.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Declaração amoroso-linguística

Sogrinha presente desde o início do namoro. 
Em francês sogro se diz "beau-père" e sogra, "belle-mère". Quer dizer "belo pai" e "bela mae". Era assim que se chamava as pessoas amadas na Idade Média, testemunhando assim do amor que se sentia pelos pais do seu cônjuge. Chamava-se a própria mãe assim. E nessa mesma época o sufixo -astre (que deu -asta em português) de "marastre", "parastre" tornou-se pejorativo. É o mesmo sufixo de "pederasta", por exemplo. Todo esse blá-blá de francês histórico pra dizer que não é à toa que chamo meu sogro e minha sogra, pais queridos do homem que amo, Sogrão e Sogrinha. "Sogro" e "sogra" tornou-se pejorativo demais e se eu os chamasse de "belo pai" e "bela mãe" soaria um tanto excêntrico. Um espírito pragmático diria para chamá-los de Jether e Valéria, como os próprios filhos os chamam. Mas eu aprendi a chamar Cícero Cabral de pai e Auricéia Costa de mãe. É uma maneira de afirmar o afeto redizendo o grau de parentesco. Essa prática não acrescenta nem diminue o amor, mas o atualiza a cada enunciado.  
Bernardo apresentando um dos seus espostes preferidos ao pai.
2012: ano em que o Sogrão e eu pudemos nos conhecer de verdade e nos tornamos amigos.
Deixo aqui resgistrados o meu amor e admiração por esse casal que hoje festeja suas bodas de pinho, 32 anos de casados, 5 filhos bem encaminhados na vida e muita história de aventura e serviço ao Senhor. Que Deus os abençoe. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Diário de gravidez

Como percebi que a mulherada da família gosta de diários de gravidez, resolvi postar aqui as primeiras linhas que escrevi, ainda em 4 de fevereiro, quando ninguém sabiada gravidez.

Recife, noite quente de um verão escaldante; aqui começa esse segundo diário de gravidez. Será nosso primeiro filho, a primeira gravidez tendo durado apenas uma semaninha. Essa parte já está registrada num arquivo não muito alegre. Gravidez mais ou menos planejada. Decidimos que o momento “perfeito”, considerando a viagem de cunho acadêmico que devo fazer em julho para a França, seria março. Mas também vimos que engravidar em janeiro não seria um problema em si. Mas esse era realmente o limite; se engravidasse em dezembro, teria problemas pra voltar de avião em julho. 

Já ansiosa, sabendo da possibilidade de estar grávida, no segundo dia de atraso da menstruação (domingo, dia 3 de fevereiro) fiz um teste de farmácia. Teste o qual já havia comprado quase duas semanas antes. Acordei com vontade de fazer xixi às 4h00 da manhã e não pude me conter mais. Duas tirinhas rosas! O palito ainda está guardado - não sei por quanto tempo ainda. Difícil foi não acordar o marido gritando e ir dormir. Sonhei com bebês e fraldas. Desde então só penso nisso.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Diário de gravidez

Quase meia-noite. Estreio a caneca que ganhei de Bernardo como presente de aniversário. "Mãe: sempre o melhor colinho" diz ela e traz o desenho de uma barriga de grávida. Bebo chá quente de boldo-do-chile no calor de Recife não pelo sabor, mas pela necessidade em tentar aliviar uma dor de estômago que me impede de dormir. E escrevo para me distrair enquanto a dor vem, atinge seu apogeu e vai se afastando devagar, dando xauzinho e dizendo até bem breve. 
Azia e náusea marcaram presença no primeiro trimestre da gravidez. Algum vômito, dois ou três dramins e muito sono. Um sono irresistível. Recobrada uma parte da disposição e com raros e leves enjoos, retomo a divisão dos afazeres domésticos, até então nas mãos cuidadosas de Bernardo. Difícil é querer me ocupar com algo que não seja relacionado à gravidez. Estou lendo o livro "O que esperar quando você está esperando", um best-seller americano sobre gravidez, no lugar de ler para o mestrado. Tenho acompanhado blogs, lido artigos, conversado com amigas e colegas conhecidas, conhecendo novas pessoas, sugando tudo o que posso de mães, enfermeiras, professoras de Pilates (que começo na semana que vem), parteiras, blogueiras, etc. Quero entender exatamente o que se passa com o meu corpo e com o bebê.
Sinto uma satisfação toda nova em ver meu corpo mudando. É como uma nova puberdade. Porém acelerada. Em quase 4 meses ganhei 2,5Kg e o meu corpo já ganhou novas curvas. Amo minha barriga redondinha, sentir diferente a textura do meu umbigo. Deleito-me ao saber da vida que carrego no invólucro em que se tornou meu próprio corpo. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sob o céu de Tacaratu

Você sabe onde fica Tacaratu? Sabe quem mora por lá? O que se encontra nessa cidade? Nós nunca tínhamos ouvido falar dessa cidade perdida no Polígono das Secas, quando no dia 25 de dezembro do ano passado, o pastor da igreja e um casal de coração missionário disseram que iriam no dia seguinte visitar a missão batista dessa cidade. Percebendo nosso interesse e conhecendo nosso espírito aventureiro, disseram que havia dois lugares no carro e que estávamos convidados. Não pudemos resistir!

No dia seguinte acordamos cedinho e fomos encontrar nossos companheiros de viagem. No volante, o piloto de fuga Lyncoln Araújo. Ao seu lado a corajosa esposa Mariluce Araújo. Atrás, os bagunceiros de plantão: o Pastor Marcelo Ximenes, Bernardo e eu. Conversas riquíssimas sobre teologia, física, teoria da cognição e muito mais temperaram as 12 horas de viagem, contando a ida e a volta. A estrada era péssima, mas o bom humor desviava dos buracos. A paisagem estava muito seca até o contraste com o imenso São Francisco encher os olhos. 


                              
                              
                              
Tacaratu foi terra de índio. E quem vive lá hoje é gente de muita simplicidade e coração aberto. Fomos recebidos pelo casal missionário que encabeça a igrejinha batista local. Fomos levar os presentes da igreja para o filhinho deles que chegaria em breve. 
                                      
Pastor Marcelo, Bernardo, Mariluce, Lyncoln, o casal missionário e eu.
                                      
Os membros da missão


Voltamos pra casa no dia seguinte cansados, mas revigorados. Que prazer em saber que sob o céu de Tacaratu tem gente que serve o Senhor com tanta fé e alegria no coração. Que o Pai abençoe esse ministério e que Aquele que é O Caminho, A Verdade e A Vida seja conhecido e exaltado em Recife, em Tacaratu e até os confins da terra. 





terça-feira, 9 de abril de 2013

Grávidas também viajam - Pipa!


Depois de alguns meses sem viajar, comecei a me sentir sufocada em Recife. Eu precisava urgentemente pegar a estrada em direção a um lugar completamente novo. Assim, no feriado da Páscoa, pegamos a moto, os 250 reais que tínhamos, fizemos uns sanduíches e partimos sem planejamento maior. Sabíamos apenas que iríamos na direção Norte até Goianinha e lá seguir placas a intuição até a praia de Pipa que tanto permeou meu imaginário. 
A estrada é ótima e a viagem foi agradável. Paramos a cada hora pra alongar, beber água, fazer um lanchinho quando necessário. Quase chegando, eu falei pra Bernardo: Incrível como esta viagem está tranquila! Não teve engarrafamento. Não senti medo, como costumo sentir de moto em Recife. Não houve estresse. Mas faltando 15 km para chegarmos à praia de Pipa... a moto engasga e pára. Gasolina! Bernardo fala com um rapaz que passa de moto. Este, fala com um moleque que passa numa motoquinha. E eles nos vendem o litro de gasolina mais caro que já compramos. Mas ficamos satisfeitos! Um pouco mais e chegamos a... Tibau do Sul! Vimos a praia tão bonita que decidimos parar por lá mesmo. Bernardo morreu na cadeira. Eu fui tirar umas fotos antes de apagar também. 



Fomos à tarde para Pipa e a primeira coisa que fizemos foi procurar um lugar pra dormir. Pipa tem bastante albergues e hostels, espaço para acampar, hotéis simples e alguns mais luxuosos. Mas em geral, o clima é aconchegante. Os preços são acessíveis, quando não é feriado. Procuramos muito. A grande maioria não tinha vaga ou só aceitava pacotes para o fim de semana todo, muito além do nosso limitado orçamento. Eu já estava preocupada quanto onde dormiríamos quando a dona de uma pousada se compadeceu da gente e disse que ligaria para uma amiga que talvez tivesse vaga. E ela tinha! E nos cobrou 80 reais por um quartinho, no final de um corredor, um lugar sem recepção, com ventilador barulhento. Ainda pechinchamos e pagamos 70 pra sairmos às 11h00 do dia seguinte. Era um teto. Pra confirmar que não exageramos quanto ao estado do lugar, no mercadinho um homem veio puxar assunto com Bernardo e ele disse que estava no pior quartinho de Pipa. E o homem disse: É da Mônica? E não é que era essa mesmo? Mas estávamos satisfeitos.

A noite em Pipa termina bem tarde. A rua principal, Baía dos Golfinhos, fica lotada de jovens bonitos e festivos. Os muitos restaurantes, bares com música ao vivo e lojas ficam abertos até as 23h45. Os preços são bem acessíveis. Jantamos um peixe delicioso, num ambiente simpático, servidos por um argentino bom de papo e uma moça de shortinho de praia. Pedimos um prato que eles dizem ser apenas pra um, pagamos 25 reais e comemos muito bem os dois. A noite é barulhenta e colorida e regada a muito álcool e pelo que percebemos maconha também. A quantidade de estrangeiro trabalhando por lá é surpreendente e dá outras cores e sotaques a essa curiosa praia. 

Durante o dia, os jovens dormem e as praias ficam quase vazias até tarde. Nós aproveitamos a tranquilidade. Na praia do Centro, é proposto um passeio de barco até a Baía dos Golfinhos e promete que o nome da baía não é aleatório. Custava 30 por pessoa, tentamos negociar, mas nada. Fingimos interesse e demos uma olhada nas fotos e no mapa e descobrimos que a baía ficava a uns 15, 20 minutos de caminhada. Claro que fomos andando! 
Baía dos Golfinhos
Chegando na Baía dos Golfinhos, encontramos um mar azul e com algumas ondas. Decidimos alugar um caiaque quando Bernardo percebeu que tinha perdido a carteira. Pensa, pensa e lembra que tinha colocado embaixo do travesseiro antes de dormir. Volta correndo na esperança de a mulher ainda não ter ido ao quarto. Detalhe: para o check-out bastava deixar a porta encostada com a chave dentro. Chegou lá e a porta estava fechada. Sem aquele dinheiro não comeríamos! Ou não voltaríamos. Bom, Bernardo descobriu onde a mulher morava e foi perguntar da carteira. Ela disse que tinha aberto, mas não tinha encontrado nenhum endereço ou dinheiro. Hein? Bernardo disse logo que tinha dinheiro sim, e que se ele não o recuperasse teria que morar no quartinho da mulher, pois não tinha dinheiro para voltar. Ela foi buscar a carteira e a trouxe com uma cédula de 20 a menos e uma de 5 e outras de 2 a mais, colocadas de um jeito que Bernardo nunca coloca. Ela nos roubou, mas nos deu troco! Bom, Bernardo não quis arrumar confusão. A sorte é que tínhamos dividido o dinheiro entre as duas carteiras e que eu sei onde coloco a minha (alfinetada! =P). 

O dinheiro que sobrou deu pra pagar os 15 reais no caiaque e nos proporcionar a melhor parte da viagem. Fomos remando pra longe, entre os barcos e vimos golfinhos! Em seguida, almoçamos por 15 reais, novamente peixe e dividindo pros dois um prato para um. Comemos bem e voltamos satisfeitos com 5 reais no bolso! 
Viajar provoca um cansaço tão gostoso!

* * *

Mais aventura? Veja aventura de verdade aqui.

domingo, 7 de abril de 2013

Primeira ultrassonografia

A primeira ultrassonografia é um momento bastante esperado. Expectativa de ver o bebê, ouvir seu coração, confirmar que tudo está no lugar em que deveria. Você pesquisa na Internet onde se faz e qual laboratório aceita seu plano, encontra um perto de casa e liga para agendar. A resposta é:

"O atendimento para ultrassom é de 7 às 8 da manhã e das 12 às 14, por ordem de chegada."

Desconsiderando os aspectos socio-culturais compartilhados, como você interpreta isso? Como você organiza o seu dia? Os que já conhecem bem o sistema perdoarão a minha inocência, mas pensei que indo às 7 horas da manhã, seria atendida às 8 horas, no máximo. Saí de casa, numa bela sexta-feira, o único dia da semana que tenho pra dormir até mais tarde, e cheguei no laboratório às 7h07. E ele já estava lotado. Peguei a senha e esperei. Em pé. Depois corri pra pegar o lugar de alguém que foi ser atendido. Esperamos, Bernardo e eu. Cochilamos. Conversamos. Ele preencheu um questionário do IBOPE. Eu ouvi a conversa alheia. "Por que não trouxe um livro??" Eu pensava comigo.

Vi o tempo passar ao longo dos programas globais. Bom dia Brasil. Bem-Estar. Ana Maria Braga. Globo Esporte. Se errei a ordem, desculpem a pessoa que só "assiste" à TV de maneira compulsória. Enfim, às 10 horas, fui atendida. Atendida? Bom, eu dei meu nome e entrei numa nova lista de espera. Agora eu não mais esperaria meu número aparecer na tela, mas esperaria meu nome ser chamado. Ou seja, não mudou nada.

Perguntei quantas pacientes havia na minha frente: 23!! Eu não acreditei. Quanta grávida em Recife! Fazendo ultrassom no mesmo dia que eu. E mais bem informadas que eu, pois para aquele povo todo estar lá, é óbvio que eles chegaram antes das 7h. Bom, Bernardo e eu decidimos ir em casa. Pegamos os livros para irmos direto pra aula depois do almoço com tia Nana. Lanchamos. Voltamos uma hora depois e  tinha 10 pessoas na minha frente! Sentamos. Esperamos... Até 11h50, quando fui pra uma sala pequena e nada amigável, deitei e... esperei! Bernardo repetia "Nasty, nasty!" E eu achava que era pela espera. Uns 10 minutos depois, a médica chegou, colocou um gel super gelado na minha barriga e me proporcionou o momento mais emocionante da gravidez até agora. Bernardo parou de dizer "Nasty" pra dizer "Eita, vai ser um lutador! Continue dando proteína pra ele!" E sorria. Eu sorria e dizia "Que lindinho". 

Realmente um momento emocionante e único. Quando saímos, Bernardo disse à secretária: "Moça, tem uma barata no ar condicionado da sala 4". 

Hein?! 

- Amor, por que você não me avisou?
Depois de uma manhã inteira de espera, tudo o que eu queria é fazer o exame. Se eu tivesse te avisado, você teria dado piti. Meu medo era que a médica visse e desse piti também. 
- E se ela voasse pra cima de mim? 
- Ah, eu estava de olho nela. E ela estava bem quietinha, no frio. Sabia que barata adora o frio? Por isso que elas vão para os esgotos. 

oO

Definitivamente, nunca mais voltaremos ao Ultra Imagem, que fica na Rua Amélia, nas Graças, na área nobre da nossa bela Recife. Está aqui o site deles: http://www.ultraimagem.web.br.com/ Passe longe!





sábado, 6 de abril de 2013

Presente de Deus

Assumindo um novo papel no espetáculo da vida.



E novo personagem entrando em cena pra animar ainda mais cada episódio. Seja bem-vindo, pequeno ser intra-uterino!



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...