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sábado, 23 de abril de 2011

Gary Chapman no Brasil

O livro de Chapman é fascinante. Com ele, seu casamento poderá ficar saudável como costumava ser. Espera aí: será mesmo? Funcionou no primeiro mundo, com Allison e Robert, Bill e Betty, Jan e Donald, etc. Mas será que vai funcionar com Josefina e seu esposo, seu Zé? Veja a história deles:

- Na época de namoro, tudo ia muito bem - conta Josefina. - Ele ia todos os dias lá em casa, sempre trazia algum presentinho. Uma goiabada, uma flô... Depois que a gente se casou, ele só quer saber de comer, dormir e ver TV.

Um belo dia, Josefina se encheu e resolvel abandonar o marido. Foi para a casa da mãe, embora ainda gostasse dele. Talvez assim, ele tomasse jeito. Três dias depois, Zé percebeu que não tinha mais cuecas limpas, então, ele vestiu a bermuda sem a cueca mesmo e se sentou na frente da televisão, pois o jogo já estava para começar. Diante da bola rolando, ele gritou:

- Querida! Não tenho mais cuecas limpas.

Como ninguém respondeu, ele esperou o intervalo do jogo para procurar por sua amada esposa. E ele não a encontrou. Porque ela não estava lá. Sim. Ela o tinha abandonado.

Como ainda havia coca-cola na geladeira e o jogo estava para recomeçar, ele se ajeitou na poltrona e pensou:

- Depois eu vejo o que eu faço.

Josefina estava a caminho do consultório do seu pastor (o nome da igreja não poderá ser divulgado para proteção das idôneas instituições envolvidas). O referido pastor lhe indicou o livro de Chapman, com as seguintes sábias palavras de aconselhamento:

- Irmã, é assim mesmo. Depois que casa, já era!
- Mas pastor, "eu amo ele"! Não tem outro jeito.
- Depende.
- Depende do que? Do nosso amor?
- Não. Da sua generosidade. Deus abençoa o que paga com olhos fechados, que é pra outra mão não vê.
- Mas pastor, eu não recebi esse mês ainda... - disse Josefina enfiando as mãos nos bolsos.
- A irmã não tem cheque?

Depois de muitas orações de súplica pelo dinheiro da pobre Josefina, o pastor indicou o já referido livro:

- "As Sete Batalhas do Amor", É ótimo! Eu não li ainda, mas todo mundo tá lendo. Se não resolver, volta na segunda que deve ser encosto. Aí, só com imposição de mãos. Traz o marido junto que duas contas pagam melhor que uma.

Josefina, ao procurar o livro numa loja evangélica, não encontrou. Mas pediu ajuda, dizendo que era um livro famoso, e o vendedor ligou os pontos: era só trocar o número sete por cinco, e as batalhas por linguagens. Josefina chegou na casa da mãe com uma preciosa obra nas mãos.

Enquanto lia, seu marido abandonado, desesperado com a casa em completa desordem, procurou a mulher no lugar mais óbvio possível: a casa da sogra. Quando se deparou com ela lendo, pensou que ela estava se divertindo na casa da mãe ao invés de manter a casa limpa. Ela porém, se defendeu dizendo que acabara de achar o que poderia salvar o casamento deles, enquanto mostrava a capa do livro.

- Aaa... O casamento também precisa ser salvo, como todo pecador...
- Não! Eu estou falando do NOSSO casamento, que já está fedendo.
- Lógico! Faz três dias que você não limpa!

Depois de certa deliberação, Josefina convenceu Zé a ler o livro também. Ele leu, e os dois resolveram tentar as cinco linguagens do amor, para descobrir qual era a língua um do outro.

No primeiro dia, tentaram Palavras de Afirmação.

- Querido, como você está cheiroso hoje!
- Deixe de mentira, mulher. O livro manda mentir, também?
- Você não está expressando seu amor por mim com essas palavras. Por que você não tenta de outra forma?
Depois de pensar um pouco, seu Zé afirmou:
- Você cozinha muito bem.
- Mas eu ainda não fiz nada! Isso se diz quando comemos.
- Mas não tem que ser fora de hora?
- Isso é sobre os presentes.
- Bom. Então você deveria cozinhar, pra eu ter a chance de...
- Não! Eu não vou cozinhar só pra ouvir um elogio!
- "Não, não, não..." Isso não é palavra de afirmação. Pra mim, isso é negação. Acho que estamos fazendo o contrário.

Depois de um dia inteiro de brigas, Seu Zé e Josefina decidiram tentar a segunda linguagem do amor, Tempo de Qualidade.

- Amor, vamos fazer um piquenique.
- Como assim?
- Vamos sentar na grama, comer sanduíches, conversar...

Seu Zé raciocinava sobre onde a mulher iria achar grama, mas estava decidido a experimentar a linguagem do Tempo de Qualidade. Foram para uma praça, perto da casa deles, onde havia grama. Seu Zé ficou impressionado: ela tinha conseguido. Será que eles tinham achado a linguagem certa? Quando se sentaram, perceberam que a grama estava alta demais, e havia pontas de vidro não muito longe deles. As pessoas passavam na rua olhando para eles. Seu Zé reclamou dos sanduíches frios.

- Eles SÃO frios! São preparados assim. Se fossem quentes, não ficariam quentes por muito tempo, não?
- Eu prefiro sanduíche quente.
- Tá, mas não precisa gritar.
- Você também está gritando.
- Se eu não gritar você não ouve. O barulho dos carros é horrível.
- Então eu também preciso gritar, se não você também não ouve.
- Tá, mas você poderia gritar com mais jeito... Que grosseria!

Depois de mais alguns minutos de qualidade, o jovem casal retorna para seu lar, para conversar num lugar mais silencioso. Josefina se senta no sofá, esperando o marido fazer o mesmo, mas ele liga a TV antes de se sentar.

- Nós deveríamos conversar com a TV desligada, não?

A resposta de Seu Zé teria sido gritando também, apesar de não haver carros passando em volta, mas não houve tempo para a resposta. A rede Globo falou mais forte.

- Não, você não é o pai!
- Eu te odeio, eu te odeio!!

A TV hipnotizou os dois, e eles tiveram várias horas de Tempo de Qualidade.

Escrito em 2008
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