunda, apesar da noite mal dormida graças ao seu pequeno Thibaut (se pronuncia "tibô"), para me dar um abraço de despedida. Seu marido JA me levaria para a estação ferroviária. Saímos um pouco atrasados, pois ele tinha pegado no sono novamente quando sua esposa foi perguntar se ele estava pronto. Assim minha aventura começou naquela segunda-feira, correndo nos corredores carregando meu barrigão, enquanto JA carregava minha mala e minha mochila. Não perdi o trem, ufa.
Mas como no ano passado (quem lembra?)... aquele era só o começo de um longo dia... Na verdade pra encurtar a historia, fiz o mesmo percurso que ano passado, com apenas um trem a menos, devido a um atraso de 1h30 do trem em Saint-Pierre-les-Corps devido a um "acidente de pessoa" (o que quer que isso queira dizer exatamente).
Cheguei em Nantes ainda de dia. Encontrei fácil a residência onde passaria um dos meses mais difíceis da vida. A residência é confortável. Quartos de 9 m², algo ao qual eu já estava acostumada. O banheiro, dentro do quarto e uma cozinha comunitária por andar. Tirei poucas fotos. Na frente do armário estava a cama. O banheiro fica à direita da porta de entrada. A residência tem ainda uma sala de TV, outra de informática e uma sala de jogos. Custa, no verão, 300€. Meio carinha se comparada a Clermont (onde pagávamos 210€, na época). Mas Nantes é mesmo uma cidade maior.






quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Clermont-Ferrand

Na terça-feira, Mel, Luigi e eu pegamos a estrada de carro em direção a Clermont-Ferrand, onde Mel passaria a noite para seguir até a casa dos sogros em Châteauroux. Os amigos que puderam conhecer Mel atestaram atônitos: "É Bernardo de saias!" E realmente se parecem. 


Em Clermont, descansei bastante. Só fiz ir de casa em casa pra rever amigos e comer. Tudo isso sendo muito paparicada por todos; não peguei ônibus em nenhum momento. Tirei poucas fotos de algumas pessoas apenas. Eu não me sentia a turismo ou de férias. Andar nas ruas de Clermont foi como estar em casa. Eu quis apreciar os momentos com os amigos, como que num fim de semana qualquer. Foi interessante, apesar de não ter registro em imagem. Fica a memória. De qualquer maneira, eu estava num clima diferente. Simplesmente não queria fotos.  
Clermont me evocou boas lembranças e ao mesmo tempo jogou na minha cara a ausência do marido. Mas só ela terá a afeição do primeiro amor. Foi nas terras sinuosas do Massif Central que fundamos os alicerces do nosso casamento. Em Clermont senti muita saudade. O jardim Le Coq, a loja Go Sport (onde compramos 3 bicicletas e nossos equipamentos de inverno), as ciclovias, o majestoso Puy-de-Dôme, todos me olhavam surpresos. Parecia que cada canto da cidade me indagava o que eu estava fazendo lá sem Bernardo. Pergunta verbalizada por cada amigo, cada irmão da igreja, uma certa menininha linda chamada Esther tentando me matar do coração ao perguntar com os olhinhos caramelo e derramados: "Quando é que que Bernardo vem?" O grande-pequeno Nathan incarnou a revolta e admitiu ao pai que preferiria que Bernardo tivesse ido no meu lugar. Como se chatear com da sinceridade infantina, principalmente diante de tamanha afeição a um ser que tanto amo? 
Foi em Clermont que tivemos que trabalhar pra sustentar uma casa e uma família pela primeira vez. Onde batalhamos pelo nosso sonho. Onde vimos neve pela primeira vez. Onde aprendemos a lidar com a rotina num casamento e a quebrá-la também. Onde elaboramos os projetos mais mirabolantes como ir de bicicleta pra Suíça em pleno inverno. Onde aprendemos a dormir coladinhos numa cama de solteiro. Onde descobrimos um mundo de jogos de tabuleiro e eu descobri que ele é um mau perdedor tal qual a mãe (alfinetada!). Onde instauramos o carinho matinal, a oração antes das refeições e os passeios de madrugada. Onde eu descobri que ele fala enquanto dorme. E ele descobriu que meus músculos tem uns espasmos nervosos quando eu durmo e nomeou carinhosamente isso de "brilhar como estrela". Onde ele descobriu que eu poderia ser uma viciada em faxina e eu entendi o desespero de Mel com a bagunça dele. Onde eu aprendi a correr e a pedalar. Também onde quebrei a mão pela primeira vez. Onde aprendemos a depender da graça de Deus. Onde aprendemos a servir a Igreja de todo o coração. Onde fizemos amigos pra vida toda. Onde vivemos a alegria e a tristeza de uma primeira gestação interrompida. Onde descobrimos que eu também prefiro a montanha. Onde eu o vi apender bateria. Onde organizamos grandes eventos juntos. Onde tivemos nossas piores brigas pelas maiores besteiras e onde aprendemos a lidar com isso. Onde ficamos presos no elevador depois de um mês especialmente difícil. Onde experimentamos a solidariedade de amigos e de quase desconhecidos também. 
Clermont foi uma escola onde aprendemos muito. Bom saber que voltaremos ainda muitas vezes, pois os amigos que fizemos não ficaram confinados nas boas lembranças.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Passeio em Marseille


No dia seguinte ao pulo fomos a Marseille, segunda cidade mais populosa da França e a mais antiga. Bancamos os turistas, andamos no "trenzinho", visitamos os principais pontos que o guia quis nos mostrar. Foi bom, não nos cansamos muito e um passeio desse tipo pra gente só com criança pequena e uma grávida cansada; ou seja, não acontece muitas vezes na vida. 

Descobri que a ilha em que se passa a historia de "O Conde de Monte Cristo" fica em Marseille. É sempre bom dormir menos ignorante... 

Visitamos a igreja "Nossa Senhora da Guarda" que fica no topo de um monte velando a cidade.

E conheci a força do lendário "mistral". "Mistral" é o nome de um vento que sopra no sul da França e é forte o bastante pra nos empurrar. Realmente perigoso. E graças a ele presenciei uma cena cuja imagem ficou um bom tempo na memória. Quando subíamos as escadas, duas senhoras tentavam descer segurando, em vão, as saias. Acabaram desistindo e deram meia-volta se concentrando em segurar a parte da frente da saia. O que vimos não foi das cenas mais belas da viagem, mas nos rendeu boas risadas e conversas do tipo: 
- Mel, ela estava sem calcinha?!

- Não, Cecilia, você não viu? É que era pequena mesmo... 
Ok, voltemos a Marseille. 
Bom, voltemos pra sair, porque o casal Takaya não ia me deixar ter um passeio ordinário de trenzinho e pronto. Mikael botou na cabeça de ir pra Cassis e nós o seguimos. Xixi no mato. Sol. Pedras escorregadias. Tira sapato. Machuca o pé. Anda bastante. Mas a vista compensou o esforço... 







 A noite, em casa, nada como uma bela raclette fora de época pra recarregar as baterias!


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