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segunda-feira, 19 de maio de 2008

O Caminho das Bênçãos

Nós estamos trabalhando para firmar os alicerces do nosso casamento na força do Senhor. Oramos quase todos os dias juntos, e oramos o tempo todo quando estamos longe um do outro. A resposta de Deus é clara e bem audível; Ele tem nos abençoado muito. Estamos certos de que partiremos para um primeiro ano de casamento nas montanhas do Massif Central Francês, para recolher mais bênçãos deixadas pelo amoroso Pai no caminho que Ele traçou para nós.

A metáfora das "Bênçãos no caminho" é de Jether, meu caro pai, exímio pregador. Ele explica que quando saímos dos caminhos do Senhor, deixamos de colher as bênçãos deixadas por Ele na beira da trilha da vida. É preciso ser fiel, para combinar com Deus, que é sempre fiel. A fidelidade dEle não falhará.

Em homenagem ao autor dessa metáfora, que não me sai do pensamento em época de tantas bênçãos, deixo aqui uma de suas mais belas composições, Como um mar.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Caros leitores.

O cantor Fagner estará em Recife dia 24 próximo: cuidado. Passe longe para não correr o risco de ouvir um dos seus refrões escancarados.

Se você é fã do cantor, então talvez goste deste texto que escrevi sobre a íntima relação entre ele e sua principal letrista, a poetisa portuguesa Florbela Espanca, que viveu no início do século passado. Íntima relação de marido bêbado e mulher impotente e dependente.

Fagner Espanca Florbela



É triste a história de amor atemporal entre Fagner e Florbela Espanca. A pobre poetisa, que em vida já tinha motivos de sobra para ser infeliz, tem alguns de seus poemas popularizados não por um programa eficiente de educação pública, ou por uma inexplicável febre de leitura, mas por um músico medíocre.

Música é uma linguagem com um forte poder de criar sentido. Isso é mais do que óbvio quando ouvimos Beethoven, Norah Jones, Hermeto Pascoal. As pessoas fazem leituras, traduções para suas línguas, interpretações do que podem ler de uma música. Às vezes sem entender do que fala a letra. Às vezes, a música diz tanto, que mesmo apto para compreender as palavras, o ouvinte não as nota, tamanho o fascínio que a melodia, a harmonia, e outros elementos puramente musicais exercem sobre ele. Com isso, tomo que um poema pode ser engrandecido ou rebaixado ao desagradável por uma música que se lhe pendura ao pescoço.

Sabemos que a melancolia é densamente explorada por Florbela, em toda a sua obra. Seus versos, muitas vezes, expressam suas angústias. O cantor popular Fagner desrespeita essa verdade quando compõe sobre quatro dos sonetos de Florbela músicas de amor rasgado e gritante. Não se nota o que dizia a poetisa ao ouvirmos os gritos desesperados do cantor. A melodia, além de repetitiva, é medíocre, pouco original. Os arranjos, exaltados, vão de encontro ao texto, introspectivo. A percussão em Fanatismo ocupa todos os espaços, se joga por sobre a melodia (pobre, como já mencionei) com esparros de lamentações burlescas e deprimentes.

Tais arranjos demonstram, ao meu ver, que Fagner não apreendeu o espírito que Florbela quis deixar nos seus textos. Os poemas falam em um tom baixo, que inspira pena, e não revolta. Ou risos. Os sonetos são tristes, e não exaltados. A melancolia de Florbela foi atropelada pela expansividade teatral de Fagner.

A parte musical tem sempre interpretações pessoais, o que nos obriga a ignorá-la ao analisar a sociedade entre o músico e a poetisa. Até aqui, ficam impressões e opiniões, portanto. Mas, se nada disso pode ser condenado, não podemos fechar os olhos para a mais ousada intervenção de Fagner na poesia de Florbela. A mais cruel agressão. A mudança no texto do soneto Fanatismo.

A intervenção é absolutamente inaceitável. Acrescentar música a um poema não dá o direito de mudar a disponibilidade dos versos, retirar sílabas, e muito menos acrescentar versos. Ainda que a música valesse a pena.

Na primeira estrofe, Fagner acrescenta um artigo A, no terceiro verso. No último terceto, ele suprime a conjunção E, no primeiro verso, e a interjeição Ah!, no segundo. Além de substituir vivo por digo, inexplicavelmente, também no primeiro verso.

Esses são detalhes, por si só, já condenáveis. Agressões que deixariam Florbela de cama. Mas são irrelevantes perto do que chamei d'A Atrocidade Final: Três versos a mais! Um terceto a mais! Um terceto mal feito, pois não são versos clássicos, de 10 sílabas. Eles têm seis sílabas, cada um; as rimas são aproximadas.


Já te falei de tudo

Mas tudo isso é pouco

Diante do que sinto. (Fagner)


O que isso quer dizer? O que ele quis dizer com isso? Que a poesia estava incompleta? Que não era para ter sido um soneto? Que sua música exige tais versos? De fato, esses versos finais são os que melhor se encaixam à melodia. Depois de refletir, depois de deixar passar uma certa tristeza, e uma ponta de revolta, a pergunta que fica é uma só, e é inevitável: quem deu a Fagner a autoridade de modificar os versos eternos de uma das mais sensíveis vozes da poesia portuguesa? Talento, por certo, não foi.

* * *


Eu escrevi essas coisas durante o nosso 3º semestre letivo. Fui obrigado até a cantar a música do famigerado Fagner. E, por incrível que pareça, ela até que ficou boazinha.

Para ouvir minha versão, clique aqui: Fanatismo.mp3

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Perigo na estrada

Nós dois adoramos viajar. Realmente, é inegável que temos isso em comum. Há vários países que queremos conhecer, e se Deus continuar abençoando assim, conheceremos a França e a Suíça até o fim deste ano. Vamos passar o Natal com Thierry, nosso grande amigo suíço. Foi ele que nos deu o livro "As Cinco Linguagens do Amor", que recomendamos fortemente para casais e aspirantes a casais e conselheiros de casais. Queremos conhecer a Itália, a Escócia, a Dinamarca (visitar Flavinha), o Canadá...

Se você também gosta de viajar, imagine-se dirigindo na Austrália, conhecendo o gigantesco país de carro, sob o céu profundo deles e sobre as suas estradas impecáveis. No meio de um deserto, você se depara com um placa como essa:


Seria bem interessante, não? Você reduziria a velocidade e ficaria com um olho na estrada e outro no horizonte, procurando algum belo e exótico animal para fotografar.

Enquanto isso, no Brasil, em Candeias, andando à quase 50 km/h (a máxima é 60), me vejo diante de um simpático animal absolutamente burro. Um jumentinho, tipo o de Jesus, só que sem a orientação do mestre. Sem orientação nenhuma! Ele descia do canteiro central bem na hora que eu passava. O susto foi tão grande que eu travei o pneu de trás, sem raciocinar. Na verdade, não havia o que raciocinar. Um burro suicida na frente e uma van assassina atrás, ultrapassando.

Felizmente, o pobre animal lembrou de alguma coisa, a mãe, a mulher, sei lá, e voltou para cima do canteiro. Passei tão perto que deu para sentir o cheiro dele.

Acho que não podemos andar a mais de 30 nesse lugar pitoresco.

Em Recife, é preciso redobrar a atenção com os buracos, os trombadinhas, os motoristas loucos e, por que não, os burros suicidas.

E nem pra colocarem uma placa...

domingo, 11 de maio de 2008

Feliz dia das mães!

Digo isso a Valéria, que, com a ajuda do lendário facão de Jether, me trabalhou ao mundo no dia 05 de julho de 1983, e nunca mais parou de me amar e orar por mim;

digo isso a Auricéia, que deu ao dia uma verdadeira pérola, que brilha o mundo mais feliz há 20 anos, e que está, neste momento, fritando um ovo pra gente.

a tia mãe Nana, que trazia yogurte quando éramos pequenos, e ainda hoje compra leite pra mim;

a tia Selmy, mãe musical;

a Rosa Meylan, mãe do meu melhor amigo, Thierry, e dona de um sorriso perene;

a Ivete, mãe de três bons amigos, que cantava dezenas de corinhos comigo, que me reprendia maternalmente pelos meus erros, e que teologava comigo sobre as tradições que se apagam e as modas neoqualquercoisa que vão surgindo; e

a Cecília, filha de Auricéia, futura nora de Valéria, mãe dos meus filhos.

Que Deus jamais pare de retribuir o amor de vocês.

sábado, 10 de maio de 2008

Aplauso é pecado?!

Fiquei muito feliz quando meu querido tio, Julião Kaiser, me escreveu sobre o blogue. Entre outras coisas, ele discorre sobre o tema "aplausos no culto":

"A Bíblia nos incita a expressarmos corporalmente em inúmeras passagens, como forma de adorar, louvar e glorificar ao nosso Deus. ("...tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças" Ex.15:20; "Louvem o seu nome com danças,... Sl.149:3; "BATEI palmas, todos os povos; aclamai a Deus com voz de triunfo." Sl. 47:1)..."

De fato, a Bíblia não diz que Deus não gosta de aplauso. Ele deve ser louvado de todas as maneiras possíveis. Acredito que este tópico não trata do coração de Deus, mas de tradições.

A Igreja Batista da Capunga tem algumas tradições que foram iniciadas pelo primeiro grande plantador de igrejas, Paulo de Tarsus:

"(...) tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade."
Hebreus, 12:28

Nossa tradição é a de um culto solene, que se distancia dos padrões comerciais e vendáveis do mundo. Um culto reverente, que reflete o espírito de respeito e introspecção do crente que se achega, humildemente, ao trono de glória de Deus, para oferecer a própria vida.

Na postagem "Tio Julião em Recife", falei da possibilidade de um caro visitante ter desencadeado os aplausos, e falei também de um fenômeno, bastante conhecido nosso, que têm transformado cultos em shows.

Minha preocupação não está apenas na preservação inócua de tradições antigas. A Bíblia deixa claro que Deus quer distinção entre seus filhos e a parte do mundo que não se voltou para Ele ainda:

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens." Mateus 5:13

Está claro que Deus quer contraste entre sua Igreja e tudo que estiver fora dela. É preciso que sejamos diferentes. Preservar tradições, num país que tem a tradição de desrespeitar e abandonar tradições, é uma maneira bastante eficaz.

Aplaudir é exatamente o que o mundo faz diante de ídolos da música secular. Se nós cultivarmos a mesma atitude diante de irmãos que cantam melhor que nós, onde está o nosso coração, no louvor que agrada a Deus ou na música que nos agrada?

Irmãos que cantam melhor que nós não necessariamente louvam melhor que nós. Não é esse o poder que o talento musical lhes dá. O poder que o talento musical lhes dá é o de guiar o restante da congregação a uma atitude de louvor. A uma atitude introspectiva de louvor. Eu não me lembro de uma única vez que eu tenha prestado a Deus um culto em espírito e em verdade sem imergir numa atitude introspectiva e reflexiva de adoração. A atitude de adoração sincera não combina com as mesmas palmas que aclamam o pecado. Na nossa cultura, palmas não combinam com essa atitude, porque combinam com o espetáculo da cultura ocidental, descendente greco-latina, ávida por festa e novidade. Falo da cultura do circo, desde a "morte show" no Coliseu Romano até a morte banal de hollywood.

Nós somos diferentes. Nós olhamos para dentro, para o coração marcado das cicatrizes do nosso pecado, para lembrarmos de como Jesus o curou, e para oferecê-lo, em sacrifício vivo, no altar. Se o altar estiver repleto de artistas, e nosso olhos fitarem os deles, e nossas mãos os aclamarem em aplausos, a quem estaremos louvando?

Palmas não são pecados. Claro que não. Nem vinho, nem danças, nem música secular. Pecado é deixar de louvar a Deus para louvar qualquer outra coisa.

Eu acredito que isso tudo, dança, música, literatura, pintura, é o que há de mais rico no mundo. Isso, para mim, é a verdadeira riqueza: a arte. Sobre riqueza, disse Billy Graham:

"There is nothing wrong with men possessing riches. The wrong comes when riches possess men."

Graham se referia, possivelmente, a dinheiro. Mas riqueza, como sabemos, vai muito além disso. O dom da música é uma riqueza. Eu diria que muito maior que qualquer quantia de dinheiro.

Se eu possuo música, seja uma fazenda com mil cabeças de gado ou um pequeno terreno com uma cabra, que eu nunca me deixe possuir por ela, para que pelo menos o dízimo dela seja entregue no altar do Senhor. E que quem estiver presente, rico ou pobre, louve comigo.

Amém.

domingo, 4 de maio de 2008

Tio Julião em Recife!


Ele veio de Vitória só para conhecer Cecília. Então, ele aproveitou para divulgar seu site, cantar com os "Cantores de Vitória", pela manhã na Capunga, e à noite na Emanuel Boa Viagem, igreja de onde vem o baixista do casamento, Émerson. Veja como tudo está conectado, de alguma forma.

O coro masculino de Tio Julião é muito competente, mas também bastante estressado; da galeria dava para acompanhar a briga de foice que o regente, Ministro Rosa, travava com coristas que dormiam no ponto. Confesso que me emocionei. Não com a briga, mas com a música sobre os passos de Jesus em direção à cruz. Muito tocante.

No final do culto, após a bênção apostólica, em meio a toda cerimoniosidade capunguense, Tio Julião e seus colegas cantaram um trecho do Hino Nacional Brasileiro (não, não estava no programa). Em certo momento do hino, os pastores se levantaram em sinal de respeito, e a congregação os seguiu. O arranjo era muito interessante; ele ligava o hino nacional ao hino "Nossa Pátria para Cristo", paródia daquele que diz "ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil". No final, a bandeira do Brasil foi erguida por dois coristas ao fundo, e houve um esboço de aplauso ecoando no ar silencioso e frio do tempo. As mãos do Pastor Ney indicaram que nos sentássemos de novo, e houve silêncio.

Obviamente, foi algum caro visitante desavisado que desencadeou o início de aplauso. Quero deixar claro que não há sombra de ironia naquele "caro". Eu sei que o visitante, via de regra, não tem culpa do processo que tem transformado cultos em shows. Pelo menos, não diretamente.

Planejamos boa música para o casamento. Tudo em louvor de Deus, apenas. Se alguém tem que aplaudir, será Ele, através das bênção que derramar sobre a família que vai nos dar.

Amém.

Mudança da data

Mudança na data do casamento. Vamos adiantar a cerimônia em uma semana, por algumas razões:

1 - vamos viajar mais cedo, e por isso teremos mais tempo para conhecer Clermont-Ferrand e nos instalar.
2 - Vamos nos casar duas semanas antes do aniversário de 7 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro. Uma semana é muito pouco. Pode dar azar.
3 - Pastor Ney Ladeia viaja para os Estados Unidos na primeira semana de setembro.

(a ordem dos fatores não altera o produto)

Portanto, a cerimônia será dia 30 de agosto.
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