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sábado, 28 de maio de 2011

Duas semanas que estou na Polônia. Sei que faz tempo que não escrevo, mas é tão difícil encontrar tempo; há sempre tanta coisa pra ver, pra conhecer, tocar, me apropriar. Hoje eu estou com um tempinho acompanhado de vontade. Mas peço desculpas, pois decepcionarei o público interessado na Polônia. Esse post é uma piegas declaração de amor e saudade.





segunda-feira, 16 de maio de 2011

Polônia - primeiro contato




Varsovie, sábado 14 de maio.
Saí de casa às pressas às 7h20. Como de costume, deixei muita coisa pra fazer em cima da hora. Tive que lavar roupa, imprimir uns documentos, preencher outros. Bernardo me acompanhou até a parada do tram. A despedida foi difícil. Cheguei ao ponto de encontro com minha colega de faculdade e o motorista do "covoiturage" bem na hora, 8 da noite. Seguimos para quatro horas de viagem em direção de Paris com um homem de 34 anos, casado, pai de dois filhos. Viajamos num furgão, pois o rapaz trabalha pra uma empresa de entrega de encomenda; roda a noite inteira e com pressa, mas com precisão. O covoiturage é uma maneira pra ele de fazer uma grana extra e ter companhia. Pequena precisão, talvez desnecessária: ele não tem autorização do patrão pra fazê-lo. Imaginem a grana extra que ele faz em um mês. Eu fiz as contas; uns 800€! Isso sem gastar com nada, pois a gasolina e os pedágios são pagos pela empresa pra qual ele trabalha, logicamente. Aparentemente, os brasileiros não são os únicos a dar um "jeitinho".
Chegamos em Paris um pouco mais da meia noite, no terminal 1 do aeroporto Charles de Gaulle, que estava vazio e em obras. Senti-me um tanto insegura. Nos instalamos num banco um tanto desconfortável e lanchamos. Comi um delicioso saduíche feito pelo marido. Alguns minutos depois, um senhor simpático com um forte sotaque, que suponho indiano, veio nos indicar que havia uns sofás confortáveis mais longe. Agradecemos surpresas pelo cuidado do homem e nos dirigimos pra onde ele nos havia indicado. Descobri que no aeroporto temos wifi por 15 minutos e fui gastá-los cada segundo com Bernardo. Depois me instalei, com a mochila bem protegida entre as pernas, e dormi profundamente. Mas pouco. às 4h30 da manhã, minha colega e eu seríamos acordadas pelo mesmo homem dizendo que estava na hora de fazer o check-in. Ele sabia o nosso vôo porque havia perguntado antes de apagarmos no sofá. Sim, podem ficar de boca aberta com o cuidado dele. E era gratuito e sincero.

A garota com quem estou viajando merece ser apresentada. Não somos próximas e em um ano de estudos não encontramos nada que nos aproximasse antes dessa viagem. Ela tem 21 anos com espírito de 15. Não faz nem 24 horas que estamos juntas e eu já estou sem paciência. Ela é uma figura de vulto pequeno, redondo e amarelo. Seu temperamento também parece uma caricatura. Em alguns minutos, pude perceber que ela reúne todos os clichês negativos dos franceses; os positivos, tenho duas semanas pra descobrir. Ela reclama de tudo e todos o tempo todo. Tudo é ruim, feio, desconfortável. Ela é cheia de preconceito cultural; antes mesmo de tocar em solo polonês já pode discursar sobre o que falta no país. Disse que comeu no McDonalds antes da viagem porque na Polônia muito provavelmente não tem; do mesmo jeito que não se tem telefone celular de qualidade. Pra quem não sabe, os franceses também se orgulham de serem conhecidos por serem pirangueiros. A moça, não podia ser diferente; percebi que ela espera eu sair pra comer algo. Como boa francesa, ela aprecia a culinária. Mas por ser caricatura, come o tempo todo e trouxe uma mala gorda, com salada, bolo, chocolate, yogurte, sanduíche e até linguiça. O argumento é "sabe-se lá o que eles vão nos dar pra comer lá!". E pra coroar, ela não sabe muito da geografia além das fronteiras do pentágono. Em uma conversa ela disse, com os olhinhos azuis brilhando de ignorância: "O Brasil é banhado pelo Pacífico, né?" Humm... o que responder? Sorrio amarelo, um mixto de piedade e desprezo. E informo pedagogicamente a situação geográfica do Brasil. Vou acabar fazendo como ela, que risca os dias na agenda quando eles passam.

Desculpem falar mal assim dela, mas precisava desabafar... 

Agora é quase meio dia, estamos em Varsóvia esperando o vôo pra Wroclaw. O vôo se passou bem, tranquilo e eu nem enjoei, dormi como um bebê. Faz umas duas horas que ouço poloneses conversando. E como eles falam! São pessoas que não se conhecem, mas a proximidade de um banco de aeroporto é o bastante pra fazê-los conversarem e se conhecerem. Já vi umas cinco pessoas se abrindo num sorriso a uma discursão com um vizinho de banco. Uma senhora me dirigiu a palavra. Entre as inúmeras consoantes, pude distinguir o nome da cidade pra onde vou. Fiz cara de "hã?!" e nem ousei a primeira frase em polonês. Soltei um "Sorry, I don't speak Polish". Ao que ela perguntou em inglês mesmo se eu ia pra Wroclaw. Respondi "Yes and you?" "Yes". Bom, infelizmente, não pudemos ir muito longe. Agora ela conversa sem pausa com um senhor que fala ainda mais que ela. Já gosto dos poloneses. Mas acho que vou sair daqui com complexo... Quanta mulher bonita! Grandes, de silhueta de modelo, longos cabelos loiros. E eu no meio, na minha ignorância linguística, um pingo de gente com um mochilão nas costas. 

terça-feira, 10 de maio de 2011

Viajando barato na França - a fraternidade existe?



Brasileira dando aula de francês na Polônia! Uau! Tudo bem que é só um estágio de duas semaninhas, mas eu não consigo conter minha emplogação e o pensamento de que é uma grande conquista. Pode ser um pequeno passo para a humanidade, mas é um grande salto para mim! Eu deveria estar preparando as aulas que vou dar, mas no momento só consigo procurar informações sobre a cidade, ler blogs, ver fotos e tentar dizer "Eu não falo polonês" em polonês. E eu até achei um bom site pra aprender a dizer algumas frases importantes. Aqui vai a dica:


Quantos visitantes desse blog querem aprender polonês? lol

Como eu já disse por aqui, sexta-feira (13!) vou de carona até Paris, onde pegarei o avião pra Polônia. Com alguém que não conheço e vou pagar por isso. Não parece estranho? Pois bem, é que os franceses encontraram uma maneira muito interessante de diminuir os gastos de viagens, que seja a passeio ou a trabalho. Eles se inscrevem num site e informam quantos assentos livres eles têm, pra onde vão, a que horas, etc etc. Pode-se até dizer se aceita animais, o tamanho da bagagem, se a pessoa fuma ou o quanto ela conversa. A idéia é dividir o preço da gasolina e dos pedágios. 
Os sites destinados a esse fim são cada vez mais numerosos. Eu me inscrevi no Covoiturage.fr, não paga nada. Antes que a minha mãe se assuste: "Minha filha, vai viajar com um estranho!! =O", informo que o interessante desse site é que dá pra saber há quanto tempo a pessoa está inscrita no site, as viagens que ela fez e os comentários das pessoas que já viajaram com ela. E tem sempre alguém indo pra Paris. Se eu fosse de trem pagaria uns 50€, com o covoiturage vou pagar 25€. Todo mundo sai ganhando! E não é que os franceses, apesar de serem conhecidos como frios e egoístas sabem se dar as mãos e encontrar soluções econômicas que beneficiam ambos os lados?

Você acha que isso poderia dar certo no Brasil? Eu tenho minhas dúvidas...

O curioso é que foi uma amiga alemã quem deu a dica pra gente. Estávamos na casa dela em Leipzig e deveríamos ir pra Suíça. Ela encontrou um alemão que ia pra Zurique e resolveu tudo pra gente. Só que ele não falava nada de português, nem francês, nem mesmo inglês. E a gente, claro, não fala nada de alemão além de umas palavras soltas e inúteis que aprendemos com um jogo de tabuleiro. Vez ou outra o ouvíamos reclamar de algo; bom, suponhamos pelo tom que ele reclamava. E ele falava bastante com uma moça que também estava pegando carona. Como é ambígua a sensação de estar perdido em outra cultura. É super empolgante e assustador ao mesmo tempo. Cuidado, pois acho que vicia! Estou em crise de abstinência e não vejo a hora de me encontrar à mesa de uma família polonesa e descobrir os sons da língua, as cores da cultura e o sorriso das crianças polonesas diante da minha ignorância em algo tão óbvio pra elas.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

A melhor viagem



Como estou preparando a minha viagem (faltam apenas 4 dias!! =X), estive pensando em qual foi a nossa melhor viagem até agora. Concluo que foi "Orage" que quer dizer tempestade em francês. Acho que quem acompanhou pelo blog concorda! Aqui vão os links pra quem quiser revisitar os relatos ou descobri-los. Foram apenas 7 dias de pedalada rumo à Suíça! Com barraca e panela nas costas.  Vale a pena conferir!




Com certeza não será a mesma coisa viajar sem o marido... :(

P.S. Sei que estou devendo um post sobre a tal carona... Paciência, será o próximo ;)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estudar na França - mestrado

Quando a gente achou que tinha aprendido como o sistema funcionava, inscrição pras provas, pagamento, com quem falar, onde ir, boletim, etc, tudo mudou. Depois de um ano estudando na França, vivemos como recém-chegados. Nos perdemos, entregamos documentos atrasados, tivemos que reaprender sobre o sistema, pois passamos a ser estudantes "normais". Um ano depois, tudo mudou novamente. Passei no mestrado pra FLE, ou seja, pra ser professora de francês para estrangeiros. É um curso interessante, principalmente pra quem gosta de viajar, aprender novas línguas e conhecer outras culturas. 
Aqui o mestrado dura dois anos, mas um ano é independente do outro. Eu por exemplo, vou fazer somente um ano e vou ter o que eles chamam de Bac +4 ou Master 1. O Bac (Baccalauréat) é uma prova que se faz no final do segundo grau (ainda se chama assim?!) e que o permite de ingressar numa faculdade. É, na prática, o equivalente do vestibular brasileiro. Então, o Bac +4, por exemplo, quer dizer que você fez 4 anos de estudo após o Bac. 
Igressar no primeiro ano de mestrado não é muito difícil. Mas para o segundo ano, é preciso ter média 12/20. Nos outros níveis de estudo, a média é 10/20. Mas não é por isso que não farei o mestrado 2! ;) A maioria das ofertas de emprego na minha área, FLE, exige um Bac +3 ou Bac +4. É raro pedir um Bac +5, e os que pedem geralmente são para cargos de diretor ou coordenador e não de professor. O que eu quero mesmo é ensinar! Além do mais, já está na hora de mudar de país.
Para passar de ano, no mestrado, é preciso fazer 1 mês de estágio (que não é remunerado). As minhas duas semanas de estágio que faltam, farei na Polônia. Repararam no cronômetro ao lado? Pois é! Minha viagem está chegando. Irei de carona, na sexta-feira 13, até Paris. De lá pego um avião para a Polônia. Dia 14 de maio às 13 horas, estarei pousando em Varsóvia, numa escala que me levará em seguida à Wrocław. Veja o percurso:


A = Clermont-Ferrand      B = Paris     C = Varsóvia     D = Wrocław

O meu primeiro desafio é pronunciar o nome da cidade! O resto eu vejo depois. E rumo à aventura!

P.S. Na próxima postagem vou explicar direitinho essa história de carona... ;)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dicas pra quem quer estudar na França

Faz quase três anos que estamos na França. E cada ano foi completamente diferente um do outro. Viemos em 2008 num intercâmbio, graças a um acordo entre a UFPE e a UBP (Université Blaise Pascal em Clermont-Ferrand). A gente se inscreveu na reitoria da UFPE e, uma vez aceitos, se inscreveu no site do Campus France. Na época o site era mal feito, mas depois de alguns telefonemas coseguimos resolver. Começamos a dar entrada nos papéis um ano antes da nossa vinda, em setembro 2007, se não me falha a memória. Tivemos a resposta em fevereiro apenas. Em março, noivamos; não que todo interessado em estudar na França deva seguir exatamente essa etapa do passo-a-passo ;).



O bom de viajar nesse sistema de acordo entre as faculdades é que o estudante não precisa se preocupar com moradia. A faculdade que o receberá mandará os papéis do aluguel de um quarto numa residência universitária. Basta assinar. Mas não espere muito conforto.





Geralmente são quartos de 9 m², com banheiro e cozinha coletivos.



O preço varia entre 130 € e 210 € (esse com banheiro pessoal). Existe a possibilidade de alugar um apartamento, mas é mais complicado. É preciso ter um fiador em solo francês ou comprovar renda. E a gente sabe que nem todo estudante de intercâmbio tem como comprovar renda. Além do mais os preços aumentam consideravelmente quando descartamos uma residência universitária popular. Quem quer morar razoavelmente bem sozinho deve saber que vai gastar em torno de 350 €. O apê em que moramos agora foi um verdadeiro achado. Nos custa 240 € de aluguel e é perto de tudo, sem ser no centro da cidade. Confira aqui
Pense também em fazer o seu passaporte o mais rápido possível. E traga com você cada documento cuja cópia você enviou ao consulado francês na sua cidade. É uma ilusão achar que o governo francês se comunica entre si. É verdade que consulado francês é o governo francês. Mas aparentemente a informação não circula como deveria. Então, chegando aqui, eles vão te pedir as mesmas coisas que você já mostrou, provou, assinou e tudo o mais. E se você vem pra mais de seis meses, logo após se inscrever na faculdade (que custa 400 € por ano, pagos de uma vez), corra à prefeitura da cidade (préfécture) pra dar entrada na sua autorização de estadia (titre de séjour). A inscrição na faculdade é feita par intermédio do bureau de relations internationalles. Saiba que você pode pagar quantas cadeiras quiser e pode escolhê-las, não importa o período. Mas se você pretende pedir equivalência pra se inscrever como os outros estudantes franceses, aconselhamos a pagar todas as cadeiras (ou a maioria) e de um mesmo preríodo. Nós pagamos as cadeiras do segundo ano e pedimos equivalência pra cursar o terceiro. Fomos aceitos e temos o diploma francês (o equivalente do Bac +3 no sistema francês).

Eu não estou triste! Só meio nervosa por estarmos tirando foto no meio da  aula. :)


Vale a pena!

Alguma dúvida? Pode perguntar que a gente responde!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jardim francês em dia de sol

Clermont-ferrand é uma das "cidades floridas" da França. Cada primavera, um orçamento desconcertante é dedicado às flores. Ao som de uma versão brasileira da versão francesa de uma música de Rick Founds, curtam as imagens dessa festa de cores, no coração da cidade, numa tarde ensolarada.


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