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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Réveillon!

Último dia do ano. É tradição ocidental passar a noite em claro, à espera do ano seguinte. Parece quase trazer mal agouro simplesmente dormir na noite da "virada". Réveillon é literalmente um momento de permanecer acordado, de despertar. Digo literalmente porque o vocábulo vem do verbo "réveiller" em francês, que significa "acordar". Se recuarmos mais um pouco no tempo, encontraremos no latim "velare" a origem da palavra. Réveillon é assim um imperativo. Um convite a fazermos vigília, a velar, a cuidar. É o equivalente de "despertemos!".
Para a maioria esse é um momento especial do ano. Muitos fazem suas retrospectivas, o balanço do ano e planejam o ano seguinte. Um momento de festas também. De solidariedade. De esperança renovada. De "resoluções do ano". O que é positivo. Mas eu preferiria um despertar definitivo e resoluções que não se volatilizassem com o Carnaval. Eu gostaria que o sentimento altruísta fosse perene em cada um e que crianças não precisassem esperar o ano todo pela ceia de Natal.  
Assim, eu desejo a todos um 2013 cheio de "réveillon". 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A quatre mãos

Vídeo-clip da música A Quatre Mãos, de Bernardo SOUSA. A música foi apresentada au público no casamento de Bernardo e Cecília, primavera de 2008.

Vidéo-clip de la chanson A Quatre Mãos, de Bernardo SOUSA. La chanson a été présentée à l'occasion du mariage de Bernardo e Cecília, printemps 2008, à Recife.




A Quatre Mãos

Deus te encontrou
Te conduziu
E te entregou pra eu cuidar.

Ele me ama demais
Eu não diria jamais
Que um presente assim
Cairia do céu pra mim
Você.

On a marché
Bord de la mer
Tu m'as montré un tel sourire
Qui m'a pris par le coeur
Et tes cheveux tout bouclés
T'es mon plus beau rêve, la clef
D'une vie remplie de bonheur.

Meu Deus eu não conheço amor maior que o teu...
Amor que nos juntou as mãos pra te louvar
E eu louvarei sem cessar
Pra agradecer por você
meu maior tesouro.

Deus me ensinou a te amar
Nunca esquecerei que te dei
Esse anel de ouro.

Vamos voar
Atravessar
Depois do mar tem nosso lar
Deus vai nos dar um bebê
Vou construir pra você
Um lugar feliz, uma casa
Que sirva Deus,
Em paz.

Dehors, la neige
L'hiver est froid
Mais je saurai te réchauffer
Prendre soin de ma fleur
Partager le bonheur
Entre nos enfants, et chacun
Aura cet exemple d'amour.

Meu Deus, eu não me canso de te agradecer
Louvado seja o todo poderoso Deus
No altar estamos te entregando nossas vidas
Oh Pai, as orações serão à quatro mãos.

Et je t'aimerai pour toujours
Mon amour, mon air, mon trésor
Pour toi je L'adore.

Je suis ton amour, ton mari
Tu es ma princesse, ma chérie
T'es mon plus beau rêve.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Spleen

Spleen é como alguns traduzem a palavra saudade para o francês ; não sem perda, saudade parece mesmo ser palavra exclusiva da língua portuguesa. Mas com certeza o sentimento que provoca a falta (le manque em francês) não é privilégio ou maldição dos lusófonos. Essa tal de "mélancolie empreinte de nostalgie, sans l'aspect maladif" segundo o wikipédia, atinge francófonos, germanofônicos, tupinofânicos e afônicos all around the world. A dor de estar longe de pessoas que amamos é universal. 
Eis um vídeo que nos faz reviver momentos de alegria com nossos jovens amigos e irmãos do grupo de adolescentes da nossa sempre querida Igreja Batista de Clermont-Ferrand. Aprendi muito com essa amizade em Cristo, com as brincadeiras e bagunças, com as reflexões sobre Deus e a Bíblia e as perguntas sempre tão pertinentes que borbulhavam naquelas cabecinhas pensantes. Memória é uma faca de dois gumes, alivia a saudade enquanto a alimenta.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Uma dose de romantismo

Todas as sextas-feiras Bernardo vai me buscar no trabalho pontualmente. Saio da aula e o encontro pacientemente a me esperar jogando vídeo game. Porém numa certa sexta-feira saio da aula e não o encontro. Espero um pouco e nada dele chegar. É bem verdade que nesse dia a gente tinha discutido, mas não achei que seria um motivo pra ele me abandonar nos ônibus lotados de Recife. Antes que alguém diga: "por que você não ligou pra ele?", adianto logo que sou uma das poucas pessoas que não têm um celular no século XXI e que não tinha mais ninguém na escola além do segurança com quem pouco falo. Além do mais, a gente tinha brigado, eu não estava afim de ligar... Assim após uns 15 minutos de espera, decidi ir pra casa, sozinha mesmo, de ônibus mesmo, disposta a chegar em casa dali a umas duas horas mesmo.
"Tem alguma Cecília aqui? Tem alguma Cecília aqui?" Eu estava tranquila no ônibus quando de repente alguém começa a perguntar. O impulso foi fingir que era completamente alheia a esse nome, até que percebi que tinha um motoqueiro bem pertinho do ônibus. Exclamei um "Ai meu Deus, sou eu!" e levantei-me correndo pra pedir parada. O ônibus parou no sinal. Da janela, vi Bernardo com a moto encostada me esperando. O motorista não abriu a porta. Decidi esperar pra descer na parada, pois não queria chamar atenção. Mas Bernardo foi até a porta e falou com o motorista pedindo para abrir a porta de trás. Desci com todos olhando pra mim, surpresos com a atitude daquele "motoqueiro apaixonado".
Corri na sua direção cheia de sorrisos, com direito a borboletas no estômago e tudo. Para completar o romantismo do dia, percebi que ele tinha me achado, após me procurar em alguns outros ônibus, bem na frente da sorveteria para a qual eu estava planejando convidá-lo. A noite terminou entre conversas e risos com gosto de sorvete... de gianduia. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Saudade


Do seu sorriso. Do seu jeito de falar, carregado de sotaque. Do carinho grudento. Da bronca sem razão. Saudade simplesmente da sua presença. Da sua carne, do corpo que te envolvia. Dos movimentos que acompanhavam as palavras, nem sempre conexas. Da farra na cama. Cama de mãe. Que gerou, amamentou, amou apaixonadamente. Repenso no seu sorriso, cheio de dentes, bem desenhados, bem branquinhos apesar do tabaco. Da alegria de viver, apesar do sofrimento passado. Eu gostava do corpo que te continha. Eu gostava da sua bochecha fofa e das suas mãos calejadas sempre prontas pra um afago. Saudade de ver seu corpo em movimento, desenhando sorrisos, os olhos brilhando. Cintilando tanta luz. Muita saudade.

Difícil entender como esse corpo se foi murchando. Como a luz se foi extinguindo. Vê-la minguando, melancolicamente, calmamente, serenamente, tal qual a lua que a velou.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Amor de tia

Depois de duas semanas de muito estudo e um punhado de solidão, chegou a hora de ver gente amada.
Através do site covoiturage.fr, sobre o qual falei nesse post aqui, encontrei um rapaz que ia para uma cidadezinha pertinho de Châteauroux. Mel, Mikael e Luighi foram me buscar en Argenton-sur-Creuse que fica logo depois de Pont Chrétien (ponte cristã). Assim, após 4 horas de viagem (e 30 minutos de espera pelos Sousa-Tekaya aham) pude abraçar esses entes queridos e enfim conhecer meu sobrinho. 
O Luighi está com 3 semaninhas, mas é grande e rechonchudinho. Ele tem os olhinhos puxadinhos e atentos. Um biquinho lindinho e sorridente. Umas bochechas que são pura gostosura e saúde. 


Que privilégio e que prazer poder pegar no colo, ninar e apertar esse bebê que eu amo. Felicidade em conseguir fazê-lo parar de chorar, em sentir a respiraçãozinha dele, o coração batendo rápido como o de um passarinho, em poder cuidar dele enquanto a mãe tenta dormir um pouco depois de uma noite em claro. Um amor de tia me invade. Amor antigo, devotado por osmose, visto o quanto já amava a sua mãe, minha cunhada Mel. Uma emoção de ver aquela moça maluquinha que conheci 7 anos atrás, que vi de cabelo rosa, vi em farras, vi passar no vestibular, com quem conversei muito e briguei um outro muito também. 
Pois bem, ela ainda fala com as mãos, ainda sabe ser expressiva, ainda gosta de aventura, ainda sabe ser charmosa, mas uma criaturinha que não quer largar seu pé (melhor dizendo, seu peito) nos lembra que algo mudou. E pra melhor. E ela se sai super bem nesse papel de mãe que Deus lhe confiou. Como em muito do que ela se propõe a fazer. 



E o Mikael, se mostra também um papai super zeloso, carinhoso e com um talento especial para colocar o filhote nas posições das mais improváveis. 

Foi com essa bela familia que passei meu terceiro fim de semana na França. Além de corujar Luighi, passeamos também. Mas isso é assunto pro próximo post ;) Por enquanto, mais corujices:


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