"Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR" (Lamentações 3:26)

Eu queria ser aquela árvore que viu suas folhas cair e não chorou. Aquela árvore que o frio do inverno não abalou. Suas raízes fortes e nodulosas longe vão buscar o alimento que sustentará cada um de seus galhos. Seu tronco robusto resiste às intempéries. Essa árvore sabe viver. Ela aceitou o ninho vazio. O silêncio do inverno. E vestiu com majestade o manto branco de dezembro. Meses depois, ela viu resignada o boneco de neve partir. Na primavera, ela acolheu o filho pródigo. Deu sombra ao homem solitário. Fruto ao moleque acinzentado. Sua flor ornou os cabelos da moça. O esquilo fez dela seu refúgio. A árvore aceitou com um sorriso nos galhos, com a consciência de que nada daquilo era definitivo.
De onde ela tira a sua força? Como ela aprendeu quem ela é e o seu papel no sistema? Como ela aprendeu a aceitar com tanta doçura o seu destino? Com quem ela aprendeu a dar sem esperar algo em troca? Comovo-me. Eu queria ser aquela árvore que soube esperar. Os pés firmes ao chão. Os braços sempre abertos. A cabeça alta, perto do céu.
3 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Barriga de 5 meses (21 semanas)

Elias e seus desejados 4 anos

Relato de parto II - amor rima com raiva