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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Vou perguntar pra Freud


Não entendo o que anda contecendo, mas as crianças andam me perseguindo com perguntas difíceis sobre "o que" eu sou. Outro dia, num banheiro público, encontro mãe e filha à beira da pia se preparando para lavar as mãos. Vendo que eu estava com pressa e sabendo que eu seria com certeza mais rápida que as duas, a mulher disse que eu poderia passar primeiro. A menina, que devia ter uns 6 anos cheios de curiosidade e nenhuma hipocrisia, me lançou um olhar inquisidor e perguntou:

- Você é uma jovem mamãe?
- Não. - Respondo com um sorriso nos lábios.
- Você é uma criança?
- Não. - O sorriso cada vez maior, mas ainda monossilábica de surpresa.

Silêncio. Os olhos da menina pousados em mim, sobrancelhas franzidas. Lavei-me as mãos. O que dizer? Antes de sair, disse rapidamente:

- Sou adulta, tenho 22 anos. Tchau!

Não entendo. Umas acham que tenho a idade da mãe delas, outras, a idade da irmã. Em alguns segundos vou de jovem mamãe pra criança, sob o olhar de uma desconhecida no banheiro. Ai, ai, essas menininhas vão me deixar em crise de identidade!
Sou uma adulta?
Ou será que sou uma criança?


E Freud, será que ele seria capaz de explicar?

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