.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Cruz


Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
Efésios 5 - 25, 26 e 27.


Jesus não fez menos do que morrer por sua igreja. Por que eu deveria me dar ao luxo de esperar apenas bênçãos no meu casamento? Jesus carregou sua cruz, e isso não foi fácil. A dor, o cansaço, as agressões físicas e morais que ele suportou por nós, sua igreja, não me deixam dúvidas; o casamento pode ser muito doloroso.

Eu amo minha esposa, e eu prometo amá-la completa e intensamente até o fim dos meus dias. Eu não acho que isso vai ser fácil. Eu espero em Deus o calor e o carinho do seio de uma família crente nEle, que oferece proteção e risadas. Mas eu sei que vamos enfrentar tempestades. Não me refiro à tempestade que criamos para cruzar a França de bicicleta. Aquilo não foi nada... Estávamos nos divertindo. Antes, estou me referindo a provações de terror intenso. Ninguém sabe em que momento do ano um de nós vai descobrir que sofre de uma doença grave, ou vai ser atropelado por um ônibus. Não sabemos se o avião vai cair, ou se o trem vai colidir com outro por falha humana. Não temos meios de prever se um dos nossos filhos vai nascer deficiente, ou não vai chegar à idade escolar, ou o que for. O pensamento trágico não aumenta nem diminue estes riscos. Algo muito ruim que eu não imaginei ainda pode acontecer. Nada é certo. Nada além do amor.
O que quer que aconteça, eu estarei pronto a amar minha esposa. Isso é público. O "sim" foi público. Os votos lidos foram lidos em público. Isso não é segredo. A reafirmação desse amor não é notícia, não há novidade aqui. A reafirmação desse amor é explicação. Cristo amou a igreja. Cristo morreu pela igreja. Eu amo Cecília. Quem garante que eu não vou morrer por ela? Quem? Deus? Ele, que viu sua criança imolada, seria o último a afirmar isso. Eu escolhi morrer por ela, a menos que isso não seja necessário.
Respeitá-la, cuidar dela, criar seus filhos no amor e na graça do Evangelho, claro, claro, tudo isso, mas, por cima de tudo isso, caso seja preciso, se deixar sacrificar em seu lugar. Essa é a expressão máxima de meu amor. A triste e macabra realidade do amor matrimonial do marido é essa; a possibilidade de uma morte precosse em função da esposa.
O que se diz com isso tudo, é que o casamento tem certamente seus sacrifícios. Paulo ensina. É preciso amar até o fim. É preciso amar com todas as forças. É preciso não se dar escolha, uma vez que as escolhas já estão feitas e as decisões tomadas. Agora é preciso cumprir.
Eu afirmo que estarei pronto a defender a mulher que Deus me deu, até o último fôlego. Não é romântico, é dramático como a vida. É altamente real. Não é promessa original, é casamento. Nenhum homem pode se gabar de tê-lo inventado. Deus nos uniu. Separar-nos sem ofendê-lo é impossível, a menos que custe minha vida. Numa cruz, se for preciso.

Publicado hoje, mas escrito en janeiro de 2009.
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...