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sexta-feira, 10 de maio de 2013

O cérebro de uma grávida - a falta que o meu antigo neocórtex faz

Se devesse resumir em uma palavra a minha gravidez seria: leitura. Leio compulsivamente blogs e artigos. Encontrei um portal interessante, o vila mamífera, através do qual começo uma viagem sem fim entre hiperlinks. Nessas leituras, acabei me deparando com uma informação que se tornou a maior descoberta para mim: o cérebro da mulher grávida diminui!

Explicando rapidamente... O cérebro do ser humano é composto de três partes: o cérebro reptiliano, o cérebro emocional e o neocórtex. O cérebro reptiliano é responsável pelo instinto de sobrevivência e  pela reprodução. O nome do emocional é auto-explicativo. E o neocórtex é o que nos distingue dos seres irracionais. Pois bem, a parte do cérebro que diminui é justamente essa responsável pela lógica! Claro que tudo se explica e há uma razão muito nobre para esse atrofiamento. É preciso que o que há de mais instintivo na mulher floresça para o parto. Esse é o momento ápice do lado "animal" da mulher, uma situação vital, da qual depende a permanência da espécie sobre a terra. Se nós, seres racionais, passamos a vida aprendendo a lidar com alguns impulsos do cérebro reptiliano, a mulher precisa dele bem ativo e equilibrado  mais do que nunca para liberar os hormônios adequados para um parto tranquilo. Por isso durante o trabalho de parto é preciso pouca linguagem, pouca luz e evitar tudo o que estimule o neocórtex. (Mais detalhes aqui). 

O resultado desse processo biológico no dia-a-dia de uma mulher que precisa trabalhar, estudar, cozinhar, viver pode ser tragicômico. O fato é que a mulher grávida emburrece! Podem acreditar, eu estou tendo a chance de comprovar essa teoria na prática. Tenho estado muito distraída e com dificuldade de concentração. Outro dia, no meio de uma entrevista do Campus France - serviço oficial ligado ao governo francês de informações sobre estudos na França para o qual trabalho - comecei uma pergunta e esqueci no meio do caminho e eu não conseguia avançar. 

Domingo passado foi o meu dia de cuidar do vídeo-projetor na igreja. Quando o culto começou, eu cliquei na seta do meu teclado para passar o próximo slide e fiquei olhando para o pobre ministro de música esperando ele ler o que "estava projetado". Ele retornou o olhar e eu encarei, pensando "bora, menino, tá esperando o que?". Até que percebi que eu tinha esquecido de apertar o botão que faz com que seja projetada a mesma janela que aparece na tela do computador. Em pânico, apertei o botão... de desligar! Tomei um susto grande. E continuei a apertar infrutiferamente o mesmo botão no controle (apesar de saber, por conhecer o aparelho há meses, de que ele não liga com o controle). Até que depois do que me pareceu ser horas de silêncio e desconforto, o pastor veio até mim, pegou no meu ombro, me lançou um olhar amigo e disse "ele tá desligado, Céci" e apertou o botão no projetor. Fiquei super desconcertada e fiz muita força para me concentrar em clicar nas setinhas na hora certa!

Sem falar em quantas vezes durante a aula me desconcentro, dou uma resposta trocada e tenho que ser corrigida por um aluno mais atento. Não foi apenas uma vez em que um aluno precisou se levantar para me mostrar claramente no quadro, a parte do texto da qual ele estava falando. As indicações do tipo "terceira linha do segundo parágrafo" às vezes se tornam complexas demais pro meu cérebro de grávida. Pra não abusar do clichê "foi um teste pra saber se vocês estavam prestando atenção", criei o meu mais novo bordão "é a gravidez". Nem todos acreditam, mas eu espalho a informação para o maior número possível de pessoas, pois preciso que elas entendam e sejam complacentes com esse ser de neocórtex reduzido. 

Para me consolar, encontrei em alguns blogs histórias de mulheres que padeceram do mesmo mal que eu e ousaram publicar. Ei-los abaixo: 

Tentei explicar um pouco sobre o que aprendi nessas leituras, mas a minha área é didática de língua estrangeira. Então, se você é da área e perceber alguma incongruência, por favor, perdoe minha ignorância gravidal e elucide-me. 


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