Joyeux Anniversaire, Cássia !


Cássia, minha única irmã, caçulinha braba, também veio pra França ano passado. Mas ela teve o privilégio de passar dois meses aqui. Ela chegou tímida, sem falar uma palavra de francês. Mas foi corajosa pra sair sozinha com nossos amigos franceses. Ainda na primeira semana ela foi a um almoço na casa de um casal da igreja com alguns jovens. Incrível como em um dia ela aprendeu tanto. Fez amizade. Se divertiu. E descobriu o quanto pode ser prazeroso aprender uma língua estrangeira. Quão rica e interessante é a experiência de mergulhar numa cultura alheia, descobrir seus sons, tatear suas formas, balbuciar visões.



No tempo em que ela esteve aqui, nos redescobrimos, trocamos experiência, aprendemos juntas, curtimos muito. E brigamos lol. Achei curioso ver o quanto mudamos. Eu não imaginava o quanto ela tinha mania de limpeza e arrumação (pegou de mainha, acuso logo!). A pobre ficou agoniada com a nossa bagunça. Ela arrumava, cozinhava, lavava louça. Veio pra França ser explorada pela irmã! (risos) E ela descobriu que eu me divirto muito, faço festa, sou aventureira. Antes ela conhecia a Cecília nerd .
Nós fizemos tanta coisa... foram tantas conversas de madrugada, passeios à noite na cidade, filmes, gargalhadas. Fizemos laser game, andamos de bicicleta... Por falar em bicicleta, essa menina continua a mesma destrambelhada de sempre. Aqui vamos de bicicleta pra todo canto. A cidade é pequena e tem bastante ciclovia.
- Vem com a gente, Cássia?
- Sim!
- Sabe andar de bicicleta?
- Claro, né, Cecília! Tu acha o que?
- Cuidado, viu.
E lá fomos nós três (uma amiga tinha emprestado a bicicleta). Pela calçada primeiro. Vamos atravessar a rua.
-Pára, menina, olha o carro!
E ela pula da bicicleta de repente, quase caindo.
- Tem que frear antes, Cássia! Tu num disse que sabia andar de bicicleta?!
- Andar eu sei. Eu não sei é frear.
O que dizer?!
Mais à frente, na rua, o sinal fecha pra ela e ela segue. Ainda bem que o carro que vinha na direção dela parou. Eu gritei no meio da rua, dei bronca, perdi a paciência. Mas que medo que eu senti. Depois desse episódio, ela disse que não andaria mais de bicicleta. Como boa irmã mais velha traumatizei a bichinha! E não foi a primeira vez (risos).
Enquanto ela estava aqui, não pudemos viajar tanto quanto ela gostaria, pois a grana estava curta e sem carro é difícil. Mas deu pra fazer um estrago...
Acampamos com os jovens da igreja e ela dormiu em barraca pela primeira vez na vida dela!

Ela jogou pétanque.


E até aprendeu a cuspir, veja a técnica francesa:

video

Foi realmente uma experiência rica, não foi, maninha? Ah, no vídeo quem aparece é uma grande amiga, Emmanuelle (a mesma que emprestou a bicicleta ;)).

Nós fomos também a um festival medieval, a parques, jardins.




Lembro do quanto foi divertido a gente comendo croissant na torre Eiffel.


Foi ela quem organizou tudo pra minha festa de aniversário do ano passado. Ela fez bolo, encheu bola, preparou tudo. No aniversário dela, de 18 anos, que ela teve o presente de comemorar aqui também (vocês devem ter percebido que a gente faz aniversário um atrás do outro: painho, eu e Cássia). Tudo o que ela queria era ir pruma boate. Eu detesto essas coisas, mas decidi dar esse presente pra minha maninha. O marido acompanhou, sem muito entusiasmo, mas acompanhou. E alguns amigos da igreja também vieram. Indicaram pra gente uma boate super "chique", o Café del Sol. O marido se estressou quando soube que não aceitavam pessoas "mal vestidas". Não que ele se vista mal, ok! Mas no conceito de "mal vestido" está implícito "usando tênis". Na verdade tinha que ir meio na beca, sabe. Mas Cássia estava toda radiante e treinou como dizer "eu tenho 18 anos" pra poder entrar. Nos arrumamos. Eu até coloquei salto!


Chegando lá, éramos umas 10 ou 12 pessoas. Perguntam nossa idade.

- J'ai dix-huit ans ! - responde Cássia em bom som toda orgulhosa.

O homem, alto, grande, intimidante nos diz:
- Jovens demais! Pra entrar aqui tem que ter 25 anos!

Que balde de água fria! Tadinha... Mas alguém indica uma outra boate. Nós vamos, entramos. Passamos 10 minutos e saímos. Música ruim. Pouco espaço. Ambiente hostil. A essa altura, já estávamos cansados. Alguns decidiram voltar pra casa. Em número reduzido à metade fomos pra outra boate. Chegando lá, Bernardo disse que não aguentava mais e que ia voltar pra casa, mas que eu poderia acompanhar minha irmã. Hesitei. Mas eu já não gosto de boate, ir sem o marido?! Oxe, voltei com ele! Cássia dançou o resto da noite. Ela estava com 3 amigos queridos e de confiança. Cuidaram bem dela (risos). Claro que Emmanuelle estava no meio. Sempre presente. Ainda bem que Cássia não ficou chateada pelo meu abandono. E guardou uma boa lembrança desse dia. O que ficou na minha memória foi principalmente a caminhada de volta de 50 minutos de salto alto. O que eu não faço por essa moça?

E hoje faz um ano que essa história se passou. Hoje ela completa seus 19 aninhos. Cheios de alegria, energia e vontade de viver. Quando você veio aqui pra França, você trouxe sede e ânsia por coisas novas. Que o vento te anuncie um futuro próximo cheio de novidades e realizações.

Que Deus te abençoe, irmã amada.

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