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sábado, 30 de abril de 2011

Joyeux Anniversaire, Cássia !


Cássia, minha única irmã, caçulinha braba, também veio pra França ano passado. Mas ela teve o privilégio de passar dois meses aqui. Ela chegou tímida, sem falar uma palavra de francês. Mas foi corajosa pra sair sozinha com nossos amigos franceses. Ainda na primeira semana ela foi a um almoço na casa de um casal da igreja com alguns jovens. Incrível como em um dia ela aprendeu tanto. Fez amizade. Se divertiu. E descobriu o quanto pode ser prazeroso aprender uma língua estrangeira. Quão rica e interessante é a experiência de mergulhar numa cultura alheia, descobrir seus sons, tatear suas formas, balbuciar visões.



No tempo em que ela esteve aqui, nos redescobrimos, trocamos experiência, aprendemos juntas, curtimos muito. E brigamos lol. Achei curioso ver o quanto mudamos. Eu não imaginava o quanto ela tinha mania de limpeza e arrumação (pegou de mainha, acuso logo!). A pobre ficou agoniada com a nossa bagunça. Ela arrumava, cozinhava, lavava louça. Veio pra França ser explorada pela irmã! (risos) E ela descobriu que eu me divirto muito, faço festa, sou aventureira. Antes ela conhecia a Cecília nerd .
Nós fizemos tanta coisa... foram tantas conversas de madrugada, passeios à noite na cidade, filmes, gargalhadas. Fizemos laser game, andamos de bicicleta... Por falar em bicicleta, essa menina continua a mesma destrambelhada de sempre. Aqui vamos de bicicleta pra todo canto. A cidade é pequena e tem bastante ciclovia.
- Vem com a gente, Cássia?
- Sim!
- Sabe andar de bicicleta?
- Claro, né, Cecília! Tu acha o que?
- Cuidado, viu.
E lá fomos nós três (uma amiga tinha emprestado a bicicleta). Pela calçada primeiro. Vamos atravessar a rua.
-Pára, menina, olha o carro!
E ela pula da bicicleta de repente, quase caindo.
- Tem que frear antes, Cássia! Tu num disse que sabia andar de bicicleta?!
- Andar eu sei. Eu não sei é frear.
O que dizer?!
Mais à frente, na rua, o sinal fecha pra ela e ela segue. Ainda bem que o carro que vinha na direção dela parou. Eu gritei no meio da rua, dei bronca, perdi a paciência. Mas que medo que eu senti. Depois desse episódio, ela disse que não andaria mais de bicicleta. Como boa irmã mais velha traumatizei a bichinha! E não foi a primeira vez (risos).
Enquanto ela estava aqui, não pudemos viajar tanto quanto ela gostaria, pois a grana estava curta e sem carro é difícil. Mas deu pra fazer um estrago...
Acampamos com os jovens da igreja e ela dormiu em barraca pela primeira vez na vida dela!

Ela jogou pétanque.


E até aprendeu a cuspir, veja a técnica francesa:

video

Foi realmente uma experiência rica, não foi, maninha? Ah, no vídeo quem aparece é uma grande amiga, Emmanuelle (a mesma que emprestou a bicicleta ;)).

Nós fomos também a um festival medieval, a parques, jardins.




Lembro do quanto foi divertido a gente comendo croissant na torre Eiffel.


Foi ela quem organizou tudo pra minha festa de aniversário do ano passado. Ela fez bolo, encheu bola, preparou tudo. No aniversário dela, de 18 anos, que ela teve o presente de comemorar aqui também (vocês devem ter percebido que a gente faz aniversário um atrás do outro: painho, eu e Cássia). Tudo o que ela queria era ir pruma boate. Eu detesto essas coisas, mas decidi dar esse presente pra minha maninha. O marido acompanhou, sem muito entusiasmo, mas acompanhou. E alguns amigos da igreja também vieram. Indicaram pra gente uma boate super "chique", o Café del Sol. O marido se estressou quando soube que não aceitavam pessoas "mal vestidas". Não que ele se vista mal, ok! Mas no conceito de "mal vestido" está implícito "usando tênis". Na verdade tinha que ir meio na beca, sabe. Mas Cássia estava toda radiante e treinou como dizer "eu tenho 18 anos" pra poder entrar. Nos arrumamos. Eu até coloquei salto!


Chegando lá, éramos umas 10 ou 12 pessoas. Perguntam nossa idade.

- J'ai dix-huit ans ! - responde Cássia em bom som toda orgulhosa.

O homem, alto, grande, intimidante nos diz:
- Jovens demais! Pra entrar aqui tem que ter 25 anos!

Que balde de água fria! Tadinha... Mas alguém indica uma outra boate. Nós vamos, entramos. Passamos 10 minutos e saímos. Música ruim. Pouco espaço. Ambiente hostil. A essa altura, já estávamos cansados. Alguns decidiram voltar pra casa. Em número reduzido à metade fomos pra outra boate. Chegando lá, Bernardo disse que não aguentava mais e que ia voltar pra casa, mas que eu poderia acompanhar minha irmã. Hesitei. Mas eu já não gosto de boate, ir sem o marido?! Oxe, voltei com ele! Cássia dançou o resto da noite. Ela estava com 3 amigos queridos e de confiança. Cuidaram bem dela (risos). Claro que Emmanuelle estava no meio. Sempre presente. Ainda bem que Cássia não ficou chateada pelo meu abandono. E guardou uma boa lembrança desse dia. O que ficou na minha memória foi principalmente a caminhada de volta de 50 minutos de salto alto. O que eu não faço por essa moça?

E hoje faz um ano que essa história se passou. Hoje ela completa seus 19 aninhos. Cheios de alegria, energia e vontade de viver. Quando você veio aqui pra França, você trouxe sede e ânsia por coisas novas. Que o vento te anuncie um futuro próximo cheio de novidades e realizações.

Que Deus te abençoe, irmã amada.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quem quer pão?

Somos de fases, cíclicos como as estações do ano. Inclusive no que diz respeito aos nossos hábitos alimentares. Nesse momento estamos na era dos... sanduíches. Não tem coisa mais simples, eu sei. Mas fomos incrementando com molhos, queijos, presunto, frango, até fígado. Não é por preguiça de preparar outra coisa que comemos sanduíche, é por gosto mesmo :) Ontem foi a vez do peito de frango, com molho branco, queijo e azeitona. Uma delicia.



Casal conversando à mesa. Bom-humor. Satisfação. Entre duas mordidas uma azeitona fugitiva conseguiu escapar pela culatra dos braços do pão do marido. No segundo seguinte a esposa, sem hesitar, ataca o prato do marido e resgata a azeitona, que coloca sem melindres direto na boca. Silêncio. Cara de pasmo. Risos. De uma das partes apenas. O marido num tom grave:
"Nunca mexa na comida de um cachorro!"
Moral da história: em briga de marido e mulher, não se mete a colher. Não... Em briga de marido, a mulher não mete a colher. Quer dizer... Em comida de marido, a mulher não mete a colher. Nem o dedo, nem belisca, nem rouba o último pedaço do filé que ele deixou no canto do prato pra comer por último, nem pega a azeitona caída.



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conversando com Selmy


Selmy é minha cunhada. A irmã caçula de Bernardo. Uma moça que passou de primeira no vestibular ano passado e acaba de ingressar numa aventura em busca de conhecimento e amadurecimento numa vida de independência em Marília, onde ela foi cursar Filosofia. Selmy tem um blog também, o Carpe Diem. Hoje eu li lá um texto que se chama "Aceitar a ilusão" e decidi comentar. Mas o comentário ficou grande demais, então resolvi publicá-lo por aqui, para conversar com ela. Esse é um chat aberto, quem quiser fique à vontade pra entrar e participar :)

Sel, gostei do texto!

"O mundo sensível aos sentidos, apesar de tanto me alegrar, não basta, eu queria sentir a razão, conversar e abraçar a consciência, queria olhar pra Deus contando as estrelas coladas em seu teto, queria tanto sorrir pra felicidade, dar um aperto de mão no conhecimento..."

"Abraçar a consciência"... muito bom! Eu também quero :) Concordo com você que é muito importante pensar, questionar, procurar ir além. Mas acrescentaria que isso combina com os crentes. Eu sei que Deus é. Que Ele é poderoso e amor. Sei que Ele fez o mundo. Que Jesus se fez homem pra nos salvar. Isso eu sei porque Ele me disse na solidão silenciosa do meu quarto aos 12 anos. Eu sei que Deus fez uma aliança com Abraão e a renovou com Isaac e Jacó. Isso aprendi na EBD. Eu sei que o Espírito Santo ora por nós, pois não sabemos orar direito. Descobri na Bíblia. Como você disse, Sel, quem acredita em Deus não vai passar noites em claro agonizando a se perguntar se o Pai existe. Mas há tantos mistérios por trás de um raio de sol, tanta perfeição na graça divina... Um cristão que se preze, vai buscar respostas. Ele sonda as escrituras. Ele ora. Ele estuda.
Sabe quando a gente tem algo que é importante demais pra contar que não pode fazê-lo por e-mail ou  telefonema? Há coisas que estimamos que devem ser ditas de frente, olho no olho, pra usar o bom tom, poder acrescentar gestos e sorrisos, e ver a reação do outro. Além do mais, pessoalmente às vezes basta apontar com o dedo para algo que queremos mostrar e pronto. Tudo entendido. Pois bem, acho que é por isso que há mistérios que Deus reserva para o grande momento em que o veremos face a face. Como Selmy, eu também quero olhar pra Deus. Mas não consigo imaginá-lo olhando pra cima contanto estrelas. Ele não olha pra cima ; simplesmente porque não tem nada lá. Deus conta as estrelas coladas em seu tapete.

Beijo, Flor!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Papi e mami na França

Nos dias em que estiveram aqui meus pais curtiram muito "brincar de casinha" na França. Quando se recebe visita em casa, as coisas costumam ficar meio fora do lugar; parece ser natural. Mas com eles aqui, a minha casa nunca esteve tão organizada, limpa, cheirosa. Eles secavam a louça! Parar de secar a louça foi meu grito de liberdade quando casei. Prefiro deixar escorrendo mesmo lol
Eles iam ao supermercado sozinhos, compraram vários utensílios pra minha casa, compraram flores, fuçaram a cidade e nos apresentaram um cantinho simpático perto da nossa casa com banquinho, bom pra namorar hehe. Mainha até foi ao salão sozinha.


Painho e Bernardo se divertiram bastante juntos, ora com xadrez, ora com (pasmem!) vídeo game.



Mas  claro que eles não ficaram só em casa. Fomos ao restaurante. Dois mesmo! Num comemos fondue e em outro saladas e tortas.


Mas nem só de baguette viverá o turista. Passeamos muito também! 

Visitamos castelos...



Lagos...


Jardins...


Até subimos vulcão...


Ah e claro, que fizemos festa. Afinal, 19 de abril do ano passado também foi meu aniversário, né?


Amor e saudade gigantes!

terça-feira, 26 de abril de 2011

O melhor presente de aniversário!

Ano passado, nessa mesma época do ano, eu tive a felicidade de receber meus pais e minha irmã aqui em casa. Sim, no meu cantinho do outro lado do Atlântico. E quanto amor e calor humano a 5 nos nossos 27 m²!


 Após um ano e meio de distância e saudade, graças a muito trabalho, eles puderam vir ver a filhinha na vida de casada.

Lembram que morava com meus pais e que Bernardo e eu casamos uma semana antes de viajar pra França, né? Eu fiquei super nervosa pra saber como seria ser esposa e filha ao mesmo tempo (risos). Meus pais ficaram por aqui durante 12 dias. Eles tinham previsto 10, mas lembram do vulcão que entrou em erupção na Islândia? Pois bem, foi bem na época em que eles estavam aqui. Até hoje me pergunto se não foi efeito colateral da vinda deles.
Eles aterrissaram na capital da moda, dia 10 de abril. No dia seguinte era o aniversário do meu pai.


Comemoramos em grande estilo visitando Paris. No mesmo dia da chegada deles visitamos o Moulin Rouge e a igreja do coração sagrado. Esses lugares representam dois opostos, um era um bordel e o outro, uma igreja, mas no momento convinha, já que geograficamente são próximos.




Em seguida, passeio na cidade. Rio Sena, monumentos, igrejas, a Notre Dame de Paris...


Torre Eiffel. Subimos, comemos, curtimos a vista, brincamos, estávamos radiantes de felicidade.


Depois, como não tínhamos tempo pra ver tudo, uma boa opção foi fazer o passeio de bateau mouche, que nos apresenta os principais pontos turísticos da cidade. Pelo menos pudemos ver de longe :)




Imaginem como estavámos cansados no fim desse maravilhoso dia. Depois de umas 8 horas (se não me engano) de vôo pros meus pais e minha irmã. Mas valeu a pena. No fim do dia, ainda cedo, meus pais foram pro hotel Ibis. Uma rede popular na França, com uma das melhores relações de custo x benefício. Cássia, minha irmã, e nós fomos pra casa de um amigo brasileiro que mora em Paris e nos recebe sempre de braços abertos (obrigada, Danilo!). 



Mas claro que a noite romântica dos meus pais em Paris não ia ser tranquila, né? O meu pai fechou o cadeado da mala com a chave dentro! Imaginem pra fazer a moça da recepção entender que eles queriam arrombar o cadeado! Pois é claro que por aqui não se vai encontrar algum funcionário que fala português. E meus pais, não falam inglês nem francês; vieram foi com a cara e a coragem mesmo. Mas desenrolaram. Com gestos, mímicas e malabares. 



Após uma noite de sono, tomamos um bom café da manhã no hotel.


E partimos para dar uma última olhada na cidade luz. Aproveitamos pra ir ver o museu do Louvre.


E a Champs Elysées, com o belo e triunfante arco.


24 horas em Paris, um verdadeiro sonho. Depois pegamos a estrada em direção à menos popular, mas a mais aconchegante Clermont-Ferrand. Onde passamos bons momentos em família. Presente que não esquecerei jamais.




Continua... 


* Para mais fotos, clique aqui
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