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terça-feira, 31 de julho de 2012

Domando Paris


Mesmo tendo ido algumas vezes a Paris, a cidade Luz provocava em mim um certo receio. O tamanho, a quantidade de gente, a complicada malha do metrô... Tudo me dava medo. Dessa vez eu não escolhi estar em Paris, o fato é que minhas aulas acabaram na sexta e que minha passagem de volta é para a quarta por questão de preço. No fim de semana encontrei uma amiga (detalhes no próximo post). Decidi que nesses dois últimos dias só queria descansar. Ficaria em casa (na casa dos amigos Danilo e João que me hospedaram) e sairia prum jardim se enjoasse de ficar em casa. 
Não me impus um ritmo ou um projeto ambicioso de corrida pra ver quem "faz" o maior número de monumentos em menos tempo. Fui contra a maré; apesar do clima de Olimpíadas, desacelerei. E foi no passo sem pressa que descobri o lado agradável de Paris. No início da tarde fui ao museu Rodin, bem menos povoado que o Louvre, o Pompidou e o Orsay, mais charmoso e onde pude me emocionar de verdade com a obra do escultor. Em seguida, andei mais um pouco e encontrei a igreja Des Invalides e decidi entrar. Para estudante da União Européia até 25 anos é gratuito mesmo. Andei mais um pouco por ruas tranquilas, entrei num mercadinho vazio e comprei uma Coca-Cola, embora eu não goste muito de refrigerante. Andei mais um pouco e comprei uns presentinhos, pro marido e pra irmã. Mais uns metros e comprei um livro pra ler, pois fetiche do dia era ler em Paris. E foi o que fiz. Deitei no Champs de Mars com meu kit "descansar em Paris" e curti o solzinho, com vista privilegiada para a Tour Eiffel e um ótimo livro da escritora canadense Nancy Huston por companhia. 
Domei Paris e Paris me cativou, não sei em que ordem se passou. Eu poderia morar aqui. 
Mas estou feliz em encontrar meu Ninho amanhã em Recife.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Bye-bye Nantes

Hoje é o fim das aulas. Hoje eu parto de Nantes. Esse então é o último post em terras nantenses. Isso não quer dizer que é o fim dos posts sobre esse período aqui, pois ainda há muito o que falar. Ontem comemorei o fim das aulas e a volta ao Brasil assim:

Sozinha mesmo. 
Amanhã vou dividir um doce com uma grande amiga, Emmanuelle, com quem passerei o fim de semana em Paris!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Caro Gerente

Quando um amigo explica os valores e prazeres da escrita à mão, o cheiro do papel, da tinta de caneta, as noções abstratas e comoventes da natureza concreta das cartas, como se o conteúdo fosse apenas um pretexto para colecionar páginas de papel, eu me esforço para entender. Quando um candidato a amigo faz esse tipo de coisa, eu rio, nem que seja só do lado de dentro, para respeitar e me divertir ao mesmo tempo. Mas quando o meu banco faz isso, eu fico enfurecido...

Baseado numa carta real:


CARO GERENTE
por Bernardo de SOUSA
com raiva




Eu, Pedro Bernardo de SOUSA, registrado no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) com o número 319.XXX.XXX-05, declaro para os devidos fins que não efetuei compra alguma nem saque algum no dia 30 de abril de 2012. Declaro igualmente que nunca estive em estabelecimento chamado "Capoteiro" em toda minha vida consciente.

Aproveito a ocasião para declarar que um estabelecimento de renome como o Banco do Brasil, em pleno ano 2012, deveria usar métodos modernos para comprovar a autenticidade de uma carta como a presente, visto que exigir sua escritura à mão não prova nada além da nostalgia inútil de um sistema retrógrado, além de criar um obstáculo à formalização de uma denúncia de prática criminosa, da qual eu fui vítima.

Na esperança de ver o atual problema resolvido e devidamente reparado, e na igual esperança de ver a segurança do sistema de compras por cartão de débito aperfeiçoada, eu afirmo meu respeito pelo Banco do Brasil, do qual sou acionista, apesar de tudo isso.

Cordialmente insatisfeito,


assinatura

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Morango, chocolate e solidão

Nunca precisei enfrentar de frente a solidão. Na casa dos pais, sempre tinha minha irmã caçula ou a secretária todas as tardes depois do colégio. Verdade que eu passava horas e horas no quarto lendo, estudando ou escrevendo, mas quando eu queria ver gente, conversar um pouco, tinha sempre alguém por perto. À noite, meus pais estavam lá, pacientes e sorridentes diante da minha tagarelice. Deixei a casa dos pais somente quando casei. E ganhei um companheiro de estudo, de trabalho e de muitas horas por dia. Um verdadeiro privilégio. 
Nesses dias em Nantes, chegar numa casa desconhecida, vazia e silenciosa é um desafio pra mim. A primeira coisa que faço, ainda com a bolsa no ombro, com sede ou vontade de ir no banheiro, é ligar o computador à procura de uma voz conhecida. De preferência the voz. Nos primeiros dias, meu corpo fez greve de fome e vi os dias levando consigo alguns gramas. Era o preço que meu corpo pagava pro tempo passar. 
Mas acredito que a vocação do ser humano é ser feliz. Eu mesma nunca soube ser triste. O meu corpo reagiu e descobriu uma maneira prazerosa de contar os dias. Foi assim que concebi o plano da dose diária de felicidade. 
  O inconveniente é essa tal de digestão. E o meu tubo digestivo continua oco. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Argenton-sur-Creuse

O domingo chegou rápido nas terras de Châteauroux. Passei algumas horas a sós com Luighi, trocando ideia pra gente se conhecer melhor. Comemos rapidinho pra podermos sair assim que Mikaël chegasse do trabalho no início da tarde. Arruma mochila, pega lanche pro pique-nique, dá queijo pra Cecília levar. Tudo pronto, fomos encontrar um casal amigo e seu filhinho na casa deles. Chegando lá, eles não estavam com tanta pressa quanto nós, que sabíamos bem que eu tinha pouco tempo antes de ter que pegar a carona pra voltar pra vida real. Enquanto esperávamos, Mel resolveu trocar a fralda de Luighi. Até aí, nada de extraordinário na rotina de uma mãe. A surpresa foi o presente que Luighi fez na mão de Mel, no braço, na roupa toda. Mikaël teve que voltar em casa pra buscar roupa pro menino. 

Detalhes à parte, o fato é que me restava no final uma horinha pra conhecer Argenton-sur-Creuse. Mas o tempo em Argenton parece congelar. Percorremos as ruas que remontam à Idade Média, e que silenciosamente contam História. Argenton viu a época gallo-romana da qual ainda guarda ruínas, virou fortaleza com o feodalismo. Abrigou atelier monetário, convento, moinho, torre, castelo, indústria têxtil. A cidade viu até alemães em nome do Führer fuzilar 67 civis e soldados em 1944. 
Hoje a cidade abriga 5.000 habitantes, entre os quais 33% tem mais de 60 anos. Famílias jogam petanca no parque. Homens se distraem e alimentam com a pesca. Argenton é como uma velha senhora cansada, sentada na sua cadeira de balanço à beira do rio, sorrindo placidamente, exibindo suas rugas. 
Os Sousa-Tekaya
 Mas como boa senhorinha, ela nos acolheu, apesar do nosso barulho. Recebeu nossos sorrisos e risos com satisfação e respondeu com a sabedoria dos anciãos. 


Mel, Nalla e eu com cabelos ao vento

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Châteauroux

Não, esse não é o castelo que deu origem ao nome da cidade. Essa é apenas a humilde moradia dos Sousa-Tekaya. É no alto da torre que dorme o principezinho. Trata-se de uma bela casa do século XIX. Mas a Tia foi resgatar o príncipe e levar pra dar uma volta na floresta. Como a Tia não é sequestradora, levou a família toda. E quem dirigiu foi o Mikaël. 

 Até a Nala acompanhou a gente.
 Pro Luighi não estranhar, visitamos outro castelo, o de Bouges, construído em 1765.
Depois enveredamos mata adentro, afinal ele é um "bebé de la jungle" (como diz um pijaminha que ele tem) e os 80 hectares de bosque nos convidavam a uma aventura. 
 Eu estava tirando fotos tranquilamente, como de costume, reclusa na bolha que se cria quando eu empunho uma câmera.



Quando alguém roubou a câmera de mim, o resultado não foi dos melhores, não pela fotógrafa, mas pelas caretas que faço no lugar de posar. 

 Mas o importante é que o céu estava azul. E o humor também.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ponte


Assim como no mundo Antigo toda estrada dava em Roma. Nas linhas tortas do meu sistema nervoso, toda conexão sináptica me leva até você

sábado, 14 de julho de 2012

A faculdade de Nantes

Muito bom viajar. Impagável rever os amigos. Mas era preciso chegar ao motivo central da minha viagem para a França: estudar. 
Vim para Nantes para o mestrado 2 em didática do FLE (francês língua estrangeira). Trata-se de uma formação diferente, oferecida pelo CIEP, na qual temos um mês de aula, passamos o ano redigindo trabalhos escritos e no final uma dissertação de conclusão de mestrado. No ano seguinte, voltamos para mais um mês de aulas e para defender a dissertação. 

No primeiro dia, cansada, peguei um ônibus e andei uns 10 minutos. O caminho é de uma beleza singela e tocante pelo ar banal que tenta passar. 

Muito agradável a caminhada, mas no final é num prédio nada acolhedor como esse em que se tem aula mesmo:


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Caminhos (tortos) de ferro na França



Quando eu entrei no trem com o coração pesado, sem querer deixar aqueles amigos que me saudavam da janela, eu não tinha a menor ideia quanto o que estava por vir. Eu tinha comprado um bilhete por 55,10 € cujo trajeto previsto era Clermont-Ferrand - Nevers e Nevers - Nantes. Pegar dois trens era razoável. 


Mas chegando a Nevers, eu só tinha 2 minutos pra trocar de trem. Como o primeiro tinha chegado com 1 minuto de atraso, me restavam 1 minutinho para tal façanha. Eu até poderia tê-lo feito, se não fosse a falta de indicação. Cheguei a tempo de vê-lo partir. Eu podia tocá-lo. Ele estava tão perto... Mas em movimento. Reclamei com o moço. Senti raiva da SNCF (organismo responsável pelo sistema ferroviário na França) por não ter indicado devidamente. Senti raiva de mim por não ter perguntado o caminho assim que desci do trem, ou por não ter advinhado, ou por não ter comprado outra passagem. Quis chorar. Mas aquele era só o começo da saga.
Fui pra recepção pra saber o que podia ser feito. Bom, bastava pagar! Não 100%, mas 25€ saíram a mais do meu bolso, chorando, sem querer partir. Mas era o jeito. E ainda tive que esperar 30 minutos pelo próximo trem para Nantes... ops, para Saint-Pierre-des-Coprs. Oui, oui. E de lá ir pra Nantes.
Chegando a esse tal de Saint-Pierre-des-Coprs, o trem que eu deveria pegar está anunciado com 1 hora e meia de atraso. Ouvi ao meu redor outras pessoas na mesma situação que eu e resolvi segui-los em direção da recepção. O rapaz indicou um itinerário possível, com nomes de cidades que eu nunca ouvira falar. Não consegui decorar metade das informações, mas quando ele disse "corram que o trem vai sair em 1 minuto!". Não pensei, apenas segui o pessoal. 
E assim seguimos para Tours (bem pertinho). De lá pegamos um trem pra Angers. Para então pegar o que nos levaria a Nantes. 
Contou?
Foram 5 trens! Veja o percurso. 

Os pontos C e D são bem pertinhos, por isso C ficou escondido
Cheguei em Nantes meia noite. Oito horas e meia depois eu aconteceria a reunião de abertura do mestrado.




segunda-feira, 9 de julho de 2012

Seis dias, seis camas - parte 6







Christine e eu acordamos com sono no sábado e vontade de ficar na cama e passar o dia conversando.


Grupo ouvindo as explicações, ou não



Mas a programação do dia era motivante e não nos arrependemos de sair de casa naquele dia. Um encontro entre os adolescentes e jovens da igreja estava marcado. Eu estava ansiosa pra rever meus jovens amigos. E o toque a mais é que íamos fazer arvorismo. 




O lugar era grande, cheio de percursos diferentes, pra todos os níveis. O nível preto é realmente difícil e requer um bom condicionamento físico (alguns ficaram no caminho). No início o medo é grande e quem nunca fez não sabe direito os limites do corpo.

Sorrisinho nervoso
Pular como tarzan a algumas dezenas de metros do chão
Mas com o tempo o medo vai diminuindo... Até que você encontra uma situação nova. A sensação é muito louca! Tão selvagem rs. Mas muito bom depassar seus limites, entender melhor do que seu corpo e cérebro são capazes. As adolescentes não fizeram feio, e me deixaram orgulhosa.



No final, o cansaço é grande, mas gostoso :)

Essa noite, dormi novamente na casa de Emilie e JA, pois domingo era dia de partir e eu tinha que pegar minhas coisas na casa deles. Os mais atentos e mais chatos vão dizer... Então são "Seis dias, cinco camas". Pois está enganado! =P Apesar de dormir na mesma casa, foi em outra cama, pois eles tinham visita em casa. 
Domingo, o culto era em La Sagnole. Uma cidadezinha minúscula a 45 minutos de Clermont, onde uma senhora da igreja tem uma espécie de chalé. O frio estava grande, mas o calor fraterno marcou presença.

A despedida foi difícil. Como é possível amar tanto assim tanta gente? Alguns me acompanharam até a estação de trem, só pra eu amá-los ainda mais...



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