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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Eu não casaria com Rebeca


Ouvi falar certa vez de uma teoria que defendia que a sua melhor amiga seria seu par ideal se fosse homem. Sua melhor amiga é uma pessoa altamente confiável, ela te ouve e muitas vezes te entende antes mesmo de você abrir a boca. Vocês sempre se divertem juntas, riem bastante e têm vários pontos em comum.

É verdade que Rebeca é minha melhor amiga. É bem verdade também que ela é altamente confiável, me entende e me faz rir. Mas fica faltando o quesito « pontos em comum », que são escassos... Em sua última carta pra mim, ela disse que a gente só pôde ser amiga quando aprendeu a conviver com as diferenças. E ela estava certa; ela bem que costuma ter razão.

Ela é fria e calma; eu sou passional e estressadinha.

Ela fala baixo, manso e pouco; eu posso ser uma matraca.

Ela não gosta de criança (apesar de amar seus sobrinhos); eu vou ter sete filhos.

Ela é de uma praticidade invejável; eu sou enrolada...


Ela não se preocupa com besteira... nem com coisa importante; eu sou muito ansiosa.

Se ela quer, faz

Se não pode, esquece

Se não falar, ela não responde

Se ela não gostar, ignora

Ô, praticidade...!


E se ela amar... estará sempre presente, como boa amiga que tem sido todos esses anos. É uma honra conhecê-la, pois isso não é pra todos. É pra mim, por algum agradável mistério da vida.

Eu estava lá quando ela se apaixonou pela primeira vez. Eu a vi cair na quadra da escola, jogando futebol. Eu ri com ela, e fiz xixi nas calças, na frente da turma por causa de uma besteira de Marcus (só a gente mesmo...). No meu primeiro show de forró, lá estava ela. Eu a vi no seu primeiro emprego na McDonald's. Eu fiz leite pra ela uma noite em que ela passou mal após uma festa na escola (lembra dessa, Beca?). A gente fez a prova pro CEFET na mesma sala e depois foi comer galeto com Mari, meus pais e Cássia. Ela percebeu o clima entre Pedro e eu antes mesmo de mim e acompanhou de pertinho o início do nosso relacionamento.

E depois foi testemunha no nosso casamento.

Ela já faz parte da família.

Nos meus últimos momentos em Recife, ela não poderia faltar. E num dos raros momentos em que ela chorou, eu estava lá; eu vi; e fui até a culpada!

Que saudade do tempo em que eu ia toda semana pra sua casa e comia todos os doces; em que nunca vinha carro quando a gente ia atravessar a rua; em que a gente jogava perfil e eu sempre perdia porque você já conhecia o jogo; em que a gente conversava até de madrugada e eu pegava no sono deixando você falar sozinha; em que você dizia que ia lá em casa e ligava de última hora dizendo que tava com preguiça (sua fuleira!).

Não diria que conheço tudo dessa garota, aqueles olhos serenos escondem seus mistérios. Mas a conheço o bastante pra imaginar sua reação diante desse texto. Eu até posso vê-la dando uma gargalhada ao terminar de ler e completar com sua voz preguiçosa sobre o título:

- Que bom que você não casaria comigo, amiga; primeiro porque você é uma mulher muito bem casada, e segundo porque eu sou hétero.

Sempre pragmática essa moça...


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