Uma dose de romantismo

Todas as sextas-feiras Bernardo vai me buscar no trabalho pontualmente. Saio da aula e o encontro pacientemente a me esperar jogando vídeo game. Porém numa certa sexta-feira saio da aula e não o encontro. Espero um pouco e nada dele chegar. É bem verdade que nesse dia a gente tinha discutido, mas não achei que seria um motivo pra ele me abandonar nos ônibus lotados de Recife. Antes que alguém diga: "por que você não ligou pra ele?", adianto logo que sou uma das poucas pessoas que não têm um celular no século XXI e que não tinha mais ninguém na escola além do segurança com quem pouco falo. Além do mais, a gente tinha brigado, eu não estava afim de ligar... Assim após uns 15 minutos de espera, decidi ir pra casa, sozinha mesmo, de ônibus mesmo, disposta a chegar em casa dali a umas duas horas mesmo.
"Tem alguma Cecília aqui? Tem alguma Cecília aqui?" Eu estava tranquila no ônibus quando de repente alguém começa a perguntar. O impulso foi fingir que era completamente alheia a esse nome, até que percebi que tinha um motoqueiro bem pertinho do ônibus. Exclamei um "Ai meu Deus, sou eu!" e levantei-me correndo pra pedir parada. O ônibus parou no sinal. Da janela, vi Bernardo com a moto encostada me esperando. O motorista não abriu a porta. Decidi esperar pra descer na parada, pois não queria chamar atenção. Mas Bernardo foi até a porta e falou com o motorista pedindo para abrir a porta de trás. Desci com todos olhando pra mim, surpresos com a atitude daquele "motoqueiro apaixonado".
Corri na sua direção cheia de sorrisos, com direito a borboletas no estômago e tudo. Para completar o romantismo do dia, percebi que ele tinha me achado, após me procurar em alguns outros ônibus, bem na frente da sorveteria para a qual eu estava planejando convidá-lo. A noite terminou entre conversas e risos com gosto de sorvete... de gianduia. 
4 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Barriga de 5 meses (21 semanas)

Elias e seus desejados 4 anos

Relato de parto II - amor rima com raiva