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domingo, 27 de dezembro de 2009

Receita: Panetone Tropical

Aqui vai uma receita de panetone pra quem não tem nenhuma experiência com cozinha e nada a perder.

Ingredientes:

  • 1/2 kg de farinha de trigo
  • 2 ovos
  • 250 g de margarina
  • +/- 20 g de fermento biológico pra pão
  • 1 punhado de passas
  • outro de mangas secas
  • Uma banana seca.
  • e uma máquina de fazer pão. Isso mesmo. Sem ela, desista e compre pronto. Haha!


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Subindo um vulcão no inverno!

De Natal 2009


Nossa primeira viagem desse inverno foi ao Massif du Sancy. Nós estivemos a 1700 metros de altitude. A parte mais alta do massif alcança 1886 metros. O tempo não estava dos melhores, o équipamento não era dos melhores, e Cecília trabalhou na noite do mesmo dia. Não deu para ir mais longe... Mas isso não é nada. Na França so tem morrinho. Para semana que vem, estamos planejando cruzar o Hymalaia.

Veja o álbum completo aqui.

E para os que gostam de nos ver em ação, aqui vai um videozinho:




Tenha um bom dia.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

AVATAR

Ontem fomos ao cinema com nosso amigo Jonathan. Fomos ver AVATAR, o novo filme de James Cameron.




Para ver em alta resolução, youtube!!!

James Cameron se superou. O filme é longo (2h50), mas nós não tiramos os olhos da telona nem por um segundo. Entretanto, o tal do 3D (treis dê, como diria Chico Bento) nos decepcionou bastante. A simulação não convence o cérebro por completo, e o esforço da vista cansa. Tecnologia nova...

Mas o pior foi suportar o som adulterado pelos francêses, que não suportam aprender outra língua além da deles. Filme dublado no cinema... Uaaau! É o primeiro mundo!


domingo, 18 de outubro de 2009

Paris

Depois de um ano morando na França, nós ainda não tínhamos visitado Paris. Uma promoção da SNCF, a Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro, e um pouco de boa vontade, decidimos matar duas aulas para passear pela capital mais visitada do mundo. Nosso turismo, entretanto, não foi dos mais convencionais...

Percorremos os lugares mais caros e badalados da cidade luz, mas a única compra que fizemos foi... um café. (À 2,60 €). Fomos obrigados. Usamos a bateria da câmera até o último suspiro, e o velhinho dono de um café na frente do Louvre pirangou até o uso da sua tomada. "O senhor vai consumir?" ele perguntou quando Bernardo explicou nosso infortúnio elétrico.

Com um turismo monstruoso que ataca a cidade todos os dias, a prefeitura tem que trabalhar duro para manter a limpeza e garantir a segurança. Flagramos a agilidade das vassouras do futuro e a seriedade dos soldados muito bem armados que patrulham os alvos em potencial da violência.

Flagramos a sujeira mais ágil que a prefeitura. Assim como o ladrão mais ágil que a polícia, que roubou a bolsa de uma senhora entre os pés da torre Eiffel, momentos antes de passar a patrulha. Cecília viu tudo... e escondeu a câmera. Lógico...

No fim de um dia inesquecível, encontramos um velho amigo. Danilo Rocha, jornalista, que estudou francês conosco antes de vir estudar ciências políticas em Dijon, FRANÇA. Agora, ele enfrenta a Paris subterrânea todos os dias, por um mestrado de 1° mundo.

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Se você gostou desse pequeno clip, provavelmente vai querer a versão completa do vídeo (22 min), onde apresentamos a cidade.
Para baixá-lo, CLIQUE AQUI (download direto) ou AQUI (torrent).

O método torrent é recomendado para conexões lentas, porque se você precisar desligar o computador, quando religá-lo, o download recomeça de onde parou. Entretanto, você vai precisar de um programa capaz de abrir o arquivo torrent, como Bittorrent, por exemplo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Igreja = família

Igreja é igual a família. Igual não é para fazer comparação. Igual é para expressar igualdade. E igreja... Bem; igreja é IGUAL a família.

Estamos casados a apenas um ano, ainda não temos crianças, mas a casa está cheia. Uma lasanha para seis foi feita com cuidado e queijos nacionais. Naturalmente, aqui os queijos nacionais são excelentes... Assistimos a um filme de comédia, rimos bastante, quando já tínhamos rido a larga com Elisabeth, nossa irmãzinha...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Fim de semana com a igreja

Domingo 12 de setembro, nove da manhã, Emilie chega à nossa porta com seu filhinho de um ano e meio. Ela vai nos levar para Chambon sur Lac. Uma cidadezinha às margens de um lindo lago, onde passamos, com outros irmãos da Igreja Batista de Clermont-Ferrand, um fim de semana inesquecível. Entre jovens brincando de lobisomem até cinco da manhã e crianças voando num super parquinho, ninguém ficou parado. Ou com fome; equipes trabalharam em turnos para garantir verdadeiros banquetes. Entre os cultos e palestras, pingue-pongue e passeios às margens do lago Chambon. O tema foi "a igreja e seu papel de mãe". Mas não foram as palestras que a gente gravou...



Tenha um bom dia.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Proesa no Flighgear

Eu gosto muito de pilotar. Com ajuda de Jether, comprei meu primeiro simulador de vôo aos 14. Hoje, todo mundo sabe que eu não compro software algum, mas isso não me impede de desfrutar de bons programas livres da comunidade Linux. Flightgear é um excelente simulador código aberto. Em alguns pontos, muito mais realista que o da Microsoft (pago).

Olha se não é lindo...








Não deixe de tentar: www.flightgear.org

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Novas fotos

Temos novas fotos em álbuns antigos. Um amigo que estava no dia do meu aniversário e no Club Ecolo com a gente nos mandou as fotos que ele tinha tirado. Por isso nesses dois álbuns temos fotos novas. Para quem estiver interessado...

Subida ao Pariou

Dia 23 de julho, após um dia longo e cansativo de trabalho, Pedro e eu decidimos subir o Pariou. Era uma quinta-feira e ambos trabalharíamos no dia seguinte, mas precisávamos tomar ar. Eu já tinha subido o Pariou com o garotinho que cuidei durante uma parte das férias e achei magnífico. Uma obra-prima do Criador. Eu estava ansiosa para mostrar ao meu marido, para compartilhar com ele a contemplação de tamanha beleza.
Levamos queijo e uma garrafa de vinho. Mas depois de um dia inteiro dentro do carro no estacionamento, o queijo tava oleoso e o vinho quente. Decidimos deixar para o jantar em casa mesmo. Tínhamos ainda uns damascos secos pra comer. Só faltou a água... hehe Com o trabalho todo não tivemos tempo de nos organizarmos direito. Mas curtimos demais, ainda assim. Ou por isso mesmo...

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Viram como estava ventando? Eu tinha a impressão que o vento ia me carregar e eu ia sair voando sobre Clermont...

Olha quem encontramos por lá...

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Dentro da cratera, que emoção...


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Quando tenho diante de mim tamanha perfeição me pergunto como algumas pessoas podem simplesmente não acreditar em Deus. Somos tão pequenos... Ele é tão imenso e perfeito. Como é bom ver sua obra de pertinho. Esse é um dos motivos para eu gostar tanto de viajar: testemunhar as várias facetas das obras feitas pelas mãos do Altíssimo. Ele tem nos abençoado tanto... Que o Seu Nome seja louvado.

Nous voici !

Olá, queridos leitores fiéis.

Sabemos que não temos sido escritores fiéis, mas é que as novidades vão ficando escassas após um ano. No início tudo era novidade e tudo era motivo para escrever e mostrar pra vocês: fazer feira, lavar roupa, a bicicleta nova... Agora, já estamos com uma rotina bem esquematizada.
Fomos aceitos para fazer o terceiro ano em Blaise Pascal como estudantes "normais" e teremos um diploma francês em setembro de 2010. Semana passada pedimos a renovação da autorização de permanência para mais um ano aqui e esperamos a resposta da Prefeitura, que teremos somente em setembro. É pouco provável que não sejamos aceitos... Mas continuem orando.
Estamos de férias desde meiados de junho e as aulas só começam 15 de setembro. Isso é que são férias longas! Estamos aproveitando, como vocês podem ver pelas fotos no Picasa. Decidimos que subiremos pelo menos dois vulcões por mês. Refizemos o Puy-de-Dôme (mas não tiramos fotos porque foi à noite), conhecemos o Pariou, que é considerado a cratera mais bonita da França e sexta passada fizemos o Puy-de-Goules. Já escolhemos os dois seguintes... Continuamos recebendo os amigos da Igreja, visitando-os. Semana passada cuidamos de Nathan mais uma vez. Ontem Pedro trabalhou, mas eu recebi as amigas em casa. Cozinhei, fiz pavê de ameixa inventado por mim, apresentei-as aos meus pais e a Cássia, vimos um filme. Foi uma ótima tarde. Pedro e eu, como sempre, assistindo a bastantes filmes, em média três por semana mais a série americana Alias. Cozinhamos bastante também e jogamos xadrez às vezes.

Mas nem tudo é lazer... Temos trabalhado bastante também. Coincidentemente, no mesmo lugar. Estamos num parque de atrações temático, sobre vulcões, que se chama Vulcania. Confiram o site deles. Pedro trabalha nos restaurantes, nas lanchonetes de lá e eu, na recepção. Ora fico no estacionamento, que é o mais cansativo, ora no caixa, ora nas atrações. Tenho aprendido bastante, tenho oportunidade de treinar o inglês e tenho feito bons colegas.
Nosso apê está cada vez melhor. Compramos uma cama mezanino, ganhamos uma estante, compramos uma máquina de fazer pão... Em breve colocaremos fotos com a nova configuração.

É isso. Se tiver algo sobre a França, Clermont ou nossa vida aqui que os interessa, pode nos dar sugestões sobre o que escrever. É pra vocês que escrevemos mesmo ;)

Até mais. Fiquem na paz de Cristo.

Papo de criança

Família reunida à noite. Éric conta histórias da Bíblia a seus filhos. A esposa, Diane, o acopanha. A história da vez é a de José e Maria. Eles estão no momento em que Maria, grávida de Jesus, foge com José para Jerusalém montados num burro. Chegando a noite e não tendo onde se abrigar, pernoitam numa estrabaria com os animais. E é nesse lugar em que nascerá o Rei dos reis, o filho de Deus.
Esther, nos seus sete aninhos, que ouvia atenta e calada até então, comenta aliviada:

- Ainda bem que foi numa estrebaria, senão, onde eles colocariam o burro?

Eu nunca tinha visto dessa maneira... E você?

* * *

Nessas férias, tive o prazer de cuidar de um garotinho esperto chamado Grégoire. Passeamos bastante, fomos ao cinema, ao parque, a Vulcania, jogamos ping-pong, xadrez, totó... E subimos o Pariou com um colega dele. Na subida, os meninos estavam animados, cheios de energia e de palavras. Na volta, cansados de andar, sem mais nada de novo pra ver, Clément, o amigo de Grégoire, começa a se queixar:

- Ai, estou cansado... Enjoei de andar, que tédio. A gente não faz nada... Só anda, anda. Que tédio!
- Ah, eu não estou entediado, não. Eu penso em um monte de coisa! - respondeu Grégoire.

Genial, não?!

Eles sempre me surpreendem...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

"Deixai vir a mim as criancinhas"

Sempre gostei de criança. Me encanto com seus olhos brilhando ao descobrir o mundo, com suas palavras sem melindres, com a pureza do bebê. Gostaria de um dia poder ver o mundo como uma criança, pela primeira vez, sem entender nada. Algumas vezes nos sentimos um pouco assim, pagando micos por aqui. Mas imagino que como será quando formos pra China. Balbuciar palavras, descobrir novos sons que somos capazes de produzir, aprender a comer, nos educar pra viver em sociedade.
Por enquanto, me contento em ver a surpresa em olhos alheios. Desde outubro do ano passado, ainda com o francês manco, comecei a cuidar de Hugo, que na época tinha 10 anos. Sua mãe é psicóloga, muito legal comigo e Pedro e já nos ajudou muito. Hugo é um garotinho ativo, falante, esperto e, algumas vezes, desobediente. Brincamos muito de trotinete, futebol, banco imobiliário e, de vez em quando, xadrez (mas ele não gosta de perder...). Vejam o garoto iniciando seus estudos de piano.


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Quando o casal amigo da Igreja Jean-Anaël e Emilie decidem passear um pouco a dois, eles nos convidam pra cuidar do bebê Nathan. Vamos Pedro e eu, mas quem o coloca pra dormir sou eu. Constumamos jantar lá, brincamos com o pequeno e quando ele dorme vamos ver um filme ou jogar xadrez. Nathan tem 16 meses, uns dentinhos nascendo, um vocabulário limitado, mas cheio de sons e muita simpatia, cheio de sorrisos para todos. ô vontade de apertar essa bochechas, mãe! Ah... como gosto de bebês...

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Certa vez cuidei de uma menininha, Agathe, de três aninhos. Uma graça, cheia de palavras e idéias. Sábado vou cuidar dela novamente. Assim, vou curtindo os filhos dos outros enquanto não devo ter os meus. E mais as crianças na Igreja, e são muitas, graças a Deus. Sou muito feliz entre elas. E com o baby-sitting aproveito pra ganhar uma graninha, que é preciso, né?

O nascimento de Pedro

Dia 5 de julho, Pedro completará 26 anos de idade. Segue um texto escrito pela sua avó, Selma Kaiser, sobre seu nascimento.

"O garotinho de 5 anos era um baú de perguntas.
Há pessoas que têm respostas pra tudo; ele, contudo, tinha perguntas pra tudo!
O interessante em tudo isso é que ele não perguntava por perguntar, mas porque queria mesmo saber. A sua entrada neste mundo foi um evento incomparável! Naquela ocasião pude viver uma experiência espiritual e emocional única! Eram duas horas da madrugada quando fui acordada com um leve toque no ombro e um chamado sussurrante; era Jether que me chamava.
- Mamãe, venha conhecer o seu netinho que acaba de nascer!
O meu coração deu um salto tão grande que me pôs de pé.
- O que???!
- É, mamãe, preciso de sua ajuda; o que faço com o cordão umbilical?
Bem, nem preciso dizer que o salto do coração e aquelas palavras provocaram em mim uma tremedeira tal, que era muito difícil manter-me de pé.
-Mas filho! Tive três filhos, mas só conheço a teoria!
Daí, começo a informar-lhe que só sabia desses procedimentos por ter lido bastante a respeito do assunto. Essas informações referiam-se a detalhes como, por exemplo, a que distância se atava o cordão para depois cortar, com instrumento devidamente esterilizado etc. Comecei a lembrar dessas coisas e isso não durou mais que alguns segundos e lá fui eu acompanhando o "filho-parteiro".
A cena que vi a seguir era indescritível! O bebê deitado de bruços sobre o ventre de sua mãe, que revelava em seu semblante cansado uma imensa alegria.
Uma garota de 18 anos dava à luz seu segundo filhinho!
O parto ainda não tinha chegado ao fim e, aos poucos, todo aquele trabalho foi sendo concluído. O cordão umbilical, devidamente cortado com uma faca de cozinha, previamente esterilizada com álcool e a chama acesa do fogão.
A placenta foi enterrada no quintal.
Peguei em meu colo aquele bebê lindo e forte e imediatamente cuidei dos procedimentos necessários, como a limpeza de seu corpinho e a colocação de sua primeira roupinha, que estava já escolhida. Enquanto eu fazia isso, a mãe levantou-se da cama, reclamando de muito calor e meteu-se em baixo do chuveiro, inclusive lavando seus longos cabelos. Ao voltar do banho encontrou a cama (que estava um verdadeiro caos, em razão da situação de emergência) arrumadinha e cheirosa.
Para mim, o clímax dessa experiência aconteceu quando senti um perfume indescritível, nunca experimentado antes por mim. O perfume era como o de uma presença inefável, soberana, naquele quarto da minha casa.
Muitas lágrimas me vieram aos olhos e constatei que DEUS estava ali! Atuando, operando através da instrumentalidade do pai Jether e da tia Selmy. Eu soube, posteriormente, que hove momentos muito difíceis, quando o cordão umbilical enroscou-se ao redor do pescocinho do Pedrinho e, milagrosamente, foi solto.
Aquele perfume não era humano, nem de flores, nem de alfazemas ou colônia para bebês!
Era sobrenatural, como de anjos.
Jamais pude esquecer aquele perfume!

SKS"

Fluxo

Após mais um período de tranquilidade, eles voltaram. Após o período de hibernação, eles acordaram plenos de energia. Com vigor o suficiente para transpor as muralhas levantadas e derrubar os portões em cadeados. Encadeados eles vêm; unidos são mais fortes. Eles fazem a festa. Eles quebram bonecos de porcelana. Eles reviram baús empoeirados. Eles trocam os quadros de lugar. A agenda é riscada. O bolo queima. Um deles rasgou minha roupa preferida. Outro esqueceu os sapatos ao partir. O mais velho manchou meu sofá de ketchup. Um dos mais queridos não compareceu sem me avisar. E muitos são desconhecidos.

Convivi com eles durante uma semana. Na verdade, o faço frequentemente. Admito mesmo que sinto um certo prazer em ver tudo fora do lugar. Colar os pedaços da boneca, ainda que faltando uma peça. Reorganizar o baú lentamente enquanto vejo as relíquias e revejo o passado encerrado nelas. Com os quadros fora do lugar, os vejo como pela primeira vez, me surpreendo e percebo a beleza em todo seu frescor. Sem agenda perdi um compromisso importante, o bolo era para uma ocasião especial. E o ketchup continua lá. Aqui.

Ouvi atentamente o que cada um me dizia. Às vezes todos falavam ao mesmo tempo. Algumas vezes cortei a conversa e simplesmente me retirei. Caótico. Mas com sentido. Sentido muitas vezes deturpado. Até que lembrei que eles não eram meus convidados. Nem mesmo bem-vindos. Ou tinham deixado de ser. Não tenho muitas certezas. Às vezes a memória evoca vagamente cenas em que me encontro à porta sabotando meu próprio sistema de segurança. Sonho? Pensamentos. Ciclicamente me visitam, mas nunca ficam mais de uma semana. Eles sempre partem, deixando uma enorme bagunça para eu arrumar. Eles me dão trabalho. Eles me tomam tempo. Sinto vontade de escrever o que eles me dizem. Mas me recuso. Não vou registrar algo que não vai durar. Não vou eternizar o que será um passado bobo e distante em dois dias. Talvez amanhã. Talvez mesmo antes de terminar a frase seguinte. Instabilidade.

Em breve cada um deles, o ciumento, o pessimista, o auto-depreciativo, se esvairá diluído nas gotas vermelhas que verserá meu corpo num papel. Outros renascerão silenciosos, como um bebê morto, e repousarão contidos no fundo do meu ventre. Até que num aborto, após mais um ciclo, eles gritarão em nascimento. Inútil tentar se suicidar numa sinapse, se agarrar às paredes do útero, do esôfago. É chegada a hora. A época em que eles vêm me fazer uma visita desconcertante. Um dia, eles encontrarão um forte intransponível. Controle sobre os hormônios. Um ser mais racional para não pensar...



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Internet


Nosso contato com o resto do mundo agora está mais rápido e mais confiável. Isso não é um OVNI. É o nosso modem. A conexão é tão boa que estamos até jogando vídeo-game com desconhecidos pelo mundo. Aproveitando as férias para perder tempo. Talvez eu me arrependa de pensar isso hoje, mas eu sinto um prazer enorme em perder tempo, agora que as aulas acabaram, agora que o semestre está vencido.

Talvez, quando as aulas do terceiro ano da licenciatura começarem, eu olhe para trás, para os meses de barriga para cima, e me diga que eu deveria ter lido alguns livros, pelo menos. Só que eu estou escrevendo isso justamente para me lembrar de que o presente é mais forte, e deve ser vivido.

Bom. Apesar desse discurso todo sobre a nobreza de perder tempo, nós vamos trabalhar um pouco durante essas férias. Cecília está se candidatando a várias vagas ao mesmo tempo, e ela já cuida de algumas crianças regularmente. De minha parte, eu encontrei um trabalho de burrinho de carga, bem tranqüilo. Na área de propaganda, não pude evitar. Faço a distribuição de panfletos e de um jornalzinho gratuito. Aliás, o mesmo jornal onde encontramos o anúncio desse apartamento. Lembrando da cozinha do restaurante fast-food que enfrentamos, eu não ouso reclamar. Tudo que eu tenho que fazer é passear pela cidade puxando um carrinho. Durante seis horas. E o carrinho pesa uns 30 quilos. Tudo bem; eu disse que não ia reclamar.

Esse trabalho não inclui o fim de semana. Então, evidentemente, domingo tem encontro vídeo-game aqui em casa, depois da igreja. Se alguém quiser participar virtualmente, just skype us!

sábado, 2 de maio de 2009

Nos mudamos!

Quando começamos a nutrir nossa amizade, em meados de 2005, as longas e agradáveis conversas entre Pedro e eu giravam em torno da importância de mudar e dos custos e benefícios das revoluções. A frase: "Mudança é inevitável" tornou-se clichê pra nós. Pragmáticos, resolvemos dar vida a toda a teoria que preenchiam as cartas trocadas e começamos nossa revolução. Em 5 de julho de 2005 começamos a namorar e desde então nossa vida parece acelerada. Em 2006 começamos o curso de Letras na UFPE. Em 2007 começamos a dar aulas de francês. Em 30 de agosto de 2008 nos casamos. 7 de setembro de 2008 viajamos pra França. Aqui temos vivido coisas incríveis. A cada dia, Deus revela o Seu Amor por nós.
Assim, continuando nesse ritmo, após quase 8 meses vivendo num quarto de 9m², quinta-feira mudamos novamente. Mudamos de endereço, de qualidade de vida, de m²... agora temos 27! Pensando em compartilhar nossa felicidade, fizemos um vídeo pra apresentar o apartamento novo.



O endereço é:

26, Boulevard Aristide Briand
63000 - Clermont-Ferrand - France

Aqui está a foto dele. É o amarelinho atrás da árvore. O nosso é no térreo do lado direito.

Aqui está marcado em azul o percurso que faremos pra ir pra faculdade.

É isso, pessoal! Abraços.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Semana passada foi meu aniversário, o primeiro em 21 anos que passo sem meus pais e 16 que passo sem minha irmãzinha caçula. Passei a semana anterior pensando em como seria, amarguei um pouco a saudade deles e a falta da festa surpresa de todos os anos que já se tornou tradição na família. Decidi, então, que deveria fazer algo grande e especial pra marcar essa data, pra eu não ter tempo de sentir muita saudade e pra poder mandar belas fotos pra minha família. Resolvi que subiríamos o Puy-de-Dôme.
O Puy-de-Dôme é símbolo de Clermont-Ferrand. De onde quer que estejamos na cidade, podemos vê-lo majestoso. No inverno, ele esteve todo branco. Com a primavera o verde e o marrom pintaram um novo quadro.

De Aniversário de Cecília 2009


Nós estávamos há sete meses e meio em Clermont e ainda não tínhamos subido esse vulcão adormecido. O 19 de abril pareceu-me ser uma boa data pra fazê-lo.
Assim, domingo após o culto, Pedro e eu corremos em casa pra almoçar e preparar o bolo.

De Aniversário de Cecília 2009


Às 14:30, estávamos de volta na Igreja pra encontrar uns amigos: o pastor Samuel (sábio e sempre presente com seu bom-humor), seu filho Jonathan (toca violino, joga basquete e vai ser enfermeiro), Nathanaël (que gosta de implicar comigo), Claudiu (romeno, doutorando em engenharia, um gênio) et Joël (amigo presente e querido, me deu de presente o livro "Cem anos de Solidão" de Gabriel Garcia Marquez e uma moeda indiana antiga).

De Aniversário de Cecília 2009


No topo, outros amigos nos esperavam: Elisabeth (filha de Samuel, contralto poderosa, sorriso e alegria gratuitos),

De Aniversário de Cecília 2009


Mathieu (piloto de força aérea francesa, filho de missionários no Camarão), o casal Jean-Anaël (gosta de video-game e xadrez) e Emilie (trabalha com informática e dirige o trabalho com as crianças na Igreja) e seu filhinho Nathan (o bebê mais simpático e fofo que eu tenho o prazer de cuidar às vezes).
Turma completa,

De Aniversário de Cecília 2009


passeamos,

De Aniversário de Cecília 2009


De Aniversário de Cecília 2009


De Aniversário de Cecília 2009


De Aniversário de Cecília 2009



vimos um pessoal que saltava de para-pente,

De Aniversário de Cecília 2009


cantamos parabéns e nos regalamos com o delicioso bolo de chocolate feito por Pedro.

De Aniversário de Cecília 2009


Esse marido sempre atencioso, carinhoso e que me faz rir o tempo todo.

De Aniversário de Cecília 2009


Foi assim, rodeada de gente querida, amigos que sei que me querem bem, que passei meu primeiro aniversário em solo estrangeiro.

De Aniversário de Cecília 2009


De Aniversário de Cecília 2009


E apesar da saudade dos que não abraço a um bom tempo, eu me senti em casa.

De Aniversário de Cecília 2009


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Presente de Cássia

Às duas horas da manhã, horário de Paris, minha irmã foi a primeira da família em terras brasileiras a me dizer o conhecido "Feliz aniversário". Ela se demonstrou saudosa e melancólica, mas sem deixar de estar alegre e disse que achava que eu ganharia um presente durante o dia. Fui dormir um tanto curiosa. E de manhã, mesmo com pouco tempo antes de ir pra Igreja, liguei o computador, pois algo me dizia que o presente chegaria por lá. Na minha caixa de entrada do e-mail constava uma carta de Cássia. Sem dúvida a declaração de amor vinda dela mais linda e tocantemente sincera. Por isso quero compartilha-la com vocês.


"Hoje completando 21 anos, uma das pessoas que contribuíram para que eu me tornasse o que sou hoje. E é o primeiro ano em 16 anos que eu fico longe dela nesta data tão importante: 19/04. Tô sentindo tanta falta tua... No meu dia-a-dia, pra tudo em tudo. Arrependo-me de não ter aproveitado o seu máximo quando pude. Só me dei conta da grande irmã quando já estava perto dela partir. E hoje eu percebo que eu sinto muita falta dela, ela é a pessoa que eu mais quero do meu lado. Pena que a gente perdeu tempo demais se preocupando em brigar por besteiras. Mas mesmo com as brigas a gente se curtia muito. As nossas leseiras..., e essas foram muitas, nunca pensei que essa menina, Cecília Costa Cabral, minha irmã, fosse me fazer tanta falta.
Eu falo nela dia e noite. Eu acho que meus amigos já enjoaram de me ouvir falando dela. Tudo é motivo de falar de Cecília, tudo me lembra ela, sempre que eu vou fazer algo eu penso no que ela iria dizer sobre; sempre que faço algo de bom é pensando no elogio dela.
Essa menininha do sorriso lindo, do olho de boneca, sensível como uma rosa, foi encantada por esse menino maroto, travesso, que ganhou e conquistou o coração da minha irmã, levando-a pra longe de mim. Mas é esse garoto maroto quem faz minha irmã uma garota muito feliz e o jeito dele encantou a Cecília e a família da Cecília junto. A gente sempre fala "mexeu com um mexeu com todos", do mesmo jeito: conquistou um levou a família inteira. E agora eu tenho mais um irmão que me dá bronca, que é chato, mas que eu amo muito também.
Para esses dois eu desejo tudo o que há de melhor, sinto muita falta dos puxões de orelhas, e das brincadeiras, das horas de intelectualidade; enfim, sinto falta de vocês. Mais bem, Pedro, hoje é o aniversario da minha irmã por isso voltarei a escrever para ela.

Cecília Costa Cabral de Sousa

Garotinha de personalidade forte.

Humor de lua.

Guerreira, sempre conseguiu o que desejou.

Pés no chão.

Estudiosa (NERD) uahsuahsuahsuahsuah’

Alegre, conselheira, cabeça, amiga, irmã.

Minha companheira, e agora vejo que aquele ditado vale muito:

“Agente só dá valor depois que perde”

Na verdade eu sempre dei valor, mas só contava pros outros. Hoje eu não tenho vergonha de dizer a ela que eu amo muito. E que ela faz muita falta na minha vida. E que ela é meu orgulho. E que quando eu crescer eu quero ser igual a ela. Confesso que ao escrever essas coisas e selecionar essas fotos, eu chorei. Mas não de tristeza, de saudade e ri com algumas brincadeiras da gente.
Tu faz tanta falta dentro dessa casa, mas o que me conforta é saber que você está feliz, realizando todos os seus sonhos e ver que você tá crescendo na vida.
Mas hoje é dia de falar de coisas que nos alegram. Vá se divertir com Pedro, que nós estaremos aqui torcendo para que seu dia seja o melhor. Saiba que toda noite eu peço a Deus para que vocês sejam abençoados e protegidos. Eu acho que ele tá me atendendo, né?! =D

Bem maninha, é isso aê vou ficado por aki.

Você é meu espelho de vida! TE AMO MUIIIIITO.

By: Cássia Camila Costa Cabral ♥"

Obrigada, Cássia, irmã amada. Amo você!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Vichy

Nós já tínhamos passado por Vichy, mas foi rápido e o dia não estava tão lindo.
De Vichy

De Vichy
A arquitetura, em edifícios do século XIX, é majestosa.
De Vichy

De Vichy

De Vichy

Fizemos amigos bem interessantes.
De Vichy

De Vichy
Mas nada como nossa barraca, encontrar nosso anjo, Lons le Saunier, Morteau e nossa estada dos sonhos. Acho que vamos levar anos para superar a tempestade.

Mas foi bem legal. Quem quiser ver as outras fotos, clique em "álbuns de família", no menu ao lado.

Abraço para o Brasil!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sétimo dia

E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera,
descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

Gênesis 2, verso 2

A obra que fizemos não tem muito de divina, e tem tudo de humana. À noite anterior, tínhamos presenciado a briga deselegante do gerente contra uma senhora estrangeira, cujo cartão bancário não tinha funcionado. O gerente esbravejava atrás do balcão que "a senhora não quer entender, e isso é infeliz! Isso é infeliz!" e ele repetia, suando, sua explicação sobre o que se passara. A senhora estava mais calma, mas perguntava tranqüila e irritantemente as mesmas coisas. Quando ela se foi, contrariada, o homem enxugou o suor da testa e disse, à voz audível, mas baixa:
- Boa noite.
Pagamos em espécie a soma superior ao planejado para aquela noite, e perguntamos se poderíamos guardar as bicicletas conosco, no quarto. Ele perguntou se elas estavam muito sujas, para o que eu respondi que "não mais do que eu". Felizmente, ele não tardou em concordar; essas peças nos são muito caras.
Na manhã seguinte, estávamos atrasados. O despertador não tinha tocado. Ou porque a bateria estava fraca demais, ou porque nós simplesmente não o regulamos. Ou então ele toucou, mas nós não ouvimos, tanto estávamos cansados.
O trem partia a 20 minutos da hora em que acordamos. O sol não tinha nascido, e nós saímos correndo do hotel, para pedalar em jejum os primeiros minutos do dia. Chegamos a tempo.
O trem partiu a caminho de Besançon, cidade que não estava no nosso caminho. Fomos obrigados a passar por lá, porque não havia linha de trem pelos caminhos que tínhamos escolhidos.
Chegando lá, pouco depois das 10 horas, teríamos que tomar outro trem, que só partiria dali a 2 horas. Dava tempo de almoçar. Cecília ficou na estação, e eu fui procurar o que comer. Estava pensando no que poderia agradar mais minha esposa, quando passei por um anúncio mais do que sugestivo: pizza para dois, 7 €. Quando a porta me impediu de entrar, eu li os horários da loja. Na França, os restaurantes só abrem nos horários de refeição. A pizzaria abriria às 11. Que horas são? Ao lado da porta, tinha uma máquina para pagar o estacionamento da zona azul, sobre a qual figurava um relógio digital, que não oferecia nem o luxo dos dois pontos piscando, mas que dizia dez e meia. Então eu me plantei diante dele e esperei os trinta minutos, exercitando os dedos afim de não deixá-los congelar. Onze horas, o lugar abriu, eu fui o primeiro a entrar e pedir uma das pizzas do menu, que eu tive o tempo de ler atenciosamente. Quatro queijos, massa tradicional, mas com queijo Chèvre só de um lado. Cecília não gosta muito de Chèvre.
Vinte minutos depois, eu estava pedalando para a estação, com a mão direita no guidom e a esquerda sob a caixa quente e cheirosa de um presente gordo para minha princesa esbelta. E como ela está esbelta... Seis dias de pedalada emergiram músculos que nenhum de nós dois conhecia.
Quando eu cheguei com aquela refeição farta, comemos sem sombra alguma de remorso. Éramos a imagem viva da satisfação.
Depois, o outro trem nos levou a ver neve, que a cada curva cobria mais da paisagem. Primeiro tímida...

De Orage

depois mais orgulhosa, ornando o pasto onde o sol a tinha poupado...

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depois enorme e bela, cobrindo tudo com suas toneladas de água fofa e branca.

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Estávamos felizes. Como é poderoso nosso Deus. E como é bom constatar isso na poesia da paisagem.

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Quando chegamos a Morteau, a última cidade antes da fronteira, estávamos maravilhados. Fazia muito frio, mas o céu estava aberto, sorridente, e o sol se pôs de bom humor, entre montanhas inspiradoras.

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Aqui, faço minhas as palavras do poeta Lucas Rebouças:

"a cidade nunca fora tão bela
os tons de cinza ajudaram na criação
do cenário de um filme romântico
baseado em sonhos reais"

Nossos tons não eram cinzas, eram brancos. Mas o que são cores novas nos olhos de um homem feliz, senão traduções desconhecidas de um verso que ele traz de cor?
E como o poeta, eu também "to feliz".

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Passamos o fim do dia namorando a cidade e um ao outro até o horário longe do trem ir chegando. Entramos na estação (aquecida) horas antes da partida. Mas esperar foi bom. O melhor da festa é esperar nela.

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Quando deixamos Morteau, levamos saudade de uma cidade que não conhecemos, onde não falamos com quase ninguém, mas onde chegamos tão perto um do outro que tudo em volta parecia ter sido construído para que vivêssemos aquele momento. As lembranças vão ficar.
Depois, finalmente em território suíço, na estação de La Chaux-de-fonds, encontramos todos os guichês fechados. Havia duas máquinas para comprar as passagens para Tramelan. A primeira, engoliu 20 € nossos e até agora não devolveu. A segunda, nos vendeu dois bilhetes de um trem que não existia, e nós só descobrimos isso dentro do trem que iria até a metade do caminho até Tramelan. Eram 10 da noite, e só havia duas pessoas no veículo. Dois brasileiros, com duas bicicletas.
O maquinista veio nos perguntar até onde nós iríamos com aquelas bicicletas, àquela hora da noite. Dissemos Tramelan, e ele disse: "o último trem para Tramelan já está lá, a essa hora!"
- O quê?!
A magia de Morteau se transformou numa irritação no mínimo compreensível; como um povo civilizado e rico como o suíço desenvolveria um software capaz de cometer a estupidez de vender um bilhete de trem, válido por um dia, para um percurso que não seria mais feito naquele dia?
Viajamos até Plein écranLe Noirmont‎, e, minutos antes de chegar, telefonamos para os Leiber pedindo socorro.
- Marcel, estamos chegando em "Le Normand" (mal pronunciado), e não tem mais trem para Tramelan!
- Le Normand? Onde é isso?
Ele pensou que estávamos perdidos no meio da França. Estávamos meio perdidos na Suíça, mas não perdidos no meio da França.
Eu corrigi a pronúncia do nome da cidade, disse que tinha certeza de que estávamos na Suíça (tudo à nossa volta estava escrito em 4 línguas), e que chegaríamos na estação em alguns minutos. A bateria do telefone resistiu até o fim da ligação.
Na estação de Le Noirmont, não havia ninguém além de nós e (pode acreditar) uma senhora no guichê! Pois é; um dos dois guichês da estação estava aberto e funcional. Enquanto esperávamos Marcel, Cecília recuperou parte do dinheiro que o sistema tinha engolido da gente. Nada dos 20 €. Apenas a diferença de menos de 13 € entre Le Noirmont e Tramelan. Diferença que percorremos com Diamantine Leiber, a jovem senhora que seria nossa mãe pelos 7 dias dos sonhos que tínhamos pela frente. Foi assim que Marcel Leiber descreveu o que ele preparava para nós nessas férias: um "séjour de rêve". Ele nos recebeu com um sorriso largo e um abraço brasileiro.
Chegando no seu aconchegante lar, perto de onze horas, nos sentamos à mesa de amigos mais do que caros. As meninas acordaram, eufóricas, felizes, vieram nos ver, ouvir as histórias.
E assim se fez o Sétimo dia da tempestade. Deus deu o exemplo, mas a gente teima em viajar, viver e cansar a semana toda...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sexto dia

Após uma noite de repouso no simpático jardim daquela casa que nos ofereceu muito mais do que o pedaço de terra que pedimos, partimos na manhã do sexto dia com um novo plano. Instruídos e aconselhados pelo homem que nos acolhera, decidimos percorrer mais 57 km até a cidade de Lons-le-Saunier et pegar um trem em seguida. Dessa maneira evitaríamos o relevo mais duro de todo o percurso, o frio que seria mais intenso e chegaríamos enfim no aquecedor da rua Sous la Lampe; eu já sonhava com a rua da família Leiber... Revigorados e ansiosos, acordamos antes do sol e esperamos prontos, em pé, olhos fixos no céu, pelos primeiros sinais de luz. Cedinho ainda deixamos para trás aquele homem, desconhecido, que ignora o fato, mas marcou nossa vida. A despedida tinha ocorrido na noite anterior ainda.

De Orage

O dia estava ensolarado e ter um alvo mais próximo nos animou. Pedalamos com determinação e com o espírito leve. Grande satisfação a cada quilômetro vencido. Chocolate, fotos, entra numa cidade - sai da cidade, Sornay, Louhans, Courlans, Montmorot... Lons-le-Saunier! Chegamos antes do previsto, às 16 horas aproximadamente.

De Orage
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Nesse fim de tarde nosso espírito aventureiro descansou e cedeu espaço a um grande desejo de conforto. Passagens de trem no bolso, "amanhã estaremos na Suíça"... E a barraca pareceu pequena demais, o tempo, frio demais, as pernas, pesadas ao extremo. Procuramos um albergue, mas o que achamos foi um hotel de médio porte e mais caro do que o que estaríamos dispostos a pagar ordinariamente. Mas estávamos vivendo dias nada ordinários essa semana. "Eu só não quero dormir na barraca hoje", eu pensava. EtapHotel: ducha quente, X-men na televisão, cama de casal, aquecedor, edredom. Eu estava radiante de felicidade, aproveitei cada grande invenção da humanidade com alegria e gratidão. A lâmpada, o chuveiro, a mesa, a cama, o copo, coisas pelas quais não sentimos necessidade de agradecer em geral.

De Orage
De Orage
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Passamos uma noite de rei. Dormimos profundamente. "Amanhã estaremos na Suíça..." Esse pensamento não me abandonava. "10, Rue Sous la Lampe... Só não podemos perder o trem... Vou fazer anjinho na neve... Temos que acordar na hora... Vamos comer fondue... Será que já tá na hora?..."

- Pedro!! O despertador não tocou! Corre!
- Hã?!
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