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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Respira...

8 de outubro de 2013, uma terça-feira ensolarada. Mala pronta. Sacolas com piscina, mangueira, computador, comida. Parecia que a gente ia viajar. Peguei um táxi e Bernardo foi acompanhando na moto.
(Parêntesis) O taxista fez as perguntas de praxe sobre a gravidez e o bebê e disse que a mulher dele estava grávida também. Ela telefonou pra ele logo depois e ele me passou o celular dizendo: "fala aí com ela!" Bom… batemos um papo de uns 15 minutos e trocamos nomes pra adicionar no Facebook, mas nunca o fizemos. E eu lembro mais o nome da mulher?! (Fechando parêntesis)
Uma vez no hospital, esperamos um bocadinho o médico poder vir nos atender. Pra gente, não havia urgência, quanto mais ele demorasse, melhor. Mais chances teríamos de o parto iniciar sozinho. Era a nossa esperança.
Quando fui atendida e examinada, surpresa boa! Quase 4 cm de dilatação. E sem dor. Aquilo era raro num primeiro parto e uma ótima notícia. O médico disse que nem injetaria ocitocina, faria uma manobra mecânica (o descolamento da membrana) e esperaria até o dia seguinte. Dormimos, Bernardo e eu, num grande quarto do hospital Santa Lúcia. Bom, tentamos dormir. Dormi pouco e mal. A ansiedade era grande, apesar de saber que ela não ajudaria em nada.
No dia seguinte, quase 5 cm de dilatação, mas nenhuma contração. Pela manhã, tomei ocitocina. E por volta das 14 horas do dia 9, senti minhas primeiras contrações. Avisamos ao obstetra e à doula, mas sabíamos que o trabalho de parto poderia ser demorado. Tiramos algumas fotos nesse início, depois ficaríamos tão envolvidos no parto que as fotos seguintes só seriam tiradas quando estivéssemos no quarto com Elias. E eu até gosto de aquele momento ser visualmente somente nosso. Algo totalmente novo, visto o quanto gostamos de registrar nossa vida. De qualquer maneira, fica o registro por escrito.
Fui pro chuveiro com água morna enquanto Bernardo enchia a piscina. Eu estava muito bem humorada e falante. Aquelas contrações eram minhas amigas. Eu me gabava, falando pausadamente, com dificuldade, entre os dentes, que eu era capaz de falar durante as contrações. Bernardo e eu ríamos muito. Depois passei horas e horas na tal Partolândia, uma terra pra onde se faz uma viagem solitária, num mar de hormônios. Variei muito as posições. Fiquei na bola, em pé, na banqueta, de cócoras, na piscina, deitada de lado, sentada, de joelhos. A piscina foi mesmo meu lugar de dileção. Entre as contrações, muita conversa, muito bom humor, muita piada. Lembro de falar muito e fazer todo mundo rir. Pena que não registramos, pois eu descobri que sou uma parideira humorista. Ouvi um comentário da neonatologista que muito me agradou. Ela disse que nunca tinha visto uma mulher no estágio de trabalho de parto em que eu estava tão bem humorada. Exagero ou não, aceito a lisonjea.

Durante as contrações, Bernardo ou a doula (nossa querida Dan Gayoso) me davam massagem na lombar e eu fazia movimentos e sons que ajudavam a relaxar. Contração deixa de ser dor quando se aceita e se espera que ela venha trazendo seu bebê. Pra mim, era como um transe. Muito interessante. Cansativo também, claro. O pior não é uma contração, são as idas e vindas. Parto é uma modalidade de enduro. Como uma maratona e quem for achando que é uma corrida de 100 metros, pode acabar pedindo analgesia no meio do caminho. É preciso ter os nervos fortes pra suportar aquele “incômodo” que não machuca, mas não passa, por muitas horas. Eu vi escurecer. Tentava supor a hora, mas não queria saber. Eu me dizia que não importava a hora; eu poderia passar uma vida inteira ali se fosse preciso. Mas não deveria.
Em um momento, exame, 9 cm de dilatação, o bebê estava demorando, mas deveria nascer a qualquer momento. E o tempo foi passando… O bebê passou tempo demais “para nascer a qualquer momento”. Enfermeira, doula, obstetra, neonatologista na sala esperando. Bernardo também, claro. Ele esteve comigo o tempo todo, parindo comigo. Eu fazia força quando as contrações vinham. Eu “procurava” as contrações quando elas passavam. E nada…
Até que o obstetra examinou novamente e conclui que a cabecinha de Elias estava torta e que por isso havia formado um calo, uma protuberância, que o impediria de sair. A solução seria tentar colocá-lo no lugar certo com as mãos. Caso isso não desse certo, deveria ser feita uma cesárea. O obstetra, Renato Grandi, e a enfermeira (sua esposa), Suzely, explicavam tudo, como seria, me confortavam e garantiam que seria o melhor para o bebê. Eu chorava de tensão, de frustração, de medo… Fui pro chuveiro me lavar e me acalmar. Disseram que chamariam a equipe e que eu tinha uma hora ainda. As contrações até diminuíram, mas quando elas vinham, o impulso era de fazer força, mas eu me concentrava para não fazer, morrendo de medo de machucar ainda mais meu bebê. Mas a água me acalmou. Eu sabia que não podia ficar tensa demais. Só então eu perguntei a hora e soube que já era dia 10, às 3 da madrugada.
Bernardo ficou na sala organizando tudo, esvaziando piscina, limpando. Fechando minha caixinha de sonhos de parto na água. Soube depois que ele estava muito nervoso, com pensamentos pessimistas de quem tem medo e uma certa raiva, chegando a preocupar quem estava do lado. Mas isso eu não vi, o que vi foi um marido me acalmando, me passando segurança e muito amor.
Rejeitei a maca e fui andando para o bloco cirúrgico. Dr. Renato me acompanhou, sempre tranquilo e sorridente, sempre tentando me tranquilizar. Bernardo estava se esterilizando e colocando a tal roupinha verde. Entrei numa sala fria, cheia de fios e luz. O médico pediu imediatamente que desligassem o ar condicionado e eu gostei mais dele por isso. Eu estava ansiosa pela chegada de Bernardo. Chegaram todos. Hora da anestesia parcial, pois colocar Elias no lugar mecanicamente seria doloroso. A anestesia teve seu grau de sofrimento, mas imagino que menor. Levei várias furadas, na tentativa de aplicá-la. Eu estava sentada, curvada, com alguém me segurando, forçando minha cabeça pra baixo, eu tendo de forçar a coluna pra trás, e o barrigão no meio dificultando a manobra. Até hoje tenho feridinhas nas costas como lembrança desse momento.
Parcialmente anestesiada, com ajuda, fui para a banqueta. Bernardo sentado atrás de mim me apoiando fisica e psicologicamente. Empurram o bebê e me dizem pra fazer força. Eu não sentia as contrações, mas a barriga ficava toda dura. Fiz força, muita força. Mas Elias não sairia, pois a cabecinha torta o colocava novamente na posição errada. Ouvi a palavra cesareana e chorei aos prantos, com lágrimas e soluços abundantes. Senti muito medo de perder meu bebê, de morrer, de deixar meu marido sozinho... Nesse momento, os batimentos cardíacos do bebê, constantemente monitorados por Suzely, caíram drasticamente e as mesmas vozes que me diziam “força!” passaram a me dizer “respira!”. Uma voz se sobresaiu. Bernardo falava baixinho no meu ouvido pra eu respirar, que o bebê dependia de mim pra respirar. Eu senti muito medo. Falei pra Bernardo que era "trop de responsabilité". Eu estava morrendo de medo de ser responsável pela morte do meu filho por simplesmente não ter respirado como deveria. Eu mantinha os olhos fechados. Falávamos em francês; eu me sentia sozinha com ele. Ele, fungando e chorando comigo, me guiou em direção ao oxigênio. Respiramos a dois, ele ditando o ritmo, respirando forte de tal maneira que eu podia ouvir o ar passando pelas suas narinas e sentir seu peito empurrando minhas costas. Até que o barulhinho nervoso saindo do aparelho da enfermeira tranquilizou a todos. Elias estava lá.
Hora de aplicar novamente a anestesia. A mesma cena e a mesma dificuldade de pouco antes. Dessa vez, a anestesista desistiu e pediu que chamassem a que estava de plantão. Eu não via nada, mas depois soube que a moça estava dormindo e que chegou lá com os olhos vermelhos e a cara de sono. Mas o que vi foi que ela conseguiu de primeira. Para Bernardo tensão. Para mim, somente alívio.
Depois, Bernardo ao meu lado, eu fiquei imaginando em que etapa do processo os médicos estavam. Eu não acreditava que estava sendo cortada… Mas admito, que quando eu menos esperava, eu vi Elias, ainda do outro lado da cortina, ainda ligado a mim pelo cordão, com um chorinho rouco, baixinho. Eu chorava e dizia “Meu filho”. Era 5h20 da manhã do dia 10. Eu via e ouvia Bernardo do meu lado às lágrimas dizendo “Meu filho! My son! Mon enfant !”. “C’est notre enfant !” eu dizia com muita comoção. Eu só sentia uma onda de felicidade me invadir. Tomei um caldo nessa onda, fiquei submersa num mar infinito de muita felicidade, muito amor. Alívio. Enfim! Somente quando o vi, tive a impressão que houvera a possibilidade de não conseguir. Enrolaram-no num paninho grosso verde e o aproximaram do meu rosto. Eu o achei a coisa mais linda do mundo. Disse rindo: “Cabeçudinho lindo da mãe!”
A neonatologista foi cuidar dele e Bernardo os acompanhou, ainda dentro da sala de cirurgia. Depois Bernardo apareceu segurando Elias; uma das cenas mais tocantes que já vi na vida. Eu não me frustrei por não poder pegá-lo. Fiquei tão feliz por Bernardo estar vivendo aquilo. Agradeci a Deus por poder ver aquela cena; os dois homens da minha vida juntinhos. Depois, ele mesmo o carregou até o berçário, onde Elias deveria ficar por umas 3 horas. Elias não sofreu nenhuma intervenção desnecessária, tomou apenas a injeção de vitamina K.
Enquanto isso, eu fiquei lá sendo costurada. Mas eu estava tão feliz! E novamente tagarela. Coitada da Dan, a doula, que ouviu pacientemente a história de quando Bernardo perdeu uma unha da mão e arrancou o restinho pendurado a seco. Lembro de ter falado para Dr. Renato e Suzely capricharem na costura, que eu ainda ia para a praia de biquini e queria uma cicatriz bonitinha. Eu falava e uma assistente reclamava “A moça vai ter muitos gazes…”. Tive mesmo, mas fui muito mais feliz!

Fui pro quarto e encontrei meu pai e minha irmã. Ele ficou comigo no quarto, tentando me fazer não falar. E ela foi ver Bernardo com Elias. Uma hora e meia depois do parto (antes do esperado, graças à sua rápida recuperação), Elias estava lá no quarto comigo. Conosco. Ele mamou rapidinho. Bernardo nos vendo juntos, sentou do meu lado e chorou.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Remendando planos

Elias é nosso primeiro filho. Planejado, esperado, curtido muito, amado desde o ventre por Bernardo e eu. Vivemos a gravidez plenamente, li muito sobre tudo o que envolvia o momento em que vivíamos, fiz esporte, conversei com ele, li, cantei; fui mãe desde que soube da sua existência. E (surpreendentemente?) Bernardo também foi pai desde o início. Foi uma gravidez intensa, de muita paixão. Rendeu muitos textos no blog e uma música (ainda não publicada).

Eu concebi o parto ideal depois de muitos vídeos, leituras, visitas médicas, conversa com parteiras e doulas. Ele consistia em ficar na tranquilidade do lar e receber Elias onde viria a ser o seu lar também. Pintei um quadro com pouca luz, muita água, num ritmo jazz e carinho do marido. Sonhei em amamentar na primeira hora, com a certeza de que meu bebê não passaria por todos os procedimentos rotineiros e nem sempre necessários. Nos preparamos. Alugamos piscina, compramos bola de Pilates, mangueira, baldes, panos, muitos panos. Escrevemos um plano de parto detalhado e decidido. Muita consciência e segurança nas escolhas.

Mas um número errado num exame de glicose veio perturbar a cena. Não sem frustração e choro, o plano foi redesenhado. No lugar de dar à luz abrigada pela parede laranja da minha sala de estar, o diagnóstico de diabetes gestacional me obrigava a fazê-lo entre quatro paredes brancas e frias de um hospital. Nos resignamos, mas empregamos bastante energia (e dinheiro) para garantir um parto humanizado, sem intervenções desnecessárias. O novo plano consistia em ficar em casa acompanhada de uma doula e uma parteira até dilatar uns 7 a 8 centímetros, para então ir ao hospital, onde um obstetra (não cesarista) acompanharia o parto. Mas seria Bernardo quem pegaria o bebê quando ele nascesse. Consegui até que houvesse uma piscina. Piscina era o meu feitiche. 

37 semanas… Elias podia nascer quando quisesse. Mas não quis. 38, 39… O médico disse que por causa da tal diabetes gestacional (mesmo tendo sido rapida e facilmente controlada) não poderia deixar passar de 40 semanas. Elias tinha ordem de despejo. Pois meu inquilino bateu o pé. Foi assim que eu, que não queria nem passar na frente de um hospital para ter meu filho, acabei indo um dia antes de completar 40 semanas, para tomar ocitocina.   

Continua...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ação

Contração.
Ação descontrolada
E violência dada
Entregue
E que o homem enxergue
Que é bicho
De carne e cheiro.
Velhos e filhos.
De orgias hormonais de uma mulher só
E tecnologias brutais, um amor nó
Indecifrável, indisolúvel, imoral
E eficaz.
Elias sai.
Elias vê.
Elias é.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Como agradar uma grávida

Pra não descobrirem acharem que eu sou chata... Resolvi contar um diálogo que tive com alguém muito sensível quando eu estava com umas 28 semanas de gestação...

- Quem você está carregando na barriga?
- Como?

Eu tinha entendido cada palavra e tinha um palpite sobre o significado do enunciado, mas era tão original que fiquei com medo de ter entendido errado. A moça repetiu a pergunta e eu respondi. Em seguida, ela continuou:

- Ele fala bastante?
Hesitei...
- Sim, ele tem movimentos bem eloquentes.

Ufa, aliviada em ver que eu ainda era capaz de manter um diálogo diferente dos esquemas pré-moldados.

Apoie você também a campanha: "Um pouco de originalidade e sensibilidade nas conversas com as grávidas!"

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Como irritar uma grávida

Já faz um tempo que prometi esse post. Imagino que a essa altura da gravidez eu já ouvi tudo o que tinha pra ouvir. Eu espero... Então aqui seguem algumas frases que poderia ter deixado de ouvir nesses últimos 9 meses.

"Como está gordinha..." ou "Engordou quanto?"
Não engordei, ganhei peso; é diferente!

"Que barriga enorme! Tem certeza que não são gêmeos?"
Isso mesmo com 9 meses de gravidez.

"Você é magrinha... será que vai ter passagem?"
Sai pra lá!

" - Você está com quantos meses?
 - 4.
 - Foi bem na época que perdi meu primeiro filho..."
Diálogo verídico! =O

"Já sabe o que é?"
Isso se referindo ao sexo. Já respondi "ser humano".

"Pela barriga é menino. Pela barriga é menina."
Bom, são sempre 50% de chance! Muito, muito chatos esses palpites que todo mundo acha que tem que ter e emitir.

"É menino? Eita, o pai é que ficou feliz, né?"
Ao que respondi: "E a mãe também, claro".

"Já imaginou se quando nascer, descobrir que é uma menina?"
Digo logo que em cada ultrassom que fizemos, o sexo dele foi a primeira coisa que ele mostrou.

"Vai querer parto normal?! Ai... eu sofri tanto..."
E a pessoa conta a tragédia do seu parto. As pessoas podem ser tão insensíveis...

"Ah, ele vai nascer no dia XX, que é pra nascer no meu aniversário."
Bom, ele com certeza vai nascer no aniversário de alguém...

Ouvi muito comentário sem-noção, principalmente quanto aos perigos do parto normal. Tive que fingir que tava estava ouvindo muita conversa, enquanto deixava entrar por um ouvido e sair por outro...

É verdade que no início eu detestava que pegassem na minha barriga. Mas com o tempo, à medida que ela foi se esticando, a sensação de tato da sua pele mudou bastante. Hoje, não ligo mais. Mas pessoas próximas ainda, por favor!

Se você já me disse uma dessas frases, não se sinta visado. Na maioria dos casos o que cansa é a repetição. Uma boa parte são coisas que se diz sem nem mesmo pensar... é sistemático. Além do mais, eu entendo que seja uma maneira de puxar assunto com uma grávida... Eu sou chata mesmo. Mas digo logo que muitas não gostam, mas não ousam falar! Eu mesma sou mestra na arte de sorrir diante dessas mesmas frases. Um pouco de hipocrisia é o óleo que permite que a engrenagem das relações interpessoais funcione mesmo... 

sábado, 28 de setembro de 2013

Diário de gravidez 4 - 38 semanas

Estou com 38 semanas e meia agora. Esse deve ser o último diário de gravidez de Elias. Em breve terei o prazer de contar do parto e dos prazeres de ter no colo meu bebê. 
Fazendo o balanço desses 9 meses, posso dizer que tudo se passou tranquilamente. Houve alguns sustos graças ao erro de uma enfermeira na França, mas nada demais. A enfermeira obstetriz (sage-femme), quando fui a uma consulta apenas pra desencargo de consciência, após um exame de toque desnecessário arregalou os olhos e disse que eu estava com o colo do útero muito aberto, que néao poderia assistir às aulas, nem pegar trem, muito menos avião. Ela falava de maneira contundente, firme e forte. Como disse, seus olhos estavam arregalados. Fiquei em pânico. Eu estava sozinha, não tinha ninguém em Nantes, longe do marido. Ela me mandou pra emergência da maternidade. Saí de lá andando, sozinha, aos prantos no meio da rua. Ainda peguei dois bondinhos. Chegando lá, espera. Depois fui atendida por um enfermeiro, em seguida por uma enfermeira que o rendeu. A conclusão desta era menos alarmante que a da primeira, mas ainda sim eu precisava ser cuidadosa (segundo os exames). Mas pra poder me liberar, ela achou melhor mostrar os exames pra obstetriz de plantão. Que por sua vez não se contentou dos exames e resolveu vir me examinar pessoalmente. Lá vou eu passar por tudo de novo... Mas pelo menos, ela me passou segurança, pela idade e pela atitude. Ela perguntou pra enfermeira, mostrando meu útero na tela do computador, onde danado ela tinha visto que meu colo estava aberto. Conclusão: colo fechado, tudo perfeito. Saí da emergência às 23h00, sozinha, mas agradecida a Deus. No final, foi apenas um susto e o jantar de despedida com os professores que eu perdi. 
Continuemos o balanço desses 9 meses... 
Os enjôos se foram com o primeiro trimestre, assim como a azia. No último trimestre o que apareceu foram cãibras extremamente dolorosas que me acordavam no meio da noite, mas depois até isso passou. O incômodo do momento é uma pequena falta de ar que me pega quando fico deitada de costas por algum tempo. Fora, claro, o peso a mais pra carregar: 16 Kg. Minha relação com o ganho de peso mudou muito no decorrer da gestação. Encontrei num livro um tal de ganho de peso ideal e coloquei na cabeça que devia seguir à risca. O problema é que ganhando peso logo no início, como o livro sugere, fica-se com pouca margem depois. No início fiz esforço pra ganhar e depois tive que fazer esforço não ganhar tanto. Esforço demais à toa, talvez. Além do mais, durante o mês na França não tive acesso à balança. Sem contar que só comi besteira, muita coisa doce, biscoito, bolo, geléia, sorvete, o que me fez sair do "peso ideal" e ainda alterar brevemente minha taxa de glicose. Troféu joinha pra mim que não soube controlar a deprê de estar longe do marido de uma maneira menos "Magali". Bom, já me perdoei, as taxas já estão no devido lugar e os 16 Kg mantidos, não sem um certo esforço, são bem aceitos por mim. Sinto-me bem, faço Pilates em casa, caminho uma hora umas duas vezes por semana e cozinho e lavo louça (apesar da posição toda tronxa pra não esmagar a barriga na pia). Ah, e amarro meus tênis sozinha! (Lembro de uma amiga dizendo quando eu estava no início da gravidez que nem isso conseguia fazer e eu fiquei aterrorizada com a ideia). Não me sinto gorda, ganhei perna, e um pouco de bochecha (mas sempre fui bochechudinha). Ah, ganhei também, hélas, umas estrias vermelhinhas nas coxas (coisa que nunca tinha tido). Mas admito que não teria sido nada mau ter ganho uns 11 Kg somente. Mas bom, essa história de ganho de peso é tão relativo. Pra me consolar, li em outro lugar que pro meu IMC o ganho máximo ideal era justamente 16 Kg. Até que foi um ótimo consolo. 
Elias ainda se mexe muito. Se antes eram chutes repentinos, que chegavam a me dar susto algumas vezes, agora são longos "empurrões". Como ele já está de cabeça pra baixo, onde estão os pés, do lado direito, sinto às vezes uma saliência pontudinha. Onde está o bumbum, às vezes sobe um mondrongo. Parecem movimentos sísmicos outras vezes. Muito comum também é ele ter soluços, o que me incomoda demais. Nesse momento, leio menos sobre gestação; tenho a impressão que o mais importante já li. Me informei muito sobre procedimentos neonatais e tive a chance de ficar horrorizada com a neonatologia praticada no Brasil. Diminuí também o número de vídeos que vejo, pois começo a ficar ansiosa e agora choro demais de comoção. Sonho frequentemente com o parto, que eu queira ou não. Aliás, a gravidez foi pontuada por sonhos dos mais estranhos. Lembro de um de quando eu estava na França em que eu tinha o bebê sozinha, prematuramente. Quando eu o via, ele não tinha nem braços nem pernas, então eu naturalmente, simplesmente, sem nenhum sentimento ruim, disse "ele ainda não está pronto" e coloquei de volta dentro da barriga. Apenas uma vez acordada é que o sentimento de estranheza me tomou; durante o sonho tudo era muito normal. Nem posso dizer que foi um pesadelo. 
No terceiro trimestre também vi minha fome aumentar. Mas hoje eu bati meu recorde e consegui surpreender o marido: Cássia e Pedro vieram jogar aqui em casa e trouxeram duas pizzas pro jantar e eu fui quem mais comeu! Isso nunca tinha acontecido antes. Todo mundo parou de comer e eu ainda estava lá. 5 fatias no total!   
Quanto ao dia do parto... calma, pessoal... não é cesária, não tem nada na agenda. Elias é quem vai dizer quando ele estará pronto. Pode ser ainda hoje. Pode ser daqui a duas semanas. Então, segurem a onda =P Depois eu venho contar como foi o parto. Claro que está planejado, com direito a plano de parto e tudo. Mas como nunca sai exatamente como previsto, melhor contar os fatos depois. 
Detalhe, se há algo que aprendi é que cada gestação é única. Minha cunhada está na segunda gravidez e tem sido completamente diferente. Por isso, o objetivo é apenas contar uma experiência particular. 


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Nantes e a residência universitária

Residência Fresche Blanc
Cheguei em Nantes na segunda, dia 1 de julho. Perdi a primeira aula, mas segundo os colegas não perdi nada além daqueles ritos de primeira aula, apresentações, etc. Emilie levantou cedo na segunda, apesar da noite mal dormida graças ao seu pequeno Thibaut (se pronuncia "tibô"), para me dar um abraço de despedida. Seu marido JA me levaria para a estação ferroviária. Saímos um pouco atrasados, pois ele tinha pegado no sono novamente quando sua esposa foi perguntar se ele estava pronto. Assim minha aventura começou naquela segunda-feira, correndo nos corredores carregando meu barrigão, enquanto JA carregava minha mala e minha mochila. Não perdi o trem, ufa.
Mas como no ano passado (quem lembra?)... aquele era só o começo de um longo dia... Na verdade pra encurtar a historia, fiz o mesmo percurso que ano passado, com apenas um trem a menos, devido a um atraso de 1h30 do trem em Saint-Pierre-les-Corps devido a um "acidente de pessoa" (o que quer que isso queira dizer exatamente).
Cheguei em Nantes ainda de dia. Encontrei fácil a residência onde passaria um dos meses mais difíceis da vida. A residência é confortável. Quartos de 9 m², algo ao qual eu já estava acostumada. O banheiro, dentro do quarto e uma cozinha comunitária por andar. Tirei poucas fotos. Na frente do armário estava a cama. O banheiro fica à direita da porta de entrada. A residência tem ainda uma sala de TV, outra de informática e uma sala de jogos. Custa, no verão, 300€. Meio carinha se comparada a Clermont (onde pagávamos 210€, na época). Mas Nantes é mesmo uma cidade maior.






quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Clermont-Ferrand

Na terça-feira, Mel, Luigi e eu pegamos a estrada de carro em direção a Clermont-Ferrand, onde Mel passaria a noite para seguir até a casa dos sogros em Châteauroux. Os amigos que puderam conhecer Mel atestaram atônitos: "É Bernardo de saias!" E realmente se parecem. 


Em Clermont, descansei bastante. Só fiz ir de casa em casa pra rever amigos e comer. Tudo isso sendo muito paparicada por todos; não peguei ônibus em nenhum momento. Tirei poucas fotos de algumas pessoas apenas. Eu não me sentia a turismo ou de férias. Andar nas ruas de Clermont foi como estar em casa. Eu quis apreciar os momentos com os amigos, como que num fim de semana qualquer. Foi interessante, apesar de não ter registro em imagem. Fica a memória. De qualquer maneira, eu estava num clima diferente. Simplesmente não queria fotos.  
Clermont me evocou boas lembranças e ao mesmo tempo jogou na minha cara a ausência do marido. Mas só ela terá a afeição do primeiro amor. Foi nas terras sinuosas do Massif Central que fundamos os alicerces do nosso casamento. Em Clermont senti muita saudade. O jardim Le Coq, a loja Go Sport (onde compramos 3 bicicletas e nossos equipamentos de inverno), as ciclovias, o majestoso Puy-de-Dôme, todos me olhavam surpresos. Parecia que cada canto da cidade me indagava o que eu estava fazendo lá sem Bernardo. Pergunta verbalizada por cada amigo, cada irmão da igreja, uma certa menininha linda chamada Esther tentando me matar do coração ao perguntar com os olhinhos caramelo e derramados: "Quando é que que Bernardo vem?" O grande-pequeno Nathan incarnou a revolta e admitiu ao pai que preferiria que Bernardo tivesse ido no meu lugar. Como se chatear com da sinceridade infantina, principalmente diante de tamanha afeição a um ser que tanto amo? 
Foi em Clermont que tivemos que trabalhar pra sustentar uma casa e uma família pela primeira vez. Onde batalhamos pelo nosso sonho. Onde vimos neve pela primeira vez. Onde aprendemos a lidar com a rotina num casamento e a quebrá-la também. Onde elaboramos os projetos mais mirabolantes como ir de bicicleta pra Suíça em pleno inverno. Onde aprendemos a dormir coladinhos numa cama de solteiro. Onde descobrimos um mundo de jogos de tabuleiro e eu descobri que ele é um mau perdedor tal qual a mãe (alfinetada!). Onde instauramos o carinho matinal, a oração antes das refeições e os passeios de madrugada. Onde eu descobri que ele fala enquanto dorme. E ele descobriu que meus músculos tem uns espasmos nervosos quando eu durmo e nomeou carinhosamente isso de "brilhar como estrela". Onde ele descobriu que eu poderia ser uma viciada em faxina e eu entendi o desespero de Mel com a bagunça dele. Onde eu aprendi a correr e a pedalar. Também onde quebrei a mão pela primeira vez. Onde aprendemos a depender da graça de Deus. Onde aprendemos a servir a Igreja de todo o coração. Onde fizemos amigos pra vida toda. Onde vivemos a alegria e a tristeza de uma primeira gestação interrompida. Onde descobrimos que eu também prefiro a montanha. Onde eu o vi apender bateria. Onde organizamos grandes eventos juntos. Onde tivemos nossas piores brigas pelas maiores besteiras e onde aprendemos a lidar com isso. Onde ficamos presos no elevador depois de um mês especialmente difícil. Onde experimentamos a solidariedade de amigos e de quase desconhecidos também. 
Clermont foi uma escola onde aprendemos muito. Bom saber que voltaremos ainda muitas vezes, pois os amigos que fizemos não ficaram confinados nas boas lembranças.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Passeio em Marseille


No dia seguinte ao pulo fomos a Marseille, segunda cidade mais populosa da França e a mais antiga. Bancamos os turistas, andamos no "trenzinho", visitamos os principais pontos que o guia quis nos mostrar. Foi bom, não nos cansamos muito e um passeio desse tipo pra gente só com criança pequena e uma grávida cansada; ou seja, não acontece muitas vezes na vida. 

Descobri que a ilha em que se passa a historia de "O Conde de Monte Cristo" fica em Marseille. É sempre bom dormir menos ignorante... 

Visitamos a igreja "Nossa Senhora da Guarda" que fica no topo de um monte velando a cidade.

E conheci a força do lendário "mistral". "Mistral" é o nome de um vento que sopra no sul da França e é forte o bastante pra nos empurrar. Realmente perigoso. E graças a ele presenciei uma cena cuja imagem ficou um bom tempo na memória. Quando subíamos as escadas, duas senhoras tentavam descer segurando, em vão, as saias. Acabaram desistindo e deram meia-volta se concentrando em segurar a parte da frente da saia. O que vimos não foi das cenas mais belas da viagem, mas nos rendeu boas risadas e conversas do tipo: 
- Mel, ela estava sem calcinha?!

- Não, Cecilia, você não viu? É que era pequena mesmo... 
Ok, voltemos a Marseille. 
Bom, voltemos pra sair, porque o casal Takaya não ia me deixar ter um passeio ordinário de trenzinho e pronto. Mikael botou na cabeça de ir pra Cassis e nós o seguimos. Xixi no mato. Sol. Pedras escorregadias. Tira sapato. Machuca o pé. Anda bastante. Mas a vista compensou o esforço... 







 A noite, em casa, nada como uma bela raclette fora de época pra recarregar as baterias!


terça-feira, 9 de julho de 2013

Gravida radical


Subi lentamente nas pedras. Cheguei perto da beirada para avaliar a distância das pedras, quão longe eu deveria pular, se não havia risco de alguma onda me empurrar contra a rocha, etc. Senti medo, muito medo. Mas Mikaël e Mel já haviam pulado e tinham sobrevivido, por que não eu? Além do mais, racionalmente, tudo parecia seguro, dada a circunstância. Afinal, seguro mesmo é não sair da cama. E incrível como não conhecemos o próprio corpo. Passamos uma vida inteira sem usa-lo como poderíamos e temos a impressão de não sermos capazes de fazer as coisas mais simples, às vezes.
Vendo o vídeo, percebo o pânico nos meus olhos. Os meninos me incentivavam. Eu queria muito pular! Deixo claro que a iniciativa foi minha, eles insistiram uma vez que eu estava na beira da pedra, hesitando a pular. Mikaël pressionava: "Posso parar de filmar?" Ao que eu respondia firme: "Não!" Mel decidiu pular comigo pra me encorajar. Contou até 3 e... pulou sozinha. Não consegui. Mas desde o inicio da contagem eu tinha percebido que não pularia.
Eu sentia um desejo profundo de ultrapassar os limites, de mostrar pra mim mesma que eu era aventureira, de fazer essa surpresa pra Bernardo. Ao mesmo tempo, um medo gigante de ser imprudente e machucar aquela criaturinha indefesa à mercê dos meus caprichos e, por outro lado, medo de perder a oportunidade de viver algo único com Elias por excesso de cuidado. Como saber? Eu precisava tentar! 
Assim, apos quase 8 minutos de análise, hesitação, conversa metade em francês metade em português. Comecei a contagem e sabia que pularia. Pulei gritando. Mergulhei fundo, gostoso, sem medo e esperei o momento em que meus pés tocariam o chão, mas não. Fui apenas desacelerando e quando a agua fez resistência o bastante para conter o mergulho, nadei em direção à superfície. Nem sombra do medo. A agua estava bastante gelada. Logo depois Mel pulou pra me acompanhar. Eu gritava: "meu Deus, eu pulei!" Poucas vezes me senti tao viva! Descobri que o Mediterrâneo é muito mais salgado que o Atlântico. Minha pele ardia no rosto, nas pernas. O frio impelia a nadar pra fora d'água. 
No final, a dedicatória aquele sem o qual eu nunca teria forjado a Cecilia que sou hoje: "Bernardooo!"

sábado, 6 de julho de 2013

Praia de la Couronne

Minha estada em Martigues foi agitada e acompanhada de muita comida. O casal anfitriao tinha dois objetivos: me apresentar lugares novos e me alimentar. O que mais querer da vida? Sàbado a noite colocamos o papo em dia e no domingo pela manha fomos à Igreja. O sol estava presente, assim como umas aves que estao em todo lugar em Martigues e que fazem um barulho original, às vezes parecendo o choramingar de um bebê. A Igreja é pequena e acolhedora, as pessoas sao muito simpàticas. No final do culto, vàrias pessoas vieram falar comigo, pra conhecer a cunhada de "Mélanie" (como Mel é conhecida por là). 
Pro almoço: galeto e muito purê de batatas com muito queijo, feito por Mikaël.
A tarde: praia! Admito que chegando là, Mel e eu tiramos a maior onda. Olha o espaçozinho! Cadê a areia branca e fininha? Como é dificil andar por essas pedras!

Plage de la Couronne
 Mas andando um pouco, a paisagem foi se abrindo, o mar se mostrando e enchendo a vista.

 


Encontramos um cantinho agradàvel nas pedras e nos instalamos. Mikaël subiu logo numa pedra pra pular no mar. Dava pra ver que ele tava em casa... Mel dizia pra ele nao pular. Mas quando ele pulou, ela disse "Droga, Mika, agora eu vou ter que pular também!" E là foram os dois, me deixando com Luigi. Esse menino tem pais radicais mesmo!

 
Quando eles pularam, pensei: "Droga, eu também queria pular!". Por que nao poderia? Falei com o casal. Mel disse que nao faz nenhuma pressao na barriga em especial. Decidi que seria uma gràvida radical, que Elias amaria viver aquilo comigo! Subi as pedras... Olhei os três metros de "abismo"... Pulei? Resposta no proximo post =P

* * * 


Ah, perdoem os acentos tortos... Teclado francês combinado com falta de tempo.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Chegando em Marseille

A espera em Frankfurt foi especialmente longa, mas depois o vôo durou apenas 1h30. Passou num piscar de olhos, literalmente. Não deu tempo nem de passar o efeito do Dramim. Mas melhor assim, pois o aviao era menor e por isso balançava um pouco. Além do mais, eu estava na janela e do meu lado tinha uma senhora de muleta. A ùltima coisa que eu queria era incomodà-la. Apaguei e quando abri os olhos, estava em Marseille às 18h15. Estava feliz, jà me sentindo em casa. Estava segura, afinal quando eu saisse Mikaël estaria là me esperando pra me levar de carro para uma casa onde nunca estivera, mas cujos donos eu conhecia bem e amava. Qual não foi minha decepção quando não encontrei ninguém. 
Bom, o aeroporto era pequeno, então, depois de esperar um pouco, dei uma volta. Nada. Sentei. Esperei. Ninguém. Fui testar a Internet e descobri que além de mais barata, funcionava. Avisei a Bernardo que tinha chegado. deixei recado no Face. Liguei pra Mel, mas so ouvi um "Takaya!" da mensagem eletrônica bem uga-uga feita por Mikaël. Ouvi "Tekaya!" mais umas 4 vezes. Deixei recado. Escrevi e-mail. Bernardo escreveu: "Não esqueça sua cunhada no aeroporto". 
Quando deu 20h15 eu jà tinha comprado comida e sentido muita coisa. Raiva de mim, por ter ido para um lugar completamente desconhecido contando com a ajuda de terceiros, sem ter um plano B. Raiva dos Tekaya, que teriam se distraido na festa de Luigi. Preocupação com os Tekaya, que teriam um problema gigante e por isso não tinham podido ir me buscar, nem mandar um e-mail avisando. Até que parei de sentir e comecei a pensar. 
Fui até o balcão de informações pra saber como chegar em Martigues. A moça não tinha a informação, mas foi simpàtica e dedicou tempo a procurar o ônibus, depois procurar um site que indicasse os horàrios. Achou. A informação não era das mais reconfortantes. O ùltimo jà tinha saido e o proximo somente no dia seguinte às 8h30 da manhã. Perguntei se o aeroporto ficava aberto e jà estava resignada a dormir por là mesmo. Uma hora, Mel ia chegar! Peguei as informações caso chegasse a ser necessàrio. Dois ônibus, um pra Aix-en-Provence e outro da linha 39. Tudo anotado. A moça me olhava com piedade e perguntou: "Eu tô sonhando ou você està gràvida?" Sorri e confirmei. 
As moedas que eu tinha trazido do Brasil jà tinham acabado e eu jà tinha quase acabado as moedas que trocara a pouco, tudo usando a internet e o telefone. Resolvi tentar pela ùltima vez. E encontrei um e-mail de Mikaël dizendo o outro celular de Mel e que ela estava a caminho. Liguei pra moça e ela tinha acabado de chegar no aeroporto. Nos encontramos fàcil, pois é realmente pequeno. Antes, Mel ainda tomou um susto ao ver uma mulher de cabelos cacheados e beem grande. ela admitiu que pensou "Nossa, tomara que não seja Cecilia". Disse que ficou aliviada ao me ver magrinha! Bom, magrinha com uma bola de basquete na barriga. Mas aparentemente o susto tinha sido grande. 
Abraço de boas-vindas. Mil pedidos de desculpas pela espera de quase 3 horas. a explicação? A danada, apesar de ter recebido duas vezes o e-mail com os horàrios do vôo, tinha colocado na cabeça que eu chegaria às 22h30. Mas bom, cheguei em casa, encontrei um sobrinho abusadinho (por causa dos dentinhos), mas fofo de morrer e um bolo de frutas delicioso. Conversamos horas entre sorrisos. Acordei no dia seguinte com uma vista dessas:

Tem como não perdoar? 

terça-feira, 25 de junho de 2013

gràvida a bordo!

Viagens longas jà são por si so cansativas. Para gràvidas, então, pode ser muito desconfortàvel. Conversei com minha obstetra e, pra variar, pesquisei bastante em blogs na tentativa de tornar a minha viagem o menos traumàtica possivel. E consegui.
A minha primeira medida foi tomar Dramim. Pois a ùltima coisa que eu queria era correr o risco de enjoar no avião, muito menos vomitar. Então, assim que eu sentava na poltrona, o sono ia logo batendo e eu apagando. A viagem acaba sendo "mais curta" assim. Antes do avião decolar, eu jà cochilava. Eu acordava so pra comer, me esticar e ir no banheiro. Nos dois vôos acordei com o impacto dos trens de pouso no chão ao aterrissar e depois ainda voltei a dormir, acordando apenas quando o avião parava completamente. Isso ainda traz o beneficio de chegar "em forma" na destinação. 
O segundo ponto a analisar, era o melhor assento para gestantes. Não pude escolher na hora da compra, pois sairia mais caro e a ordem era "contenção de despesas!" Planejei pedir pra trocar com alguém na hora mesmo. Então, no primeiro vôo, a namorada do rapaz que estava sentado do meu lado, estava bem no melhor lugar para gestantes e ele me perguntou se eu me importaria de trocar de lugar. Quase não acreditei. Eu nem precisei procurar, nem pedir. Veio de presente nas minhas mãos, tão facilmente. Impressionante como Deus cuida de mim. Um dos motivos pra eu apreciar tanto viagens é que saindo da minha zona de conforto, consigo ver melhor o cuidado de Deus. Claro que o cuidado dEle é constante, mas eu sou cabeçuda pra enxergar isso, como muitos por ai. O lugar em questão era na primeira fila, onde tem mais espaço para esticar as pernas, do lado do banheiro, o assento no corredor. Assim, tive muito mais conforto. Pude variar as posições ao longo das 10 horas de vôo. Me alongava, levantava, botava as pernas pra cima apoiando os pés na parede, caminhava. Além do mais usei meia de compressão, indicada para evitar varizes. O ùnico problema com relação a esse lugar, e que me deixou um pouco impaciente, é que as pessoas querem passar por ali e acabei levando alguns sustos quando alguém enconstava no meu pé ou no joelho sem querer. Pior quando uma mulher me acordou pra pedir pra eu tirar as pernas (que estavam pra cima, na parede) do caminho pra poder passar. 
Outro cuidado que tomei foi de levar os principais exames da gravidez, junto com um atestado da minha obtestra autorizando a viagem. Cada companhia aérea tem suas regras, mas a maioria permite viajar com até 8 meses (algumas vezes pedem autorização nesse periodo, mas nem sempre). Antes dos três meses é contra indicado. A melhor fase mesmo pra se viajar é entre os 3 e os 7 meses. Elias està com quase 25 semanas. Voltarei com 30, um pouco mais de 7, mas ainda dentro do prazo da companhia aérea. Tudo planejado. Agora me resta continuar cuidando de mim e dele pra ele nascer no momento devido, como indicam os exames pré-natais.
O ùltimo ponto pra mim é vàlido pra qualquer um que viaja: usar roupas confortàveis! Comprei um bom par de tênis, confortàveis e leves. Uso sempre roupas folgadinhas e de tecido agradàvel. Carreguei também pouco peso. Coloquei na mala e na mochila somente o necessàrio, sem esquecer a garrafinha d'àgua e a escova e pasta de dentes. :)
Resumindo: o segredo para uma viagem tranquila é um viajante leve e bem informado. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Das mordomias da gravidez

Eu sou uma pessoa chata. Obviamente, sou uma gràvida chata também. eu conheço meus direitos e faço questão de usufrui-los enquanto posso. Assim, desde que a barriga começou a ficar evidente, eu não sei o que é fila. As vezes até abuso um pouquinho. Outro dia estava no cinema e decidi ir ao banheiro antes do inicio do filme. Como não hà nada de original nisso, uma dezena de mulheres também estavam là. Admito que não era urgente para a minha bexiga, mas fiz pose de gestante sofrida e fui avançando ao lado da fila. Cheguei pra duas adolescentes que estavam na vez e pedi para passar na frente. Elas olhavam pra minha cara (de quase tão adolescente quanto a delas) atônitas. Expliquei com um sorrisão simpàtico nos làbios: "é que o bebê faz pessão na barriga. Um dia vocês descobrirão como é". Seus olhinhos encontraram minha barriga e as cabeças balançaram afirmativamente. Não ouvi suas vozes. Não sei se era timidez ou estupefação. 
Hoje, ninguém me faz passar muito tempo em pé na fila. Onde chego, pergunto logo qual o caixa preferencial. No banco, nos guichês, etc... E aeroportos. Essa tem sido a melhor parte da viagem. Filas nunca mais! Pois depois terei prioridade por estar com criança de colo. E depois, gravidez de novo. Vida boa...

* * * 

Fim dos escritos no aeroporto de Frankfurt. 

domingo, 23 de junho de 2013

A màquina do Mal

O tédio està batendo com força. Estou no aeroporto. Ainda. Não são nem 15 horas. Não quero andar por causa das dores. Desisti do livro justo quando ele tava ficando interessante porque me deu alergia devido ao cheirinho de mofo que trouxe do Brasil. A internet desse lugar comeu 2 euros meus pra me enrolar, recarregar a pàgina, me mandar baixar o google chrome. so fiz ter raiva diante daquela màquina, que se encontrada em vàrios pontos do aeroporto de Frankfurt com a ousada inscrição "INTERNET". 


O minuto custa 0,17€, o que não é caro em si, mas a questão é o que se faz em um minuto. Eu tinha 12 minutos para escrever para o marido e mandar noticias ràpidas pelo Face, mas a unica coisa que consegui foi mandar um e-mail pra Bernardo dizendo: "to em Frankfurt. Internet péssima. Love." Esse telegrama em 12 minutos! Por 2€!  Eu paguei menos por uma espécie de croissant de maçã com amêndoas delicioso! 
Em todo caso, fica o aviso. Essa màquina é do mal. Você fica com cara de bobo assistindo impotente o seu tempo e dinheiro indo embora dançando zombeteiros uma ciranda detestàvel.  

* * *
Da série: me ocupando em Frankfurt. 

O desafio

Via de regra, quem parte para 10 dias de férias, para um pais onde se tem muito e bons amigos, leva um espirito alegre. No aeroporto, meu pai, Càssia, Pedro e Bernardo estavam sorridentes e falantes. E o bom humor deles me incomodava, apesar de fazer bem. Eu estava longe de estar alegre, eu estava mal-humorada demais. Eu queria ter passado mais tempo com o marido, mas o trabalho não deixou. de qualquer maneira eu tinha muito o que fazer. Trago duas blusas um pouco umidas na mala porque lavei roupa um dia antes da viagem. Esse é mesmo meu carma desde a viagem para a Polônia. 
Nunca entrara na parte de embarque tão tarde. Fui uma das ùltimas a entrar no avião. Eu queria adiar o màximo possivel a separação. Mas a hora chegou, e não foi sem làgrimas nos olhos que abracei Bernardo dizendo que não queria ir sozinha. Um dengo so. Olhando a cena agora, vejo o quanto "menininha" estava. Mas não me acuse, leitor, eu tenho uma resposta infalivel e que serve pra tudo:
"é a gravidez!"
A resposta e a atitude de Bernardo me deram força. Ele respondeu com um forte abraço dizendo:
"Eu te amo por quem você é. E você é uma aventureira!"
So agora eu entendo a surpresa de muitos quando eu dizia que ia viajar sozinha por 40 dias. Uma grande amiga (Emmanuelle, pra quem conhece) disse: "Fico feliz em ver que você continua a fiel a si mesma: uma batalhadora." Quando li, pensei: "Exageraa...da". O sogrão, por sua vez, perguntou se eu não tinha a possibilidade de adiar a viagem. Na hora, respondi que "não" sem pensar. Mas na verdade nunca cogitei essa possibilidade. Eu planejei viajar e terminar o Mestrado 2 gràvida. Não, não foi um acidente. Apenas mais um projeto mirabolante dos SOUSA.
Admito que eu não achei que seria tão dificil. Que eu so faria dormir durante os 3 primeiros meses. Que eu so pensaria em ultrassonografias, desenvolvimento fetal, Pilates e comida nos meses seguintes. Nem que Elias traria consigo uma torta de hormônios das mais doces. Carência level up!
Mas eu não desisto. Eu sei quem sou. Bom ter pessoas que me ajudam a lembrar quando esqueço. O apoio de Bernardo tem sido decisivo. E eu acho que Elias vai gostar da aventura vivida comigo. Afinal, a aventura é dele também. A primeira de muitas. E é por ele também. Quero que ele sinta orgulho da mãe que tem. 

sábado, 22 de junho de 2013

Esperando em Frankfurt

Portão A6, aeroporto de Frankfurt, antes do meio-dia. O vôo chegou às 10h00 (horàrio local) e o seguinte parte apenas às 16h40. Alemão zunindo nos ouvidos. Màquina de chocolate quente gràtis. Dor na lombar e nas pernas. Mais 4 horas de espera pela frente. 

Elias esteve quieto a maior parte do vôo, dando-me uns chutinhos gostosos de "bom dia" pela manhã. 

Sem computador. Com um livro que não me prendre entre as mãos. 

 * * * 

O que fiz? Escrevi muito a mão. Digitarei tudo em breve e compartilharei por aqui. Nesse momento estou na casa de Mel e Mikaël. Jà brinquei um pouco com Luigi. Jà tomei um banho morninho. Amanhã o plano é conhecer Martigues e encontrar irmãos na Igreja Batista daqui. 

Até breve. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

40 dias de deserto

Muitos dizem que quando se casa, perde-se a liberdade. É verdade que aceitamos e queremos algumas limitações. Mas com relação aos estudos e à carreira, o casamento no meio da graduação em nada nos atrapalhou. Pelo contrário, nos fortalecemos e nos icentivamos mutualmente a crescer. Dou graças a Deus pelo marido que tenho. Marido que me instiga a avançar, que me apóia e se alegra com o meu sucesso. Faz parte disso passar um tempo separados devido a viagens, eventualmente. 

Lembro da primeira, logo no início do namoro. 10 dias de férias em Noronha. As más línguas dirão que é pouco, e que passa rápido, mas amargamos uma grande saudade que rendeu lindos poemas da parte do apaixonado namorado. Percebo também que a duração das viagens vai aumentando. Depois passei 15 dias na Polônia pro Mestrado 1. Ano passado, uns 35 dias na França pro Mestrado 2. E em algumas horas estarei eu novamente num avião, longe da minha metade, com longuíssimos 40 dias de distância pela frente. Nunca estive tão dividida quanto a uma viagem. Nunca amarguei tanto a saudade com antecedência. Nunca quis tanto que o tempo parasse um pouco antes de eu partir. 

Percebi que é recíproco e ele confirmou. Desde o fim de semana um mau-humorzinho acompanhava o marido. O diagnóstico: saudade antecipada. Ele me faz um carinho efusivo na barriga e diz: "Volte logo com Elias. Traga Elias logo pra perto de mim."


segunda-feira, 10 de junho de 2013

O sexo do bebê - mistério resolvido!

Lucilo d"Ávila, às 13h00. Hora marcada, ok. Antes de sair de casa fiz uma check list e tudo estava ok: carteirinha do plano, dinheiro, receita da obstetra, olhar no google maps o melhor caminho, sair com 1 hora de antecedência. Esqueci de colocar o DVD pra gravar, mas chegando lá, ele estava na bolsa. Ufa... Bom, esperamos por quase 2 horas. Mas nosso humor estava quase inabalável. O meu se abalou um pouco quando Bernardo, faminto, decidiu ir buscar algo pra comer e eu fui chamada bem na hora. Mas falei com uma moça lá e pude entrar quando Bernardo voltou, pouco tempo depois. 

Tudo dando certo. Parece que era pra ser hoje mesmo. 

Fomos bem atendidos, com boa estrutura e pela simpatia e competência da Dra Rosângela Falcão, que foi nos informando de tudo, comentando o que via, mostrando cada partezinha do nosso baby. A primeira que ela viu foi o... Ele não fez mistério quanto ao seu sexo. Assim que o instrumento foi colocado na (sobre) minha barriga, ele estava virado pra gente, de pernas abertas, como quem diz "Olha aqui o que vocês tanto querem ver". Depois se remexeu bastante, mudou de posição, bocejou, estirou uma perna, dobrou outra, intercalou a posição delas. Esse não nega a filiação de jeito nenhum. Também com os pais agitados do jeito que são, criança calma é que ia ser difícil vir... Elias é definitivamente um bebê agitado e desenrolado. Nada que eu já não soubesse, visto o quanto ele se remexe no seu ninho.  


sexta-feira, 7 de junho de 2013

O mistério e a beleza da barriga de uma grávida


Interessante observar as mudanças de comportamento das pessoas com as mulheres grávidas. É como se a mulher se tornasse um ser à parte. Como se ela deixasse de ser mulher para ser simplesmente grávida.

De maneira geral, convencionou-se que não se toca ou beija a barriga de uma mulher. Nem a de homens, por sinal. Imagine a cena de duas amigas que se encontram no shopping e começam a alisar a barriga uma da outra e trocam beijos na barriga ao invés das bochechas. Estranho. Mas agora imagine que apenas uma delas faz isso e a que recebe o carinho ostenta um barrigão gestante. A tendência é sorrir para a cena com simpatia.

O fato é que, normalmente, ninguém pega na barriga das mulheres por aí. Mas antes mesmo de a barriga de uma grávida aparecer, todos, homens e mulheres, perdem todos os melindres e parece não haver problema algum no toque. Tomei muitos sustos no início, ao cumprimentar alguém a quem antes apenas dava os dois beijinhos convencionais e a pessoa de repente "metia a mão" na minha barriga. "Minha barriga não é vitrine, oras!", pensava eu. Lembro da simpatia que senti por uma amiga que certa vez me pediu pra tocar na barriga. Achei de grande delicadeza e respeito e obviamente consenti. Eu sei bem que é um gesto carinhoso, e curioso. E até me acostumei e talvez até tenha aprendido a gostar.

Até mesmo a minha relação com meu corpo mudou. Nunca gostei de mostrar minha barriga, exceto na praia por questões culturais. Antes de engravidar eu pensava que não mostraria minha barriga e que a gestação não seria pretexto pra fazer algo que em outro estado não faria. E qual não foi a minha surpresa quando eu me vi querendo publicar uma foto da minha barriga!

Parece que a barriga de uma mulher perde sua sensualidade por passar a ter outra função. Isso afeta a todos. A família vê sua cultura preservada por mais uma geração. E cada indivíduo tem o instinto de se sentir satisfeito com a sobrevivência da sua espécie sendo mantida pelo tal ventre. Assim, todos querem participar um pouco disso e festejar com a incubadora. Querem ver, tocar, acariciar o invólucro que cumpre o nobre papel vital e necessário à vida tal qual conhecemos na Terra. A barriga da grávida passa a ser objeto de domínio público, tratado com reverência, apesar da ausência de cerimônia.




quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ultrassonografia - a esperança é a última que morre

Ultrassonografia marcada! Vai ser particular mesmo. O plano não cobre a morfológica. Da outra vez não houve problema porque era uma ultrassonografia obtétrica normal. Vai nos custar 250,00 reais, mas não se trata apenas de saber o sexo. Verificar que ele está saudável é o principal, mas descobrir logo o sexo seria um ótimo brinde. Liguei pro Lucilo d'Avila e não tinha vaga pra esse mês. Até que disse que seria particular e milagrosamente apareceu horário livre na segunda-feira já! Pagando tudo é mais fácil, é?  Bom, tive que cancelar compromisso. Bernardo vai ter que mudar o horário de uma aula. Mas é por uma boa causa. 
Torçam por nós! Espero que dessa vez dê tudo certo e o baby nos ajude sendo bem desinibido. 
Assim que eu tiver novidades, corro aqui pra contar ;) 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Gravidez - álbum 2 - 21 semanas

Eu prefiro estar atrás das câmeras, onde me sinto mais à vontade e faço melhor o que me proponho. Mas o desejo de registrar esse momento de todas as maneiras possíveis me impulsiona até a fazer coraçãozinho na barriga. Aqui vai o resultado de um belo dia de sol, praia, exibicionismo da minha parte, cooperação da parte do marido e pessoas que gostam de fotografia (Bernardo, Kell e Monique). 

           








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