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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Chagrin Avenir

Quand je suis né, le papier était utilisé pour stocker des données.
Certains morceaux portaient des données très précieuses, comme l'identité de quelqu'un,  d'autres avaient même plus de valeur que certaines personnes.
Quand je suis né, beaucoup de monde passaient leur vie à regarder la vie des quelques uns, sans les avoir choisi, sur des écrans à sens unique, qui distribuaient de l'opinion sans jamais en recevoir.
Quand je suis né, les obstacles aux voyages n'étaient pas des mers ou des montagnes, mais des lignes imaginaires, qui classaient les gens par culture, couleur et richesse.
Quand je suis né, le monde avait tellement de langues qu'on pouvait faire la vie en enseignant les gens à parler.
Quand je suis né, on ne choisissait que qui allait choisir. Et pourtant on appelait ça démocratie.
J'ai l'impression que le monde n'a décidé de changer que quand je suis mort...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Standby

Caros amigos e leitores,

sinto muito a ausência das últimas semanas. O pior é a quantidade de coisa pra dividir com vocês borbulhando na minha cabeça. Os dedos aspiram o teclado. Mas ficam na vontade. Nem mesmo tempo pra ler outros blogs, atividade na qual estava viciada, eu tenho. Estamos sem internet em casa. E tenho trabalhado bastante. Tudo isso converge para a concretização da nossa próxima viagem, que já está marcada e cujas passagens estão compradas: Brasil!
Sim, e dessa vez não é piada, nem trote, nem delírio. Dia 9 de setembro estaremos aterrissando nessa terra quente de palmeiras e sabiás. Até lá, o blog estará em standby esperando ansioso pelas nossas novas aventuras. Sem esquecer as "velhas" ; ainda bem que tenho o "diário" da viagem pra Polônia.  
Até mais pessoal, em solo brasileiro. Chupando um boa manga de preferência. 

Eu vou ver o mar...     


quinta-feira, 16 de junho de 2011

De volta!

Um mês de silêncio! E tanta coisa pra dizer... Foi o tempo de retomar a vida de antes da Polônia, matar as saudades do marido, digerir toda a novidade e deixar amadurecer o olhar sobre as experiências vividas. Agora tenho que terminar de escrever minha dissertação sobre o estágio, que entregarei segunda. E então voltarei aqui pra expor as aventuras vividas em solo polonês. 

Até bem breve!




sábado, 28 de maio de 2011

Duas semanas que estou na Polônia. Sei que faz tempo que não escrevo, mas é tão difícil encontrar tempo; há sempre tanta coisa pra ver, pra conhecer, tocar, me apropriar. Hoje eu estou com um tempinho acompanhado de vontade. Mas peço desculpas, pois decepcionarei o público interessado na Polônia. Esse post é uma piegas declaração de amor e saudade.





segunda-feira, 16 de maio de 2011

Polônia - primeiro contato




Varsovie, sábado 14 de maio.
Saí de casa às pressas às 7h20. Como de costume, deixei muita coisa pra fazer em cima da hora. Tive que lavar roupa, imprimir uns documentos, preencher outros. Bernardo me acompanhou até a parada do tram. A despedida foi difícil. Cheguei ao ponto de encontro com minha colega de faculdade e o motorista do "covoiturage" bem na hora, 8 da noite. Seguimos para quatro horas de viagem em direção de Paris com um homem de 34 anos, casado, pai de dois filhos. Viajamos num furgão, pois o rapaz trabalha pra uma empresa de entrega de encomenda; roda a noite inteira e com pressa, mas com precisão. O covoiturage é uma maneira pra ele de fazer uma grana extra e ter companhia. Pequena precisão, talvez desnecessária: ele não tem autorização do patrão pra fazê-lo. Imaginem a grana extra que ele faz em um mês. Eu fiz as contas; uns 800€! Isso sem gastar com nada, pois a gasolina e os pedágios são pagos pela empresa pra qual ele trabalha, logicamente. Aparentemente, os brasileiros não são os únicos a dar um "jeitinho".
Chegamos em Paris um pouco mais da meia noite, no terminal 1 do aeroporto Charles de Gaulle, que estava vazio e em obras. Senti-me um tanto insegura. Nos instalamos num banco um tanto desconfortável e lanchamos. Comi um delicioso saduíche feito pelo marido. Alguns minutos depois, um senhor simpático com um forte sotaque, que suponho indiano, veio nos indicar que havia uns sofás confortáveis mais longe. Agradecemos surpresas pelo cuidado do homem e nos dirigimos pra onde ele nos havia indicado. Descobri que no aeroporto temos wifi por 15 minutos e fui gastá-los cada segundo com Bernardo. Depois me instalei, com a mochila bem protegida entre as pernas, e dormi profundamente. Mas pouco. às 4h30 da manhã, minha colega e eu seríamos acordadas pelo mesmo homem dizendo que estava na hora de fazer o check-in. Ele sabia o nosso vôo porque havia perguntado antes de apagarmos no sofá. Sim, podem ficar de boca aberta com o cuidado dele. E era gratuito e sincero.

A garota com quem estou viajando merece ser apresentada. Não somos próximas e em um ano de estudos não encontramos nada que nos aproximasse antes dessa viagem. Ela tem 21 anos com espírito de 15. Não faz nem 24 horas que estamos juntas e eu já estou sem paciência. Ela é uma figura de vulto pequeno, redondo e amarelo. Seu temperamento também parece uma caricatura. Em alguns minutos, pude perceber que ela reúne todos os clichês negativos dos franceses; os positivos, tenho duas semanas pra descobrir. Ela reclama de tudo e todos o tempo todo. Tudo é ruim, feio, desconfortável. Ela é cheia de preconceito cultural; antes mesmo de tocar em solo polonês já pode discursar sobre o que falta no país. Disse que comeu no McDonalds antes da viagem porque na Polônia muito provavelmente não tem; do mesmo jeito que não se tem telefone celular de qualidade. Pra quem não sabe, os franceses também se orgulham de serem conhecidos por serem pirangueiros. A moça, não podia ser diferente; percebi que ela espera eu sair pra comer algo. Como boa francesa, ela aprecia a culinária. Mas por ser caricatura, come o tempo todo e trouxe uma mala gorda, com salada, bolo, chocolate, yogurte, sanduíche e até linguiça. O argumento é "sabe-se lá o que eles vão nos dar pra comer lá!". E pra coroar, ela não sabe muito da geografia além das fronteiras do pentágono. Em uma conversa ela disse, com os olhinhos azuis brilhando de ignorância: "O Brasil é banhado pelo Pacífico, né?" Humm... o que responder? Sorrio amarelo, um mixto de piedade e desprezo. E informo pedagogicamente a situação geográfica do Brasil. Vou acabar fazendo como ela, que risca os dias na agenda quando eles passam.

Desculpem falar mal assim dela, mas precisava desabafar... 

Agora é quase meio dia, estamos em Varsóvia esperando o vôo pra Wroclaw. O vôo se passou bem, tranquilo e eu nem enjoei, dormi como um bebê. Faz umas duas horas que ouço poloneses conversando. E como eles falam! São pessoas que não se conhecem, mas a proximidade de um banco de aeroporto é o bastante pra fazê-los conversarem e se conhecerem. Já vi umas cinco pessoas se abrindo num sorriso a uma discursão com um vizinho de banco. Uma senhora me dirigiu a palavra. Entre as inúmeras consoantes, pude distinguir o nome da cidade pra onde vou. Fiz cara de "hã?!" e nem ousei a primeira frase em polonês. Soltei um "Sorry, I don't speak Polish". Ao que ela perguntou em inglês mesmo se eu ia pra Wroclaw. Respondi "Yes and you?" "Yes". Bom, infelizmente, não pudemos ir muito longe. Agora ela conversa sem pausa com um senhor que fala ainda mais que ela. Já gosto dos poloneses. Mas acho que vou sair daqui com complexo... Quanta mulher bonita! Grandes, de silhueta de modelo, longos cabelos loiros. E eu no meio, na minha ignorância linguística, um pingo de gente com um mochilão nas costas. 

terça-feira, 10 de maio de 2011

Viajando barato na França - a fraternidade existe?



Brasileira dando aula de francês na Polônia! Uau! Tudo bem que é só um estágio de duas semaninhas, mas eu não consigo conter minha emplogação e o pensamento de que é uma grande conquista. Pode ser um pequeno passo para a humanidade, mas é um grande salto para mim! Eu deveria estar preparando as aulas que vou dar, mas no momento só consigo procurar informações sobre a cidade, ler blogs, ver fotos e tentar dizer "Eu não falo polonês" em polonês. E eu até achei um bom site pra aprender a dizer algumas frases importantes. Aqui vai a dica:


Quantos visitantes desse blog querem aprender polonês? lol

Como eu já disse por aqui, sexta-feira (13!) vou de carona até Paris, onde pegarei o avião pra Polônia. Com alguém que não conheço e vou pagar por isso. Não parece estranho? Pois bem, é que os franceses encontraram uma maneira muito interessante de diminuir os gastos de viagens, que seja a passeio ou a trabalho. Eles se inscrevem num site e informam quantos assentos livres eles têm, pra onde vão, a que horas, etc etc. Pode-se até dizer se aceita animais, o tamanho da bagagem, se a pessoa fuma ou o quanto ela conversa. A idéia é dividir o preço da gasolina e dos pedágios. 
Os sites destinados a esse fim são cada vez mais numerosos. Eu me inscrevi no Covoiturage.fr, não paga nada. Antes que a minha mãe se assuste: "Minha filha, vai viajar com um estranho!! =O", informo que o interessante desse site é que dá pra saber há quanto tempo a pessoa está inscrita no site, as viagens que ela fez e os comentários das pessoas que já viajaram com ela. E tem sempre alguém indo pra Paris. Se eu fosse de trem pagaria uns 50€, com o covoiturage vou pagar 25€. Todo mundo sai ganhando! E não é que os franceses, apesar de serem conhecidos como frios e egoístas sabem se dar as mãos e encontrar soluções econômicas que beneficiam ambos os lados?

Você acha que isso poderia dar certo no Brasil? Eu tenho minhas dúvidas...

O curioso é que foi uma amiga alemã quem deu a dica pra gente. Estávamos na casa dela em Leipzig e deveríamos ir pra Suíça. Ela encontrou um alemão que ia pra Zurique e resolveu tudo pra gente. Só que ele não falava nada de português, nem francês, nem mesmo inglês. E a gente, claro, não fala nada de alemão além de umas palavras soltas e inúteis que aprendemos com um jogo de tabuleiro. Vez ou outra o ouvíamos reclamar de algo; bom, suponhamos pelo tom que ele reclamava. E ele falava bastante com uma moça que também estava pegando carona. Como é ambígua a sensação de estar perdido em outra cultura. É super empolgante e assustador ao mesmo tempo. Cuidado, pois acho que vicia! Estou em crise de abstinência e não vejo a hora de me encontrar à mesa de uma família polonesa e descobrir os sons da língua, as cores da cultura e o sorriso das crianças polonesas diante da minha ignorância em algo tão óbvio pra elas.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

A melhor viagem



Como estou preparando a minha viagem (faltam apenas 4 dias!! =X), estive pensando em qual foi a nossa melhor viagem até agora. Concluo que foi "Orage" que quer dizer tempestade em francês. Acho que quem acompanhou pelo blog concorda! Aqui vão os links pra quem quiser revisitar os relatos ou descobri-los. Foram apenas 7 dias de pedalada rumo à Suíça! Com barraca e panela nas costas.  Vale a pena conferir!




Com certeza não será a mesma coisa viajar sem o marido... :(

P.S. Sei que estou devendo um post sobre a tal carona... Paciência, será o próximo ;)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estudar na França - mestrado

Quando a gente achou que tinha aprendido como o sistema funcionava, inscrição pras provas, pagamento, com quem falar, onde ir, boletim, etc, tudo mudou. Depois de um ano estudando na França, vivemos como recém-chegados. Nos perdemos, entregamos documentos atrasados, tivemos que reaprender sobre o sistema, pois passamos a ser estudantes "normais". Um ano depois, tudo mudou novamente. Passei no mestrado pra FLE, ou seja, pra ser professora de francês para estrangeiros. É um curso interessante, principalmente pra quem gosta de viajar, aprender novas línguas e conhecer outras culturas. 
Aqui o mestrado dura dois anos, mas um ano é independente do outro. Eu por exemplo, vou fazer somente um ano e vou ter o que eles chamam de Bac +4 ou Master 1. O Bac (Baccalauréat) é uma prova que se faz no final do segundo grau (ainda se chama assim?!) e que o permite de ingressar numa faculdade. É, na prática, o equivalente do vestibular brasileiro. Então, o Bac +4, por exemplo, quer dizer que você fez 4 anos de estudo após o Bac. 
Igressar no primeiro ano de mestrado não é muito difícil. Mas para o segundo ano, é preciso ter média 12/20. Nos outros níveis de estudo, a média é 10/20. Mas não é por isso que não farei o mestrado 2! ;) A maioria das ofertas de emprego na minha área, FLE, exige um Bac +3 ou Bac +4. É raro pedir um Bac +5, e os que pedem geralmente são para cargos de diretor ou coordenador e não de professor. O que eu quero mesmo é ensinar! Além do mais, já está na hora de mudar de país.
Para passar de ano, no mestrado, é preciso fazer 1 mês de estágio (que não é remunerado). As minhas duas semanas de estágio que faltam, farei na Polônia. Repararam no cronômetro ao lado? Pois é! Minha viagem está chegando. Irei de carona, na sexta-feira 13, até Paris. De lá pego um avião para a Polônia. Dia 14 de maio às 13 horas, estarei pousando em Varsóvia, numa escala que me levará em seguida à Wrocław. Veja o percurso:


A = Clermont-Ferrand      B = Paris     C = Varsóvia     D = Wrocław

O meu primeiro desafio é pronunciar o nome da cidade! O resto eu vejo depois. E rumo à aventura!

P.S. Na próxima postagem vou explicar direitinho essa história de carona... ;)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dicas pra quem quer estudar na França

Faz quase três anos que estamos na França. E cada ano foi completamente diferente um do outro. Viemos em 2008 num intercâmbio, graças a um acordo entre a UFPE e a UBP (Université Blaise Pascal em Clermont-Ferrand). A gente se inscreveu na reitoria da UFPE e, uma vez aceitos, se inscreveu no site do Campus France. Na época o site era mal feito, mas depois de alguns telefonemas coseguimos resolver. Começamos a dar entrada nos papéis um ano antes da nossa vinda, em setembro 2007, se não me falha a memória. Tivemos a resposta em fevereiro apenas. Em março, noivamos; não que todo interessado em estudar na França deva seguir exatamente essa etapa do passo-a-passo ;).



O bom de viajar nesse sistema de acordo entre as faculdades é que o estudante não precisa se preocupar com moradia. A faculdade que o receberá mandará os papéis do aluguel de um quarto numa residência universitária. Basta assinar. Mas não espere muito conforto.





Geralmente são quartos de 9 m², com banheiro e cozinha coletivos.



O preço varia entre 130 € e 210 € (esse com banheiro pessoal). Existe a possibilidade de alugar um apartamento, mas é mais complicado. É preciso ter um fiador em solo francês ou comprovar renda. E a gente sabe que nem todo estudante de intercâmbio tem como comprovar renda. Além do mais os preços aumentam consideravelmente quando descartamos uma residência universitária popular. Quem quer morar razoavelmente bem sozinho deve saber que vai gastar em torno de 350 €. O apê em que moramos agora foi um verdadeiro achado. Nos custa 240 € de aluguel e é perto de tudo, sem ser no centro da cidade. Confira aqui
Pense também em fazer o seu passaporte o mais rápido possível. E traga com você cada documento cuja cópia você enviou ao consulado francês na sua cidade. É uma ilusão achar que o governo francês se comunica entre si. É verdade que consulado francês é o governo francês. Mas aparentemente a informação não circula como deveria. Então, chegando aqui, eles vão te pedir as mesmas coisas que você já mostrou, provou, assinou e tudo o mais. E se você vem pra mais de seis meses, logo após se inscrever na faculdade (que custa 400 € por ano, pagos de uma vez), corra à prefeitura da cidade (préfécture) pra dar entrada na sua autorização de estadia (titre de séjour). A inscrição na faculdade é feita par intermédio do bureau de relations internationalles. Saiba que você pode pagar quantas cadeiras quiser e pode escolhê-las, não importa o período. Mas se você pretende pedir equivalência pra se inscrever como os outros estudantes franceses, aconselhamos a pagar todas as cadeiras (ou a maioria) e de um mesmo preríodo. Nós pagamos as cadeiras do segundo ano e pedimos equivalência pra cursar o terceiro. Fomos aceitos e temos o diploma francês (o equivalente do Bac +3 no sistema francês).

Eu não estou triste! Só meio nervosa por estarmos tirando foto no meio da  aula. :)


Vale a pena!

Alguma dúvida? Pode perguntar que a gente responde!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jardim francês em dia de sol

Clermont-ferrand é uma das "cidades floridas" da França. Cada primavera, um orçamento desconcertante é dedicado às flores. Ao som de uma versão brasileira da versão francesa de uma música de Rick Founds, curtam as imagens dessa festa de cores, no coração da cidade, numa tarde ensolarada.


sábado, 30 de abril de 2011

Joyeux Anniversaire, Cássia !


Cássia, minha única irmã, caçulinha braba, também veio pra França ano passado. Mas ela teve o privilégio de passar dois meses aqui. Ela chegou tímida, sem falar uma palavra de francês. Mas foi corajosa pra sair sozinha com nossos amigos franceses. Ainda na primeira semana ela foi a um almoço na casa de um casal da igreja com alguns jovens. Incrível como em um dia ela aprendeu tanto. Fez amizade. Se divertiu. E descobriu o quanto pode ser prazeroso aprender uma língua estrangeira. Quão rica e interessante é a experiência de mergulhar numa cultura alheia, descobrir seus sons, tatear suas formas, balbuciar visões.



No tempo em que ela esteve aqui, nos redescobrimos, trocamos experiência, aprendemos juntas, curtimos muito. E brigamos lol. Achei curioso ver o quanto mudamos. Eu não imaginava o quanto ela tinha mania de limpeza e arrumação (pegou de mainha, acuso logo!). A pobre ficou agoniada com a nossa bagunça. Ela arrumava, cozinhava, lavava louça. Veio pra França ser explorada pela irmã! (risos) E ela descobriu que eu me divirto muito, faço festa, sou aventureira. Antes ela conhecia a Cecília nerd .
Nós fizemos tanta coisa... foram tantas conversas de madrugada, passeios à noite na cidade, filmes, gargalhadas. Fizemos laser game, andamos de bicicleta... Por falar em bicicleta, essa menina continua a mesma destrambelhada de sempre. Aqui vamos de bicicleta pra todo canto. A cidade é pequena e tem bastante ciclovia.
- Vem com a gente, Cássia?
- Sim!
- Sabe andar de bicicleta?
- Claro, né, Cecília! Tu acha o que?
- Cuidado, viu.
E lá fomos nós três (uma amiga tinha emprestado a bicicleta). Pela calçada primeiro. Vamos atravessar a rua.
-Pára, menina, olha o carro!
E ela pula da bicicleta de repente, quase caindo.
- Tem que frear antes, Cássia! Tu num disse que sabia andar de bicicleta?!
- Andar eu sei. Eu não sei é frear.
O que dizer?!
Mais à frente, na rua, o sinal fecha pra ela e ela segue. Ainda bem que o carro que vinha na direção dela parou. Eu gritei no meio da rua, dei bronca, perdi a paciência. Mas que medo que eu senti. Depois desse episódio, ela disse que não andaria mais de bicicleta. Como boa irmã mais velha traumatizei a bichinha! E não foi a primeira vez (risos).
Enquanto ela estava aqui, não pudemos viajar tanto quanto ela gostaria, pois a grana estava curta e sem carro é difícil. Mas deu pra fazer um estrago...
Acampamos com os jovens da igreja e ela dormiu em barraca pela primeira vez na vida dela!

Ela jogou pétanque.


E até aprendeu a cuspir, veja a técnica francesa:

video

Foi realmente uma experiência rica, não foi, maninha? Ah, no vídeo quem aparece é uma grande amiga, Emmanuelle (a mesma que emprestou a bicicleta ;)).

Nós fomos também a um festival medieval, a parques, jardins.




Lembro do quanto foi divertido a gente comendo croissant na torre Eiffel.


Foi ela quem organizou tudo pra minha festa de aniversário do ano passado. Ela fez bolo, encheu bola, preparou tudo. No aniversário dela, de 18 anos, que ela teve o presente de comemorar aqui também (vocês devem ter percebido que a gente faz aniversário um atrás do outro: painho, eu e Cássia). Tudo o que ela queria era ir pruma boate. Eu detesto essas coisas, mas decidi dar esse presente pra minha maninha. O marido acompanhou, sem muito entusiasmo, mas acompanhou. E alguns amigos da igreja também vieram. Indicaram pra gente uma boate super "chique", o Café del Sol. O marido se estressou quando soube que não aceitavam pessoas "mal vestidas". Não que ele se vista mal, ok! Mas no conceito de "mal vestido" está implícito "usando tênis". Na verdade tinha que ir meio na beca, sabe. Mas Cássia estava toda radiante e treinou como dizer "eu tenho 18 anos" pra poder entrar. Nos arrumamos. Eu até coloquei salto!


Chegando lá, éramos umas 10 ou 12 pessoas. Perguntam nossa idade.

- J'ai dix-huit ans ! - responde Cássia em bom som toda orgulhosa.

O homem, alto, grande, intimidante nos diz:
- Jovens demais! Pra entrar aqui tem que ter 25 anos!

Que balde de água fria! Tadinha... Mas alguém indica uma outra boate. Nós vamos, entramos. Passamos 10 minutos e saímos. Música ruim. Pouco espaço. Ambiente hostil. A essa altura, já estávamos cansados. Alguns decidiram voltar pra casa. Em número reduzido à metade fomos pra outra boate. Chegando lá, Bernardo disse que não aguentava mais e que ia voltar pra casa, mas que eu poderia acompanhar minha irmã. Hesitei. Mas eu já não gosto de boate, ir sem o marido?! Oxe, voltei com ele! Cássia dançou o resto da noite. Ela estava com 3 amigos queridos e de confiança. Cuidaram bem dela (risos). Claro que Emmanuelle estava no meio. Sempre presente. Ainda bem que Cássia não ficou chateada pelo meu abandono. E guardou uma boa lembrança desse dia. O que ficou na minha memória foi principalmente a caminhada de volta de 50 minutos de salto alto. O que eu não faço por essa moça?

E hoje faz um ano que essa história se passou. Hoje ela completa seus 19 aninhos. Cheios de alegria, energia e vontade de viver. Quando você veio aqui pra França, você trouxe sede e ânsia por coisas novas. Que o vento te anuncie um futuro próximo cheio de novidades e realizações.

Que Deus te abençoe, irmã amada.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quem quer pão?

Somos de fases, cíclicos como as estações do ano. Inclusive no que diz respeito aos nossos hábitos alimentares. Nesse momento estamos na era dos... sanduíches. Não tem coisa mais simples, eu sei. Mas fomos incrementando com molhos, queijos, presunto, frango, até fígado. Não é por preguiça de preparar outra coisa que comemos sanduíche, é por gosto mesmo :) Ontem foi a vez do peito de frango, com molho branco, queijo e azeitona. Uma delicia.



Casal conversando à mesa. Bom-humor. Satisfação. Entre duas mordidas uma azeitona fugitiva conseguiu escapar pela culatra dos braços do pão do marido. No segundo seguinte a esposa, sem hesitar, ataca o prato do marido e resgata a azeitona, que coloca sem melindres direto na boca. Silêncio. Cara de pasmo. Risos. De uma das partes apenas. O marido num tom grave:
"Nunca mexa na comida de um cachorro!"
Moral da história: em briga de marido e mulher, não se mete a colher. Não... Em briga de marido, a mulher não mete a colher. Quer dizer... Em comida de marido, a mulher não mete a colher. Nem o dedo, nem belisca, nem rouba o último pedaço do filé que ele deixou no canto do prato pra comer por último, nem pega a azeitona caída.



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conversando com Selmy


Selmy é minha cunhada. A irmã caçula de Bernardo. Uma moça que passou de primeira no vestibular ano passado e acaba de ingressar numa aventura em busca de conhecimento e amadurecimento numa vida de independência em Marília, onde ela foi cursar Filosofia. Selmy tem um blog também, o Carpe Diem. Hoje eu li lá um texto que se chama "Aceitar a ilusão" e decidi comentar. Mas o comentário ficou grande demais, então resolvi publicá-lo por aqui, para conversar com ela. Esse é um chat aberto, quem quiser fique à vontade pra entrar e participar :)

Sel, gostei do texto!

"O mundo sensível aos sentidos, apesar de tanto me alegrar, não basta, eu queria sentir a razão, conversar e abraçar a consciência, queria olhar pra Deus contando as estrelas coladas em seu teto, queria tanto sorrir pra felicidade, dar um aperto de mão no conhecimento..."

"Abraçar a consciência"... muito bom! Eu também quero :) Concordo com você que é muito importante pensar, questionar, procurar ir além. Mas acrescentaria que isso combina com os crentes. Eu sei que Deus é. Que Ele é poderoso e amor. Sei que Ele fez o mundo. Que Jesus se fez homem pra nos salvar. Isso eu sei porque Ele me disse na solidão silenciosa do meu quarto aos 12 anos. Eu sei que Deus fez uma aliança com Abraão e a renovou com Isaac e Jacó. Isso aprendi na EBD. Eu sei que o Espírito Santo ora por nós, pois não sabemos orar direito. Descobri na Bíblia. Como você disse, Sel, quem acredita em Deus não vai passar noites em claro agonizando a se perguntar se o Pai existe. Mas há tantos mistérios por trás de um raio de sol, tanta perfeição na graça divina... Um cristão que se preze, vai buscar respostas. Ele sonda as escrituras. Ele ora. Ele estuda.
Sabe quando a gente tem algo que é importante demais pra contar que não pode fazê-lo por e-mail ou  telefonema? Há coisas que estimamos que devem ser ditas de frente, olho no olho, pra usar o bom tom, poder acrescentar gestos e sorrisos, e ver a reação do outro. Além do mais, pessoalmente às vezes basta apontar com o dedo para algo que queremos mostrar e pronto. Tudo entendido. Pois bem, acho que é por isso que há mistérios que Deus reserva para o grande momento em que o veremos face a face. Como Selmy, eu também quero olhar pra Deus. Mas não consigo imaginá-lo olhando pra cima contanto estrelas. Ele não olha pra cima ; simplesmente porque não tem nada lá. Deus conta as estrelas coladas em seu tapete.

Beijo, Flor!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Papi e mami na França

Nos dias em que estiveram aqui meus pais curtiram muito "brincar de casinha" na França. Quando se recebe visita em casa, as coisas costumam ficar meio fora do lugar; parece ser natural. Mas com eles aqui, a minha casa nunca esteve tão organizada, limpa, cheirosa. Eles secavam a louça! Parar de secar a louça foi meu grito de liberdade quando casei. Prefiro deixar escorrendo mesmo lol
Eles iam ao supermercado sozinhos, compraram vários utensílios pra minha casa, compraram flores, fuçaram a cidade e nos apresentaram um cantinho simpático perto da nossa casa com banquinho, bom pra namorar hehe. Mainha até foi ao salão sozinha.


Painho e Bernardo se divertiram bastante juntos, ora com xadrez, ora com (pasmem!) vídeo game.



Mas  claro que eles não ficaram só em casa. Fomos ao restaurante. Dois mesmo! Num comemos fondue e em outro saladas e tortas.


Mas nem só de baguette viverá o turista. Passeamos muito também! 

Visitamos castelos...



Lagos...


Jardins...


Até subimos vulcão...


Ah e claro, que fizemos festa. Afinal, 19 de abril do ano passado também foi meu aniversário, né?


Amor e saudade gigantes!

terça-feira, 26 de abril de 2011

O melhor presente de aniversário!

Ano passado, nessa mesma época do ano, eu tive a felicidade de receber meus pais e minha irmã aqui em casa. Sim, no meu cantinho do outro lado do Atlântico. E quanto amor e calor humano a 5 nos nossos 27 m²!


 Após um ano e meio de distância e saudade, graças a muito trabalho, eles puderam vir ver a filhinha na vida de casada.

Lembram que morava com meus pais e que Bernardo e eu casamos uma semana antes de viajar pra França, né? Eu fiquei super nervosa pra saber como seria ser esposa e filha ao mesmo tempo (risos). Meus pais ficaram por aqui durante 12 dias. Eles tinham previsto 10, mas lembram do vulcão que entrou em erupção na Islândia? Pois bem, foi bem na época em que eles estavam aqui. Até hoje me pergunto se não foi efeito colateral da vinda deles.
Eles aterrissaram na capital da moda, dia 10 de abril. No dia seguinte era o aniversário do meu pai.


Comemoramos em grande estilo visitando Paris. No mesmo dia da chegada deles visitamos o Moulin Rouge e a igreja do coração sagrado. Esses lugares representam dois opostos, um era um bordel e o outro, uma igreja, mas no momento convinha, já que geograficamente são próximos.




Em seguida, passeio na cidade. Rio Sena, monumentos, igrejas, a Notre Dame de Paris...


Torre Eiffel. Subimos, comemos, curtimos a vista, brincamos, estávamos radiantes de felicidade.


Depois, como não tínhamos tempo pra ver tudo, uma boa opção foi fazer o passeio de bateau mouche, que nos apresenta os principais pontos turísticos da cidade. Pelo menos pudemos ver de longe :)




Imaginem como estavámos cansados no fim desse maravilhoso dia. Depois de umas 8 horas (se não me engano) de vôo pros meus pais e minha irmã. Mas valeu a pena. No fim do dia, ainda cedo, meus pais foram pro hotel Ibis. Uma rede popular na França, com uma das melhores relações de custo x benefício. Cássia, minha irmã, e nós fomos pra casa de um amigo brasileiro que mora em Paris e nos recebe sempre de braços abertos (obrigada, Danilo!). 



Mas claro que a noite romântica dos meus pais em Paris não ia ser tranquila, né? O meu pai fechou o cadeado da mala com a chave dentro! Imaginem pra fazer a moça da recepção entender que eles queriam arrombar o cadeado! Pois é claro que por aqui não se vai encontrar algum funcionário que fala português. E meus pais, não falam inglês nem francês; vieram foi com a cara e a coragem mesmo. Mas desenrolaram. Com gestos, mímicas e malabares. 



Após uma noite de sono, tomamos um bom café da manhã no hotel.


E partimos para dar uma última olhada na cidade luz. Aproveitamos pra ir ver o museu do Louvre.


E a Champs Elysées, com o belo e triunfante arco.


24 horas em Paris, um verdadeiro sonho. Depois pegamos a estrada em direção à menos popular, mas a mais aconchegante Clermont-Ferrand. Onde passamos bons momentos em família. Presente que não esquecerei jamais.




Continua... 


* Para mais fotos, clique aqui
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