- Hablas espangol, RonalDÔ ? ?

- Não abro nem fecho, cara pálida!

Caros brasileiros, é com pesar e mesmo indignação que venho informar-lhes que nosso amado país tropical bonito por natureza não representa nada para o mundo. Tive a oportunidade de constatar isso aqui na França e imagino que o quadro não é muito diferente nos outros países.

Os franceses conhecem bem o futebol do craque RonalDÔ, as pernas compridas de Gisele Bundchen e o colorido carnaval do RiÔ. O que eles ignoram é que a língua materna das estrelas citadas é o português e que o Rio não é a capital do Brasil.

Essa ignorância custou muito caro a Pedro e a mim. Informados que um certo órgão de Clermont-Ferrand recrutava estudantes estrangeiros para dar aulas nas escolas, caminhamos 40 minutos para nos candidatarmos. Chegando lá, na recepção nos passaram o telefone da pessoa responsável. Telefonamos e fomos encaminhados a um segundo lugar. Andamos mais. Chegamos. Nos apresentamos como brasileiros, estudante de letras, etc, etc... A moça, satisfeita, nos deu um formulário para preenchermos.

- Tem bastante oferta para professor de português nas escolas?
- Português?! Não há nenhuma oferta para português. Nó procuramos professores de espanhol.
- Nó somos brasileiros, senhora. No Brasil não se fala espanhol! Nossa língua materna é o português!
- Bãn... Sinto muito.

Mais de 180 milhões de pessoas falando uma língua e o mundo ignora esse fato! Voltamos pra casa nesse dia, não frustrados pelo emprego não obtido, mas indignados. Ser brasileiro não significa nada nessa terra. A manga por 0,50 €/unidade, o suco de laranja « com laranja brasileira » e o camarão gigante vêem do Brasil. Mas « que país é esse »?

Nossa nacionalidade não nos favorece muito, mas continuamos nossa escalade nesse primeiro mundo que não sabe quem somos, mas nos dará um diploma mais eloquente.
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