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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ultrassonografia - a saga continua

Definitivamente, ultrassonografia vai ser o desafio dessa gravidez. Marcara a última com um mês de antecedência, com hora marcada, no Ultra Mater do Hospital Português, de onde tivera boas referências através de amigas. Eu já estava ansiosa pra saber o sexo e sonhava com isso. Sonhei até com o bebê de perninhas cruzadas, impossibilitando a descoberta. Pois bem, quarta-feira, dia 29, era o dia tanto esperado. 
Saímos de casa e Bernardo resolveu pegar um caminho que nunca pega e com ele, um engarrafamento colossal às 13h30 da tarde. Chegamos com 10 minutos de atraso e nos indicaram o local errado. Havia dois lugares que fazem ultrassonografia. Chegando no lugar certo, descobri que esquecera em casa a solicitação da obstetra. Conversei com a moça, mas nenhum acordo. A solução que encontramos, foi ver se a nossa obstetra estaria lá dia de hoje, pois ela atende no Português também. Ela não estava, mas conversando com a recepcionista, eu tinha a opção de esperar outra obstetra que estava em consulta. Parecia-me uma ótima solução. Esperamos 40 minutos! Mas conseguimos a tal solicitação. 
Uma vez na Ultra Mater, com todos os documentos necessários, o plano de saúde (Unimed) resolveu não autorizar o procedimento. Conversei com a moça por telefone, afirmei que já o tinha feito antes. Segundo ela, da vez em que o plano autorizara, eles cometeram um erro e eu tive sorte. Dessa vez, não podiam, por causa da carência. Percebendo que não conseguiria resolver com aquela pessoa, por telefone, não quis insistir. Perguntei a recepcionista quanto custaria pra fazer particular mesmo. 300! Caro, mas eu estava disposta a pagar o preço que fosse necessário. Pergunto ao marido se ele tem aquela quantia na carteira, mas nada. Pergunto se aceitam cartão. Não! O dia das negativas. Não dava mais tempo de ir ao banco, pois eu daria aula em pouco tempo. 
Difícil dizer o tamanho da minha frustração! Chorei a grandes lágrimas no estacionamento, amparada pelo ombro do marido. Estava decepcionada primeiro comigo mesma, por ter conseguido esquecer a solicitação em casa. Em seguida, com o plano. Depois com o sistema que não aceita cartão de crédito em pleno século XXI. Depois com a ideia de ter que ir dar aula. Uma conspiração para aquela ultrassonografia não ser feita!
Bom, agora passou. O bebê está bem e isso é o mais importante. Não pude vê-lo, mas o sinto mexendo frequentemente. Um tremorzinho gostoso na barriga que não me deixa esquecer da linda vida que carrego. Menino ou menina, esse bebê será muito amado e educado nos caminhos do Senhor. 


quinta-feira, 16 de maio de 2013

De maior

Hoje Bernardo e eu fomos buscar os passaportes no aeroporto. Enquanto ele ia estacionar, eu fui adiantando na receita federal. Chegando lá perguntei com minha vozinha de soprano (infantil demais pro meu gosto) aonde me dirigir para recuperar meu passaporte. O senhor olhou pra mim sério e perguntou:
- Você é de maior, garota?
Caí na risada e respondi que sim. O rapaz do lado ainda brincou:
- Tem certeza?
Eu mereço... Próxima vez digo que o altão barbudo é meu responsável! 
A menininha do Pedro virou a esposa de Bernardo e mãe. Mas ainda aos 25 anos, de barriguinha de 4 meses e meio passa por uma adolescente. 

* Para os desavisados: Pedro e Bernardo são a mesma pessoa :)  

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gravidez - álbum 1

Hoje completo "exatas" 19 semanas de gestação. O bebê está previsto para 9 de outubro, mas claro que pode nascer um pouco antes ou depois (o que é normal). Ainda não sei o sexo, mas tenho sonhado que é menino. Não é uma preferência, foi um sonho, e como não tenho o dom da profecia vou fazer uma ultrassonografia dia 29 de maio. Vou fazer no Hospital Português. Antes de marcar, conversei com várias amigas e fiz uma lista de onde não ir, depois fui ligando para os que apreciam valer a pena. Depois digo como foi. Infelizmente, não tinha vaga para antes, mas pelo menos, é com horário marcado. Já temos os nomes do bebê; embora alguns já saibam, só vou anunciar quando souber o sexo.
Ganhei 3 quilos e meio. Repare que disse "ganhei" e não engordei. A azia diminuiu bastante e os enjôos são raros e leves. Não tive desejo. Mas basta eu dizer que adoraria comer um bolo para todo mundo dizer "humm, desejo, né?". Mas defendo que nunca senti nenhuma vontade de natureza diferente da que já senti outras vezes. Quem nunca disse "ai que vontade de comer chocolate?"
Sentimos a barriga mexer pela primeira vez na madrugada de ontem. Uso a primeira pessoa do plural porque o marido tem sido tão presente que consegue participar de cada momento. Era 1h15 da manhã quando nos deitamos ainda sem sono. Pouco antes Bernardo tinha feito muito carinho na barriga, sacudindo um pouco também dizendo "acorda!". Descobrimos a pouco que um bebê dorme de 18 a 20 horas por dia. Não sei se foi isso que o acordou, mas senti deitada um solavanco gentil na parte inferior do ventre, à direita. Eu não tinha certeza do que se tratava, mas quando senti o mesmo movimento, entendi e falei ansiosa pro marido "o bebê mexeu!". Bernardo levantou sorrindo, colocou a mão, mas ele ficou quietinho. Bernardo, porém, não desistiu e encostou a cabeça na minha barriga. Ficamos ali quietinhos por uns minutos até que sentimos juntos, uma leve pressão no centro da parte inferior da barriga.
Dormimos pouco, mas tão felizes! 
No dia seguinte o marido todo fofo: e então, ele mexeu de novo? :) 

Eis umas fotos dessa primeira fase da gravidez:


Piruetas em janeiro, com algumas semaninhas de gravidez e nem sabia 
Curtindo em fevereiro a ansiedade de contar pra todo mundo, mas sendo discretos.  
Pequena aventura para Pipa em março. 
Abril, primeira ultrassonografia, 13 semanas.
Maio, quase 19 semanas de gravidez
O que vejo quando olho pro chão. Cadê meus pés? lol


* Especialmente para a sogrinha, que não tem Facebook ;)
** O texto foi baseado nas perguntas mais frequentes.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Crescente


Hoje foi o dia do reconhecimento público da minha gravidez. Pela primeira vez um adulto arriscou perguntar se eu estava grávida. Pela primeira vez também me deram lugar no ônibus. 

Muito orgulho da barriguinha. Nem aí pra quem diz que está grande DEMAIS. Barriga de mãe saudável, que não sofreu demais com enjôos, nem perdeu peso, ao contrário, ganhou o peso ideal a cada semana, nem mais nem menos. 

Se vocês soubessem o que grávida tem que suportar... Eu ainda faço um post intitulado: "Como irritar uma grávida"!

domingo, 12 de maio de 2013

Amor de mãe

Sinto falta de ser amada pela minha mãe. Ninguém no mundo me devotou amor dessa natureza além de Auricéia Pereira da Costa. Ficou algo vazio, um tipo de carência que nunca mais será suprida. Não digo que viverei triste por isso, mas o fato é que ninguém me amará daquele jeito tão cego de mãe. Claro que a vida continua, que eu sou muito amada pelo meu pai, pelo meu marido, pelos amigos. Obviamente amar também ajuda a encher o "tanque do amor" (para reutilizar a imagem de Gary Chapman). Alegro-me com a oportunidade de viver esse amor por outro ângulo. Chegou a minha vez de amar o meu filho, de provar a experiência única de amar um ser dessa maneira. Mas ser amada dessa maneira só se vive uma vez na vida. A saudade não é ruim em si, é reflexo de que se viveu algo que merece ser lembrado. Eu carrego guardada a lembrança do amor dessa mulher em lugar de honra. E essa lembrança evoca sorrisos e alegrias.  


















sexta-feira, 10 de maio de 2013

O cérebro de uma grávida - a falta que o meu antigo neocórtex faz

Se devesse resumir em uma palavra a minha gravidez seria: leitura. Leio compulsivamente blogs e artigos. Encontrei um portal interessante, o vila mamífera, através do qual começo uma viagem sem fim entre hiperlinks. Nessas leituras, acabei me deparando com uma informação que se tornou a maior descoberta para mim: o cérebro da mulher grávida diminui!

Explicando rapidamente... O cérebro do ser humano é composto de três partes: o cérebro reptiliano, o cérebro emocional e o neocórtex. O cérebro reptiliano é responsável pelo instinto de sobrevivência e  pela reprodução. O nome do emocional é auto-explicativo. E o neocórtex é o que nos distingue dos seres irracionais. Pois bem, a parte do cérebro que diminui é justamente essa responsável pela lógica! Claro que tudo se explica e há uma razão muito nobre para esse atrofiamento. É preciso que o que há de mais instintivo na mulher floresça para o parto. Esse é o momento ápice do lado "animal" da mulher, uma situação vital, da qual depende a permanência da espécie sobre a terra. Se nós, seres racionais, passamos a vida aprendendo a lidar com alguns impulsos do cérebro reptiliano, a mulher precisa dele bem ativo e equilibrado  mais do que nunca para liberar os hormônios adequados para um parto tranquilo. Por isso durante o trabalho de parto é preciso pouca linguagem, pouca luz e evitar tudo o que estimule o neocórtex. (Mais detalhes aqui). 

O resultado desse processo biológico no dia-a-dia de uma mulher que precisa trabalhar, estudar, cozinhar, viver pode ser tragicômico. O fato é que a mulher grávida emburrece! Podem acreditar, eu estou tendo a chance de comprovar essa teoria na prática. Tenho estado muito distraída e com dificuldade de concentração. Outro dia, no meio de uma entrevista do Campus France - serviço oficial ligado ao governo francês de informações sobre estudos na França para o qual trabalho - comecei uma pergunta e esqueci no meio do caminho e eu não conseguia avançar. 

Domingo passado foi o meu dia de cuidar do vídeo-projetor na igreja. Quando o culto começou, eu cliquei na seta do meu teclado para passar o próximo slide e fiquei olhando para o pobre ministro de música esperando ele ler o que "estava projetado". Ele retornou o olhar e eu encarei, pensando "bora, menino, tá esperando o que?". Até que percebi que eu tinha esquecido de apertar o botão que faz com que seja projetada a mesma janela que aparece na tela do computador. Em pânico, apertei o botão... de desligar! Tomei um susto grande. E continuei a apertar infrutiferamente o mesmo botão no controle (apesar de saber, por conhecer o aparelho há meses, de que ele não liga com o controle). Até que depois do que me pareceu ser horas de silêncio e desconforto, o pastor veio até mim, pegou no meu ombro, me lançou um olhar amigo e disse "ele tá desligado, Céci" e apertou o botão no projetor. Fiquei super desconcertada e fiz muita força para me concentrar em clicar nas setinhas na hora certa!

Sem falar em quantas vezes durante a aula me desconcentro, dou uma resposta trocada e tenho que ser corrigida por um aluno mais atento. Não foi apenas uma vez em que um aluno precisou se levantar para me mostrar claramente no quadro, a parte do texto da qual ele estava falando. As indicações do tipo "terceira linha do segundo parágrafo" às vezes se tornam complexas demais pro meu cérebro de grávida. Pra não abusar do clichê "foi um teste pra saber se vocês estavam prestando atenção", criei o meu mais novo bordão "é a gravidez". Nem todos acreditam, mas eu espalho a informação para o maior número possível de pessoas, pois preciso que elas entendam e sejam complacentes com esse ser de neocórtex reduzido. 

Para me consolar, encontrei em alguns blogs histórias de mulheres que padeceram do mesmo mal que eu e ousaram publicar. Ei-los abaixo: 

Tentei explicar um pouco sobre o que aprendi nessas leituras, mas a minha área é didática de língua estrangeira. Então, se você é da área e perceber alguma incongruência, por favor, perdoe minha ignorância gravidal e elucide-me. 


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