Morango, chocolate e solidão

Nunca precisei enfrentar de frente a solidão. Na casa dos pais, sempre tinha minha irmã caçula ou a secretária todas as tardes depois do colégio. Verdade que eu passava horas e horas no quarto lendo, estudando ou escrevendo, mas quando eu queria ver gente, conversar um pouco, tinha sempre alguém por perto. À noite, meus pais estavam lá, pacientes e sorridentes diante da minha tagarelice. Deixei a casa dos pais somente quando casei. E ganhei um companheiro de estudo, de trabalho e de muitas horas por dia. Um verdadeiro privilégio. 
Nesses dias em Nantes, chegar numa casa desconhecida, vazia e silenciosa é um desafio pra mim. A primeira coisa que faço, ainda com a bolsa no ombro, com sede ou vontade de ir no banheiro, é ligar o computador à procura de uma voz conhecida. De preferência the voz. Nos primeiros dias, meu corpo fez greve de fome e vi os dias levando consigo alguns gramas. Era o preço que meu corpo pagava pro tempo passar. 
Mas acredito que a vocação do ser humano é ser feliz. Eu mesma nunca soube ser triste. O meu corpo reagiu e descobriu uma maneira prazerosa de contar os dias. Foi assim que concebi o plano da dose diária de felicidade. 
  O inconveniente é essa tal de digestão. E o meu tubo digestivo continua oco. 
3 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

3 anos de Elias - meus votos

Barriga de 5 meses (21 semanas)

Relato de parto II - amor rima com raiva