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domingo, 17 de agosto de 2008

"Honra teu pai."

Alguém me perguntou por que eu não bebo mais nada alcoólico.

Eu sou batista, e os batistas, via de regra, são amigos da razão. Bem cedo eu aprendi a argumentar, questionar, duvidar, inquirir por respostas sempre sólidas. Foi essa educação que me levou a adquirir o hábito de beber vinho, acompanhando as refeições, remando contra a tradição da igreja evangélica brasileira. A pergunta lógica era "beber é pecado?" E a resposta ainda mais lógica era "não!" Como um crente pode ler a Bíblia e afirmar que vinho é pecado? Inventar respostas é fácil: "não era o mesmo vinho; era suco de uva." Então como foi que Noé ficou bêbado? Essa bebida é mais antiga que o povo Hebreu, e todos sabemos que sempre foi alcoólica, com potencial para entorpecer. Nem por isso Jesus deixou de regar uma festa com vinho para realizar seu primeiro milagre. Um Salvador vinicultor que usa seu poder divino para se poupar do labor da lavoura, para não poupar os convidados de beber mais vinho (eles já tinham bebido todas; o estoque do noivo tinha acabado).

Eu procurava um estilo de vida mais saudável quando passei a tomar vinho algumas vezes por semana. Morando sozinho, longe da família, quem poderia me proibir?

Entretanto, a mesma Bíblia que anunciava o Salvador vinicultor anunciava também um mandamento promissor: "Honra teu pai e tua mãe", se quiseres viver bastante.

O texto bíblico não deixa muitas interpretações possíveis. É bastante claro. Eu devo viver de tal forma que as pessoas se lembrem do meu pai com admiração e respeito. Eu preciso trabalhar duro para que as pessoas vejam em mim uma prova de que Jether, meu pai, é um exímio educador. Estou honrando meu pai quando alguém o imagina valoroso ao observar meu comportamento.

Se Jether é meu pai, quem sou eu para quebrar tradições? Não importam muito as minhas razões em matéria encerrada pelo meu pai. Como filho, eu devo agir como ele, e ele não bebe vinho. Minha razão é a honra que eu devo a ele, e não a permissão ou proibição bíblica.

Se isso soa submisso demais, se isso vai de encontro ao princípio do livre arbítrio e da liberdade de pensamento, deixo a perspectiva do futuro como solução. Um dia eu serei mais marido do que filho. Um dia eu serei mais pai do que filho. Esse é o futuro. Um tempo de formar um família e conduzi-la. O tempo de alimentar crianças com leite e exemplo. O tempo de escolher com sabedoria. Essa é a liberdade que eu quero. E é nessa liberdade que eu poderei viver minhas reflexões sobre o vinho bíblico ou sobre qualquer outra coisa cujas consequências não cairão mais sobre meu pai, que será avô.

O que me levará a esse futuro é honra a meu pai. E não rebeldia. Afirmar o mais alto possível que beber não é pecado, e beber, só me arrastar por uma adolescência tardia que insiste.

Com este espírito, em oração, há cerca de 10 meses, decidi não beber nada alcoólico até o casamento. De quebra, me proibi da cafeína também. Ficará provada minha independência das duas substâncias, equilíbrio no que toca o assunto, e respeito à opinião de meu pai.
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